Portugueses confiam mais na UE e na NATO do que nos militares portugueses

Sondagem da Aximage indica que 65% dos portugueses confia mais na UE (e 63% na NATO) do que nas próprias Forças Armadas nacionais no que toca ao conflito na Ucrânia. E são poucos os que querem gastar mais em Defesa.

A invasão russa na Ucrânia de 24 de fevereiro fez regressar os temores de uma guerra mundial e voltou a pôr em cima da mesa o tema da defesa nacional. Os países devem rearmar-se? A NATO faz sentido como aliança militar do Ocidente contra a Rússia, a China ou os seus aliados? E qual o papel de um futuro exército europeu, coordenado pela UE? Uma sondagem do DN divulgada este domingo responde, pelo menos, a uma questão: em que instituição confiam mais os portugueses para os manter seguros neste conflito? A resposta é: na União Europeia e na NATO, mais do que nas Forças Armadas portuguesas. 65% dos inquiridos têm uma confiança “Muito Grande” (20%) ou “Grande” (45%) na UE no que toca a este conflito, contra os 63% na NATO (22/41) e os 57% (19%+39%) nas estruturas militares portuguesas.

Por outro lado, 82% dos inquiridos concordam “totalmente” ou “parcialmente” com o alinhamento do Governo português com a UE e a NATO. Numa nota paralela, os portugueses opõem-se ao voto contra do PCP sobre a condenação da agressão militar russa na Ucrânia. 54% discordam “totalmente” do voto do PCP e 13% discordam “parcialmente”. No pólo oposto, 7% concordam “totalmente” com o voto contra do PCP e 8% “parcialmente”.

Ainda assim, apesar de a maioria dos países europeus estar a equacionar novos investimentos em armamento e defesa (em antecipação a um escalar do conflito), os portugueses não querem dar prioridade a gastos desse tipo. Quando a sondagem da Aximage (para o DN, TSF e JN) lhes dá a possibilidade de escolher três prioridades (em sete possíveis) as respostas vão para Saúde (69%), Energias Renováveis (50%) e Educação (44%). Os gastos com Defesa surgem em quinto nas prioridades, com 30% das respostas (logo abaixo dos 31% para a Justiça).

Portugal gasta 1,54% do seu PIB com a Defesa, abaixo do limite de 2% a que todos os aliados da NATO se comprometeram.

A sondagem da Aximage foi feita entre 10 e 14 de março, com a realização de 756 entrevistas a residentes em Portugal com mais de 18 anos. A margem de erro do trabalho é de 3,56%.

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