Preço dos bens alimentares vai subir 30%, mas “não vai haver rutura”, garante a APED

O aumento do preço dos bens alimentares, e as consequências para os rendimentos das famílias, vai ser um “desafio enorme”, afirmou o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição.

Secretário-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), garante que não haverá uma rutura de produtos nos supermercados. Isto apesar de as expectativas apontarem para um aumento médio dos bens alimentares na ordem dos 30%, naquele que é um cenário de disrupção no mercado agravado pela guerra na Ucrânia.

“Quero começar por sossegar toda a plateia: não vai haver uma rutura de produtos. Não é preciso ir a correr aos supermercados”, disse o responsável da APED na conferência anual da Associação de Instituições de Crédito Especializada, que se realizou esta terça-feira em Lisboa.

De acordo com Gonçalo Lobo Xavier, há um “conjunto de riscos intrínsecos a tudo o que está a acontecer”, nomeadamente a escalada de preços. E isto está a “provocar uma distorção na cadeia”, disse o diretor-geral da associação que representa as empresas de distribuição. Ainda assim, garante que não vamos assistir a uma rutura do stock nos supermercados.

A subida dos preços, que já estava em curso, veio agravar-se com invasão russa à Ucrânia, tanto ao nível da energia e dos combustíveis, como das matérias-primas. Um aumento que já se sente nos bolsos dos consumidores. “O aumento médio dos bens alimentares vai ser na ordem dos 30%”, detalhou o diretor-geral da APED, considerando que isto vai ter consequências para os rendimentos das famílias. “É um desafio enorme que vamos ter seja nas [vendas] digitais seja nas [vendas] físicas”.

“Vai haver uma retração do consumo”, afirmou, por outro lado,  João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), no mesmo painel.

“Em Portugal, vai haver um choque entre a inflação” e as dificuldades financeiras que as famílias vão sentir, num cenário em que é “impossível” as empresas acompanharem o nível da inflação com um crescimento dos salários. “Temos provavelmente espaço para haver alguma instabilidade social”, referiu, notando que, neste momento, “a situação que vivemos é a tempestade perfeita”.

Há a questão da inflação, que “já se percebeu que pelo menos nos próximos tempos vai ser uma característica estrutural”.  Por outro lado, “temos as taxas de juro”, que vão ter tendência para subir, e os problemas nas cadeias de abastecimento, que “não vai ser simples voltar a estabelecer”, disse João Vieira Lopes.

Isto depois de um período de dois anos marcado pelo impacto da pandemia em vários sectores da economia, nomeadamente turismo, mas também o sector automóvel. Hélder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), recordou que a crise pandémica levou a uma escassez de matéria-prima para o fabrico de carros novos, o que levou a um aumento da procura por carros usados.

“Há procura, mas não há produto”, referiu, numa altura em que ainda não foi possível responder por completo à procura por automóveis.

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