Preço do seguro: um investimento e não um custo

Na ótica da Mapfre, o consumidor deve encarar o preço do seguro como um investimento e não como um custo.

“Comprar por preço traduz-se, muitas vezes, na compra de um seguro desajustado face às necessidades e expectativas com a proteção que o mesmo deveria conferir. Reduzir coberturas, capitais e subir franquias podem ter esse efeito”, explica João Gama. Por outro lado, entende também que os capitais a segurar (ou o número de assoalhadas, em certos produtos) são um elemento essencial a ter em conta na hora de comprar o seguro. Finalmente, como em qualquer outro seguro, frisa, “há que responder com exatidão e sem omissões às perguntas da seguradora, sob pena de redução ou perda das garantias do contrato”.

A experiência da Groupama diz que o prémio a pagar, sendo importante, não deve ser o único indicador decisivo. A maioria das apólices já contempla um leque muito alargado de garantias na cobertura base, o que permite beneficiar de uma proteção bastante abrangente. “Daí resulta ser muito importante a leitura atenta sobre franquias e limites de cobertura, bem como a boa adequação do capital a segurar. Por exemplo, no seguro de paredes deve atender-se ao valor de reconstrução do imóvel, que não coincide com o valor comercial, pois há aspetos, como a localização e a área, que não se perdem pelo sinistro. Na componente recheio, um dos aspetos que deve merecer especial atenção é a correta identificação dos bens (recomenda-se que sejam fotografados). Ponderar investir numa fechadura ou numa porta blindada, é também um meio de aumentar o nível de proteção e conseguir até reduzir o prémio se a opção for a porta blindada”.
“Procurar todas as respostas para todas as suas necessidades”. Esta é a leitura que também têm em comum as seguradoras Fidelidade e Ageas. Enquanto a Fidelidade sublinha que “tudo depende da necessidade do cliente e da sua sensibilidade de proteção ao risco, a Ageas vem reforçar que “cada cliente deve procurar adequar o seguro de habitação às suas necessidades de proteção, exigências bancárias, em caso de financiamento, e capacidade de transferência de risco”.

Sendo que, informar-se com o seu mediador sobre os riscos cobertos, mas também sobre as suas exclusões e franquias, pode ser “fundamental para uma escolha consciente”, realça ainda a Ageas.
A Fidelidade também não deixa de reforçar que existe sempre a necessidade de segurar os bens, atualizar os seguros quanto a capitais e coberturas, “pois o que temos nos nossos lares pode ser tudo coisas de montante reduzido, mas se tivermos de voltar a comprar tudo de novo, vai demorar e vai custar muito. Para quem sabe que tem coisas de valor, pelo menos não perde tudo, poderá contar com o seguro para ajudar a ‘normalizar’ a vida”.

Qual deve ser o capital seguro relativo ao imóvel?
O tomador do seguro é responsável por estabelecer, no início e ao longo do contrato, qual é o capital seguro. O valor do capital seguro deve corresponder: ao custo de reconstrução do imóvel, tendo em conta o tipo de construção e outros fatores que possam influenciar esse custo; ao valor matricial, no caso de edifícios que vão ser demolidos ou expropriados. Para determinar o capital seguro, devem ser considerados todos os elementos do imóvel (à exceção dos terrenos), incluindo o valor proporcional das partes comuns.

Qual deve ser o capital seguro relativo ao recheio do imóvel?
Neste caso, o valor do capital seguro deve corresponder ao custo de substituição dos bens. Na proposta de seguro devem ser claramente identificados os bens a segurar e o seu valor. Os bens mais raros ou valiosos (por exemplo, antiguidades, obras de arte e joias) devem ser especificamente identificados, se possível através de fotografias e descrição das suas características e ser-lhes atribuído um valor por peça. Em caso de sinistro, é o segurado que tem o ónus da prova, isto é, que tem de provar que os danos se verificaram e que os bens lhe pertenciam ou estavam à sua guarda. É, por isso, importante guardar toda a documentação que prove a existência dos bens seguros, nomeadamente recibos discriminados que comprovem a sua compra.

Como é feita a atualização do capital seguro?
A atualização do capital seguro é da exclusiva responsabilidade do tomador do seguro. O segurador não pode, de sua livre iniciativa, proceder a essa alteração. No caso do seguro de recheio, o tomador do seguro deverá atualizar periodicamente o valor atribuído a cada bem, tendo em atenção que o custo de substituição poderá ser superior ao que indicou inicialmente. No caso do seguro obrigatório de incêndio, a atualização anual do capital seguro é obrigatória. Cada condómino deverá atualizar o capital seguro para a sua fração, de acordo com o valor que for aprovado na assembleia de condóminos. Se a assembleia não tiver aprovado um valor de atualização, o capital seguro deve ser atualizado de acordo com o Índice de Edifícios (IE) publicado pela APS.

É possível atualizar automaticamente o capital seguro?
O tomador do seguro poderá optar por dois tipos de atualização automática do capital seguro: Atualização convencionada – o capital seguro é atualizado anualmente com base numa percentagem indicada pelo tomador do seguro (por exemplo, pode decidir aumentar o valor do capital seguro 5% todos os anos); Atualização indexada – o capital seguro é atualizado anualmente de acordo com as variações dos índices IE (edifícios), IRH (recheio) ou IRHE (recheio e edifício), publicados pela APS.

Quais as obrigações do segurado em caso de sinistro?
Em caso de sinistro, o tomador do seguro ou o segurado deve: comunicar o sinistro, por escrito, ao segurador, no mais curto prazo de tempo possível (nunca excedendo oito dias a contar do dia em que ocorreu ou em que tomou conhecimento dele), explicando de que forma ocorreu, quais as causas e as consequências; tomar as medidas ao seu alcance para prevenir ou limitar as consequências do sinistro; isto pode incluir, na medida do razoável, conservar os salvados e não alterar os vestígios do sinistro sem autorização do segurador; prestar ao segurador todas as informações que este solicite acerca do sinistro e das suas consequências; não prejudicar o direito de o segurador receber do responsável pelos danos as indemnizações que entretanto tenha pago ao segurado; cumprir as regras de segurança que sejam impostas pela lei, regulamentos legais ou cláusulas do contrato. Se o tomador do seguro e o segurado não cumprirem estas obrigações, a cobertura e o valor da indemnização podem ser afetados.

Quais as obrigações do segurador em caso de sinistro?
danos; pagar as indemnizações devidas. O segurador deve pagar a indemnização ou autorizar a reparação ou reconstrução logo que estejam concluídas as investigações e a avaliação dos danos. Se, tendo todos os elementos necessários, não o fizer no prazo de 30 dias, terá que pagar juros sobre o valor da indemnização.

Como é paga a indemnização?25
O segurador paga a indemnização em dinheiro se for impossível ou demasiado caro reparar os bens destruídos ou danificados. Quando for possível substituir, repor, reparar ou reconstruir os bens, o segurado deve colaborar nesse sentido com o segurador ou com quem este indicar.

Fonte: APS (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões)

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