Portugueses da iLof recebem 5 milhões para melhorar medicina personalizada

CEO e confundador diz ao Jornal Económico que a empresa está a trabalhar de perto com grupos farmacêuticos e hospitais em dez países, “tendo em vista a redução de até 40% do custo e 70% do tempo gasto a desenvolver novos tratamentos para doenças complexas”.

A startup de biotecnologia iLoF – Intelligent Lab on Fiber, que está a desenvolver uma base de dados digital de biomarcadores e perfis biológicos de doenças complexas e heterogéneas, anunciou esta quinta-feira que fechou uma nova ronda de investimento de 5 milhões de dólares, liderada pela gestora de capital de risco portuguesa Faber. O valor – que será utilizado para melhorar a plataforma digital e contratar – aumenta o financiamento da empresa desde a sua fundação, em 2019, para mais de 8 milhões de dólares.

Por detrás destes 5 milhões de dólares estiveram ainda os fundos norte-americanos M12 (Microsoft) e Quiet Capital e os europeus Lunar Ventures, Alter Venture Partners, re.Mind Capital e Fluxunit, bem como Charlie Songhurst, ex-diretor geral da Microsoft, e a Berggruen Holdings, o family office do investidor e filantropo Nicolas Berggruen.

O que lhes interessou? O facto de a tecnologia da iLoF capturar e processar quantidades massivas de sinais óticos (fotónica) que permitem criar um perfil biológico do paciente através de amostras de um fluido corporal, como sangue. As chamadas “réplicas biodigitais” daí obtidas permitem acelerar a procura por novos padrões moleculares e clínicos, o que a iLoF vê como chave para o desenvolvimento de novas terapêuticas adequadas àquele doente em específico ou diagnósticos mais precisos.

“Cada pessoa é diferente e, para muitas doenças graves, como Alzheimer, vários fatores podem contribuir para a eficácia de um tratamento em um determinado paciente”, começa por explicar o cofundador e CEO da iLoF. “Capturamos grandes quantidades de dados para criar cópias digitais de perfis biológicos e subtipos de doenças, que armazenamos na nossa biblioteca digital. Diferentes perfis de pacientes poderão assim ser selecionados e rastreados pela plataforma, acelerando o desenvolvimento de tratamentos eficazes e personalizados, e permitindo ensaios clínicos mais humanos e centrados no paciente”, afirma.

Luís Valente disse ao Jornal Económico, no final do ano passado, que a iLoF estava “a trabalhar de perto com dois grupos farmacêuticos mundiais e hospitais em dez países, tendo em vista a redução de até 40% do custo e 70% do tempo gasto a desenvolver novos tratamentos para doenças complexas” com o intuito de “ajudar a desenvolver, escolher, e eventualmente democratizar tratamentos personalizados para os milhões de pacientes que vivem hoje com doenças heterogéneas (e ainda incuráveis)”.

Com este financiamento, a biotecnológica com escritórios em Oxford e no Porto pretende duplicar a equipa com a contratação e mais 20 pessoas das áreas da física, ciência de dados, biologia e gestão de produto. “A iLoF tem o poder de impactar positivamente milhões de pacientes em todo o mundo e tornar-se uma peça fundamental no mercado da medicina personalizada, avaliado em 500 mil milhões de dólares (2021)”, comenta Sofia Santos, sócia da Faber.

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