Preço dos cereais dispara com receios sobre impacto da invasão russa à Ucrânia

A cotação do trigo (milling wheat) para entrega em março estava, há pouco, a subir mais de 17%, enquanto o milho avançava mais de 12%.

O preço dos cereais está a disparar, depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia durante a madrugada. A pressionar este mercado estão os receios de que este passo possa prejudicar as exportações daqueles que são dois grandes produtores desta matéria-prima.

A cotação do trigo (milling wheat) para entrega em março estava, há pouco, a subir mais de 17% para os 337,25 euros por tonelada métrica, segundo dados da Barchart.

Já o milho para entrega em março estava a valorizar mais de 12% para 300 euros por tonelada métrica, tendo chegado aos 304 euros por tonelada métrica durante a sessão desta quinta-feira.

Este é um dos mercados que será afetado pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia. À agência Lusa, Henrique Tomé, analista da correctora XTB, salientou, na quarta-feira, que “tanto a Rússia como a Ucrânia têm um papel importante no que diz respeito à exportação de cereais à escala mundial”, com ambos a representarem cerca de 30% da exportação. O trigo, estima o analista, “é dos cereais que poderá registar a maior subida dos preços”, que “já subiram cerca de 9% este ano”.

Também o milho deverá registar um aumento de preço, alertou Mário Martins, membro do conselho de administração da correctora ActivTrades CCTVM, justificando a previsão com o facto de a Ucrânia ser “o sexto maior” produtor mundial. Alerta, contudo, que a oscilação de preços dos cereais está pendente do resultado do impasse. “No pior cenário, será substancialmente maior, desde logo porque alia a questão do aumento de custos energéticos, dado que o preço do petróleo irá disparar também”.

Recomendadas

Confederação do sector agrícola alerta ministra para os altos custos do gasóleo para a agricultura

“A questão da energia e em especial os custos do gasóleo para a agricultura, constituíram a parte fulcral da reunião tendo a Ministra informado a Confederação que estão em preparação novas medidas estruturais para os combustíveis”, refere a CONFAGRI.

Produção de cereais no distrito de Beja muito afetada pela seca em “ano mau”

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches (CABB), Fernando Rosário, reconheceu que este “foi um ano mau” para os cereais na área de influência da entidade, que abrange sobretudo os municípios alentejanos de Beja e Serpa.

“Se não houvesse estufas as pessoas não podiam comer vegetais frescos o ano todo”

Luís Mira, secretário-geral da CAP, traça um quadro de expectativa no sector agroflorestal em tempos de incerteza.
Comentários