“Posições xenófobas” e “reconfiguração política na Europa”. Partidos reagem à vitória de Meloni em Itália

A maioria dos partidos lamentam posições “xenófobas” do partido Fratelli d’Italia, mas também há quem defenda que a vitória marca uma mudança de política na Europa.

A coligação de direita e extrema-direita, liderada pelo partido Fratelli d’Italia, obteve entre 41% a 45% dos votos nas legislativas em Itália e os partidos portugueses não ficaram indiferentes. Há quem veja a vitória como uma mudança de política na Europa, mas também há quem lamente os resultados e as ideias defendidas pelo partido.

Um dos primeiros a reagir foi o Partido Social Democrata (PSD). O eurodeputado e vice-presidente do PSD, Paulo Rangel disse à “TSF”, que, “neste momento, é cedo para podermos dizer se isto vai marcar um período de crise na UE, engrossando as posições do Governo húngaro ou polaco, dando força a uma posição eurocética”.

O social democrata apontou ainda que “do ponto de vista humanista, este partido tem posições xenófobas, tal como os Democratas Suecos”.

No Chega, o partido considerou que “os resultados obtidos por Giorgia Meloni e Matteo Salvini nas eleições italianas abrem caminho a uma verdadeira mudança de políticas em Itália e, ao mesmo tempo, a uma reconfiguração política da Europa”.

“Depois da Suécia, é agora a vez de a Itália dar mais um sinal claro de que o continente Europeu está em profunda mudança e que os eleitores confiam cada vez mais nos partidos que defendem, sem reservas, a soberania dos seus povos, as suas tradições e valores civilizacionais, como é o caso do Chega em Portugal”, destacou o partido de Ventura.

A Iniciativa Liberal defendeu que o resultado é para respeitar, ainda assim lamentou os ideias defendidos pelo Fratelli d’Italia. “Pessoalmente, e enquanto líder de um partido liberal, só posso lamentar que seja aquele tipo de ideias políticas que tenha ganho as eleições, mas não faço mais comentários”, disse o líder João Cotrim Figueiredo, citado pela “Lusa”.

Já o Partido Comunista Português (PCP) associou a vitória do partido “Fratelli d’Italia”, numa coligação de direita, à “profunda crise política e económica” italiana. “O facto de uma força de extrema-direita, comprometida com o legado do fascismo, ter sido o partido mais votado nas eleições em Itália assume particular gravidade”, começam por dizer os comunistas em comunicado.

Na perspetiva do PCP, “trata-se de um resultado só possível devido à profunda crise política, económica e social em que a Itália está mergulhada em resultado da ação de sucessivos governos com políticas de direita e  submetidos às orientações da União Europeia que, como o último governo chefiado por Mário Draghi, frustraram justas expectativas populares, também refletidas na elevada abstenção registada”.

Por sua vez, a porta voz do PAN utilizou as redes sociais para lamentar a vitória da coligação de direita. “O resultado eleitoral em Itália é mais um dia triste na história da democracia da Europa e deve consciencializar para o perigo da normalização de forças políticas da extrema-direita. As respostas para os problemas que enfrentamos não estão no populismo. Vivemos tempos complexos”, escreveu no Twitter Inês de Sousa Real.

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