Portugueses preferem reportar cibercrimes às empresas em vez da polícia

Universidade de Coimbra e Centro Nacional de Cibersegurança concluíram ainda que há uma divergência entre a intenção dos cidadãos em reportar um eventual crime informático que possam vir a sofrer e a sua notificação quando de facto são vítimas de crime informático.

Há em Portugal uma divergência entre a intenção dos cidadãos em reportar um eventual crime informático que possam vir a sofrer e a sua notificação quando de facto são vítimas desse cibercrime, à semelhança do que acontece com outros Estados-membros da União Europeia (UE), conclui o relatório “Cibersegurança em Portugal: Políticas Públicas”, elaborado pela Universidade de Coimbra e divulgado esta sexta-feira pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS).

O relatório identificou ainda, entre os que sofreram efetivamente um ataque de hacker, um “elevado grau” de desconhecimento relativamente à existência e à identificação de canais oficiais de denúncia desse crime. Aliás, as vítimas tendem a preferir notificar em canais ditos alternativos, como os fornecedores de serviços de Internet – por exemplo, os operadores de telecomunicações – em vez dos órgãos de polícia criminal.

Ainda assim, os investigadores e o CNCS concluem que, na generalidade, as estratégias adotadas em Portugal têm acompanhado os objetivos e orientações estratégicas de segurança da EU, sobretudo por haver políticas como a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial 203037 – que reconhece a cibersegurança como uma área importante de investigação e inovação associada à inteligência artificial, que é “uma componente essencial dos algoritmos de cibersegurança” – e a Estratégia Nacional de Computação Avançada 203038 – que abrange três grandes áreas de intervenção: “criar uma infraestrutura de supercomputação; desenvolver e reter pessoas com fortes competências avançadas e implementar uma infraestrutura de políticas públicas, de forma a promover a criação de serviços e software de elevado valor”.

Segundo o documento, de 2015 para 2017, a percentagem de cidadãos europeus que concordam totalmente, ou tendem a concordar, que as autoridades públicas estão a fazer o suficiente no combate ao cibercrime subiu de 37% para 47%, enquanto a percentagem dos que discordam desceu de 45% para 32%.

“A emergência sanitária global em que vivemos desde o primeiro trimestre de 2020, e as suas profundas repercussões nas áreas da saúde pública, relações de trabalho e convivência social, apenas para enumerar as principais, vieram dar relevo ao papel legislador e executivo do Estado na mitigação dos vários efeitos negativos que situações extremas provocam sobre os seus cidadãos e organizações”, explicam os autores.

“Também a área da cibersegurança, já considerada sensível e prioritária ao ser um foco de atenção crescente por parte de várias políticas públicas, conheceu em ano e meio, nesta crise recente, um considerável agravamento das ameaças, riscos e incidentes, proporcional ao aumento de volume, importância e sensibilidade dos dados veiculados no ciberespaço”, garantem.

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