Poupanças na banca da zona euro rendem 16 vezes mais que em Portugal

A média dos juros pagos na área do euro é de 1,15%, no total de depósitos, face aos 0,07% da banca portuguesa. O país é onde se paga menos por estes produtos de poupança entre os 19 da região.

Os depósitos das famílias portuguesas estão a render muito menos do que os dos particulares dos restantes países do euro. De acordo com dados do Banco Central Europeu (BCE) sobre o total de depósitos, analisados pelo Jornal Económico (JE), a taxa de juro média paga na zona euro é 16 vezes mais elevada quando comparada com a do sector financeiro nacional. Uma tendência que, apesar dos apelos do regulador à banca, não deverá mudar em breve.

A média na zona euro da taxa de juro dos novos depósitos até um ano estava nos 0,56% em setembro. Em Portugal, estava nos 0,05%. Portanto, a média europeia é onze vezes mais alta do que em Portugal, apontou Luís Marques Mendes, comentador da SIC, no domingo passado. Isto significa que o país está em último lugar entre os 19 países da região, logo atrás da Eslovénia e do Chipre, onde o juro é de 0,11%.

No topo desta lista estão os Países Baixos, com uma taxa de 1,84%, seguidos de perto pela Finlândia, que paga 1,2% de juros nos novos depósitos, por Itália, com uma taxa de 1,16%, e por França, com 1,12%.

Quando analisado o “stock”, ou seja, o total de depósitos, a diferença entre a zona euro e Portugal é ainda mais significativa. Os dados do banco central, compilados pelo JE, mostram que, neste caso, as poupanças na zona euro rendem 16 vezes mais que em território nacional, uma vez que a média dos juros pagos na região é de 1,15% versus os 0,07% pagos pela banca portuguesa.

Neste “ranking”, Portugal continua a surgir em último lugar, com o Chipre, Espanha e Irlanda a apresentarem uma taxa de juro muito próxima, de 0,08%. No outro extremo da lista, há três países acima da média europeia: França (2,18%), Países Baixos (1,58%) e Bélgica (1,2%).

Regulador pede subida dos juros, banca resiste

De acordo com as instituições financeiras portuguesas, a normalização da política monetária por parte do BCE acabará, eventualmente, por se traduzir no aumento da remuneração destes produtos de poupança. A Caixa já deu o tiro de partida entre os grandes bancos, numa altura em que os mais pequenos também começam a dar uma remuneração mais atrativa.

As restantes instituições financeiras deverão seguir este movimento, mas ainda não dizem quando é que esse passo poderá ser dado. Na conferência “Banca do Futuro”, organizada pelo “Negócios”, o CEO do BCP disse que “o banco tem uma política de preços de depósitos que consideramos necessária à estratégia da instituição”, enquanto o presidente executivo do Novobanco referiu que o ajustamento será feito de forma natural.

Por outro lado, Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal, referiu que “não há necessidade neste momento de começar a pagar depósitos, porque é uma questão de gestão de balanço”. Quando o “momento for oportuno, estaremos preparados para estudar esse tema”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do BPI, na conferência de resultados.

O regulador tem vindo a apelar ao sector para começar a subir os juros, numa altura em que a elevada liquidez no sistema serve de travão ao pagamento de depósitos. Na semana passada, Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, afirmou que “o reflexo das subidas das taxas de juro deve fazer-se sentir nos depósitos, para que a poupança passe a ter outro significado”. Apesar da baixa remuneração oferecida pelos bancos, havia, em setembro, perto de 181,3 mil milhões de euros em depósitos.

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