Poupança: risco e retorno ditam escolhas

Em épocas de baixas taxas de juro, encontrar um produto de poupança que ofereça um retorno significativo sem se arriscar não é fácil. Ainda ssim, a oferta variada permite ajustar às necessidades de cada um.

Dado Ruvic/Reuters

Visando apurar qual a oferta do mercado em termos de PPR e quanto se pode auferir durante 30 anos de trabalho e até à idade de reforma, a plataforma gratuita de comparação financeira ComparaJá.pt elaborou, em exclusivo para o Jornal Económico, uma análise que parte do perfil da Rita, professora universitária com 35 anos de idade, que aufere um rendimento mensal líquido de 1.500 euros e que pondera começar a planear o seu futuro financeiro através da constituição de um PPR. Inicialmente, a Rita está disposta a poupar 100 euros por mês, valor que aumentará 5% ao ano até ao final do prazo da aplicação. Isto significa que, no final dos 30 anos, quando a Rita tiver precisamente 65 anos de idade, terá poupado sensivelmente 79.726,62 euros só de capital. A este valor acrescenta-se a rendibilidade gerada pelo PPR que escolher. Para dar uma perspetiva geral do mercado, foram analisadas as principais caraterísticas de soluções de PPR de cinco seguradoras em Portugal – Allianz, Fidelidade, Zurich, Liberty e Lusitânia –, de dois bancos – Santander Totta e Bankinter – e de uma sociedade gestora de investimentos – Optimize Investment Partners.

A disparidade entre o retorno que se pode auferir ao final de um prazo de 30 anos é de 53.243 mil euros, com o retorno da opção PPR Ativo da Allianz a gerar 4.969 mil euros, enquanto que a solução da Lusitânia ascende aos 58.212 mil euros no fim do prazo. Esta assimetria tem que ver sobretudo com a rendibilidade média anual do título em si, que no primeiro caso é de apenas 0,50%, ao passo que no segundo cifra-se em 4,18%.

Neste sentido, é fácil depreender que, pese embora o valor dos encargos com subscrição e com as comissões de gestão e de resgate, a rendibilidade anual média determina efetivamente o valor que se vai obter no fim do prazo. Ainda assim, para se ter uma noção do peso dos encargos com a subscrição do PPR, por exemplo, considerando o investimento de 1.200 euros que a Rita faz no primeiro ano, se ela tiver de pagar uma comissão de subscrição de 2%, tal significa que o montante que ficará a render será, na realidade, de 1.176 euros.

Portanto, para além do retorno acumulado, é preciso deduzir sempre os encargos com a subscrição e com as comissões de gestão e de resgate. Existem também PPRs que garantem o capital investido e outros não.Saliente-se que as soluções apresentadas pelos dois bancos em análise, o PPR Capital Garantido do Santander e o PPR Rendimento Garantido S3 do Bankinter, possuem taxas de rendibilidade anual muito semelhantes (1,73% no primeiro caso e 1,89% no segundo), garantindo retornos na ordem dos 19 mil euros no Santander e de 21 mil euros no Bankinter.

Seguros de capitalização

Em épocas de baixas taxas de juro, encontrar um produto de poupança que ofereça um retorno significativo sem se arriscar demasiado não é fácil. Quem deseja investir o seu dinheiro num produto de médio/longo prazo geralmente tenta procurar o que oferece o maior retorno possível, pois amealhar sem rendibilizar de nada serve ao fim de 10 anos com o peso da inflação sobre o valor do dinheiro. No âmbito das opções que existem no mercado, os seguros de capitalização podem ser uma solução a considerar, até pelo facto de terem benefícios fiscais. Dentro dos seguros de capitalização, normalmente, é possível optar-se por duas modalidades: com entregas periódicas, nas quais se coloca um determinado montante em períodos temporais previamente definidos (mensalmente, trimestralmente, semestralmente ou anualmente), ou com apenas uma única entrega. Por norma, estes produtos não têm reforços (note-se que os “reforços” são diferentes daquilo que se designa por “entregas periódicas”) e um resgate antecipado dos mesmos não está isento de penalizações. Trata-se de uma aplicação de médio/longo prazo, pelo que não se afigura aconselhável resgatá-la nos primeiros anos.

A ComparaJá.pt,tabela analisou as caraterísticas de oito opções de seguros de capitalização do mercado português – quatro de seguradoras (Ocidental, Allianz, Liberty Seguros e Generali) e as restantes de bancos (CGD, Novo Banco, BPI e Banco CTT). Assim, o prazo mínimo de constituição de um seguro de capitalização é de cinco anos (como acontece com o Caixa Seguro Capital Mais da CGD e o Garantia Mais da Allianz), podendo mesmo ascender até 10 anos (olhando para a opção da Liberty Seguros). Desta forma, nota-se que são produtos ideais para quem pretende investir no médio/longo prazo.

Todas as soluções exigem valores específicos de entregas mínimas que nalguns casos têm de ser feitas uma única vez – é o que sucede com o Novo Aforro Familiar do BPI, com Postal Mealheiro – Ações Crescimento do Banco CTT e ainda com o Garantia Mais da Allianz – e noutros é possível realizar entregas mensais, trimestrais, semestrais, anuais e até extraordinárias – é o que se verifica nos restantes produtos apresentados.

Alguns obrigam ao pagamento de uma comissão de subscrição (que pode ir de 1% a 3% na constituição do seguro ou até de 0,375% a 0,5% nas entregas extraordinárias e regulares) e ainda de uma comissão de gestão anual (cujo valor mais baixo apresentado é de 0,5%, correspondendo ao Poupança Mais da Liberty Seguros, enquanto que o mais elevado é de 2%, sendo o Seguro Poupança Crescente da Ocidental).

Qualquer que seja a rendibilidade anual do seguro de capitalização, a mesma terá sempre de ser deduzida do valor destas comissões que irão sempre reduzir o retorno líquido do aforrador.

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