Financiamento. Pote de ouro já não está só no arco-íris da banca

Fontes de Financiamento complementares das empresas


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O protagonismo de business angels, private equity e capital de risco cresce de dia para dia em Portugal.
O mesmo acontece com os empréstimos diretos e o crowdfunding. Juntos, porém, são ainda uma gota
de água no oceano do financiamento às empresas, que continua dominado pela banca comercial.
Acanhado mantém-se o mercado de capitais.

“Há cinco ou seis anos, era impensável pensarmos que chegávamos onde estamos agora”. Em meia dúzia de palavras, Paulo Andrez, membro da direcção da Federação Nacional de Associações de Business Angels, retratou o salto dado pelas “novas” formas de financiamento às empresas neste anos de crise económica e financeira. Sem margem para dúvidas.

A conferência sobre “Fontes de financiamento complementares para empresas”, que decorreu no salão nobre da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, às Portas de Santo Antão, em Lisboa, com casa cheia, permitiu concluir que, no atual contexto da economia, do país, da Europa e do mundo, o problema até nem é o dinheiro. Com execeção de um, os três membros do painel que debatia o tema “Private equity, capital de risco e business angels – como e em que condições”, aquiesceram no ponto. “Há excesso de dinheiro em Portugal. Ainda faltam é bons projetos para serem financiados, embora estejamos a melhorar”, salientou Paulo Andrez. O administrador da Caixa Capital, Stephan Morais disse o mesmo por outras palavras: “Não há falta de capital. Há falta de empresas competitivas com perfil de private equity”. Estão neste grupo as empresas não sustentáveis financeiramente, isto é, todas aquelas que não apresentam crescimento e não têm produtos competitivos. Mais do que uma questão financeira, o falhanço é determinado, muitas vezes, por um questão económica, como o estar numa indústria ou num setor de atividade que não é competitivo, que jamais será competitivo.

Nascer no sítio certo é, porém, tão importante como crescer bem acompanhado. Na vida como nas empresas. “Não basta apoiar a criação de startups. É preciso ajudá-las a crescer e ajudá-las a internacionalizar”, disse mais adiante Paulo Andrez. Marco Fernandes, CEO da Portugal Ventures, alinhou por idêntico diapasão, reconhecendo que, no final do ciclo de financiamento cá dentro, “a maioria das empresas ainda não está em condições de levantar dinheiro lá fora, mas já se percebeu que cresceram o suficiente para se perceber que são importantes”.

O acesso às redes internacionais é, assim, um fator crítico de sucesso, num mercado, que, tal como o descreveu Stephan Morais, “é completamente global”. O gestor explicou depois que a importância desse aspeto faz com que seja necessário estar por perto, o que obriga, muitas vezes, a mudar a sede para o estrangeiro. Daí o objetivo: “Temos de ser capazes de acompanhar essas rondas de investimento e garantir que o emprego e a criação de valor ficam em Portugal”, sublinhou.

Paulo Andrez reafirmou a questão levantada por Stephan Morais, vincando no que respeita aos business angels: “O que nos está a faltar um pouco é o acesso aos mercados internacionais. Como se acede a uma IKE a nível mundial?!”.

O Presidente da Associação Portuguesa de Capital de Risco, Nuno Gaioso Ribeiro, destacou a importância da indústria de capital de risco: “Faz com que as empresas cresçam mais depressa e sejam mais rentáveis”, “tem absoluta eficácia”, demonstrada “nas empresas e na economia. Porém, há uma enorme, enormíssima diferença, entre o papel desempenhado por esta indústria nos Estados Unidos e na Europa e em Portugal. Para Portugal em particular, admitiu. “Temos uma história com muitos problemas”. Na Europa, ao contrário dos EUA, a maioria do dinheiro investido em fundos de capital de risco é público. Os fundos estruturais de onde provém muitos dos recursos que alimentam estas “novas” fontes de financiamento estão orientados numa ótica de investimentos novos e não na ótica de suprir necessidades de capital mesmo nas empresas que têm produtos competitivos, o que coloca algum desajustamento face à realidade.

Seja como for, certo é que o nível de startups cresceu muito em Portugal nos últimos cinco, seis anos. Algumas delas têm qualidade internacional. O que pode ser feito para aumentar esta dinâmica? E para melhorar as fontes de financiamento? “Simples”, diz Paulo Andrez, esgrimindo o exemplo do Reino Unido, onde há “dois bis de libras” (2 mil milhões de libras) investidos muito à conta do incentivo fiscal que é dado aos investidores. O empreendedor acredita que se o exemplo for seguido pelo novo Governo português “vai democratizar ainda mais o investimento em start ups”.

O crowdfunding e os empréstimos de e para particulares ou de particulares a empresas continuam a ganhar preponderância em Portugal. Yoann Mesme, co-fundador e manager do PPL, revelou que, nos últimos quatro anos, esta plataforma de crowdfunding financiou 400 projetos, no valor médio de 500 euros. Por seu turno, José Maria Rego, co-fundador da startup Raize, avançou que a empresa pratica taxas de juro entre 5% e 6%, já apreciou mais de 60 projetos e a taxa de sucesso é de 100%.

A fiscalidade é sempre um trunfo fundamental dos governos, em qualquer circunstância – assim eles o queiram. Em Portugal, este instrumento nem sempre tem sido usado ao serviço das melhores causas. Luís Laginha de Sousa, ainda na qualidade de presidente da Euronext, que participou na mesa redonda “Capitalização das empresas – sistema bancário versus mercado de capitais”, referiu: “A fiscalidade é um instrumento fundamental para resolver alguns problemas estruturais.” Defendendo que é necessário olhar para os objetivos e definir os meios, o gestor apontou o exemplo belga e francês. “França, apesar da orientação política, fez um reforço significativo nos incentivos dados aos aforradores.”

Nesta mesa redonda, participaram também José Figueiredo, presidente da Sociedade Portuguesa da Garantia Mútua, e Luís Mira Amaral, presidente da comissão executiva do banco BIC. O primeiro fez um ponto da situação do novo banco de fomento, ou nova instituição promotora de crescimento, como preferiu chamar-lhe, avançando a necessidade de alterar os estatutos para alargar o âmbito de intervenção às “mid-caps”. Mira Amaral considerou que os fundos de recapitalização seriam essenciais para financiar “empresas financeiramente desequilibradas, mas economicamente viáveis”.

A realidade é o que é e a realidade portuguesa, em termos de financiamento, é que a banca comercial continua a ser a principal fonte a que as empresas recorrem. O mercado de capitais continua a ter um papel subalterno. Seria importante que estas duas formas de financiamento pudessem conviver de forma equilibrada. Para já, não se vê que possa ser assim num futuro e assinala-se o crescimento significativo da atividade dos business angels, da Portugal Ventures e da Caixa Capital, entre outros players do setor.

Por Almerinda Romeira/OJE

 

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