“Preços das casas vão continuar a aumentar”, defende CEO da Zome

Patrícia Santos acredita também que a subida da inflação vai provocar alterações na política monetária e correções de taxas de juros. Em relação à empresa, um dos objetivos traçados para este ano passa por superar os 31 milhões de euros em faturação.

A CEO da Zome considera que os desafios provocados pela pandemia da Covid-19 vão continuar a fazer-se sentir nos preços das casas em Portugal.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Patrícia Santos, faz um balanço sobre os primeiros três anos de atividade da mediadora imobiliária em Portugal, aborda os principais desafios do sector e traça os objetivos da Zome para este ano.

Que balanço fazem destes três anos de atividade?

No ano em que assinalamos o terceiro aniversário, é com grande satisfação que fazemos uma retrospetiva, porque só sentimos orgulho deste percurso. Cada ano é mais um passo rumo ao nosso objetivo: tornarmo-nos, não a maior, mas a melhor rede imobiliária do país, contribuindo para a profissionalização e credibilização do setor da mediação imobiliária, tirando partido da tecnologia, da formação e de uma liderança eficaz, muito focada na evolução de cada um dos nossos consultores.

Fechar o primeiro trimestre com mais um reforço do crescimento sustentado que temos conquistado até agora, reflete o esforço e dedicação de cada elemento da nossa equipa e o papel que temos vindo a estabelecer no mercado em Portugal. Encerrámos 2021 muito orgulhosos com os resultados, e é também dessa forma que começamos o ano de 2022.

Foram três anos de valores significativos de crescimento, de evolução, que teve espaço para crescermos e nos tornarmos resilientes, não só nós, mas o setor em geral. Felizmente, a pandemia não travou a nossa atividade, mas por outro lado, permitiu-nos tirar partido do contexto para acelerar o desenvolvimento  e lançar ferramentas que nos permitiram continuar a satisfazer as necessidades dos nossos clientes. Lançámos o Zome Now, uma plataforma digital que permite facilitar o processo de venda e compra de uma casa, e hoje somos a única empresa do setor que dispõe de uma solução deste género totalmente digital; criámos programas de integração e de mobilidade interna para os nossos colaboradores, como o Zome Ambition, que permite criar  bolsas de talento permitindo aos colaboradores mudar de função dentro da própria empresa, e candidatarem-se antecipadamente a vagas internas que estejam relacionadas com a ambição de desenvolvimento profissional ou de mudança de zona de residência geográfica no país.

Ao longo destes três anos, destacamos também as distinções, como por exemplo, em 2021, o prémio de Melhor Empresa para Trabalhar no Setor Imobiliário, pela Exame, que muito nos orgulha. É nossa convicção que só um consultor motivado, e feliz, conseguirá prestar o melhor serviço aos nossos clientes, num dos momentos mais decisivos das suas vidas, como é a venda ou a compra de uma casa.

Tal como em 2021, este ano, estamos comprometidos em continuar a apostar em todos os temas que promovam a credibilização do setor da mediação imobiliária, através da formação e da profissionalização dos nossos colaboradores e, consequentemente, do mercado. E por isso lançámos a Academia Startup, que consiste num programa de treino e acompanhamento diário dos consultores Zome, através do desenvolvimento de um plano de ação que tem por base 20 anos de experiência; e a Academia Evolution, um programa de desenvolvimento anual para as várias funções de liderança dos nossos franchisados, onde desenvolvemos competências de autoconhecimento, de liderança, comunicação, coaching, entre outras, e vamos lançar em breve a Academia “Liderar é Transformar”. Criámos também uma nova área dentro da empresa que tem como objetivo proporcionar um acompanhamento mais próximo e personalizado aos consultores mais produtivos da rede e aos que pretendem desenvolver equipas imobiliárias. Acreditamos que só assim será possível continuar a crescer, reforçando a confiança junto das nossas lideranças, dos nossos consultores e clientes.

De que forma a pandemia impactou o negócio?

O setor imobiliário foi um dos setores que demonstrou maior resiliência neste período, e conseguiu resistir ao impacto mais relevante da pandemia. Felizmente, o mesmo aconteceu na Zome. Uma casa é, na grande maioria dos casos, uma necessidade essencial para o bem-estar de uma família, e num contexto de pandemia, tornou-se o epicentro da vida familiar, e transformou-se num bem ainda mais valorizado e uma prioridade para as famílias. Esta realidade refletiu-se no aumento da procura sentida durante o ano de 2021.

Olhando para o que nos dizem os dados, já no final do ano passado se verificava alguma recuperação do impacto da pandemia no setor. Em setembro de 2021, os dados dados do INE sobre o número de imóveis transacionados, aproximavam-se muito dos dados do último trimestre de 2019, antes da pandemia. 2021 fechou com mais transações imobiliárias do que 2020, por exemplo. Já na Zome, em 2021, registámos um aumento do volume de negócios de 52% face ao ano anterior e também conseguimos crescer no número de unidades da rede Zome, em Portugal.

Os bancos também continuaram disponíveis para conceder crédito à habitação, permitindo manter a dinâmica do mercado. De acordo com dados do Banco de Portugal relativos a fevereiro deste ano, os bancos emprestaram 1.275 milhões de euros para a compra de casa, o que representa o melhor mês de fevereiro desde 2008. . Além disso, a avaliação bancária continua a bater recordes, segundo dados do INE e, em fevereiro, o valor mediano de avaliação bancária chegou aos 1.314 euros por metro quadrado, uma subida de 22 euros face a janeiro.

A rápida adaptação do setor da mediação imobiliária e da banca a esta nova realidade proporcionada pela pandemia, criando condições para agilizar todos os processos burocráticos de forma digital e segura, foram também essenciais para uma rápida retoma da confiança dos clientes no processo de compra e venda da sua casa, algo que é demonstrado no dinamismo que o mercado imobiliário continua a evidenciar.

Quais são os principais desafios que o mercado imobiliário residencial enfrentará em 2022?

Serão vários os desafios para o mercado imobiliário residencial em 2022. O excedente de procura que existe, bem como os atrasos e desafios logísticos introduzidos pela pandemia no que respeita à conclusão de novos projetos em construção, têm levado a que demore algum tempo até que a entrada de novos produtos consiga equilibrar a balança. Por isso, consideramos que os preços das casas vão continuar a aumentar.

O impacto real do fim das moratórias do crédito à habitação no mercado residencial é ainda difícil de aferir. Da mesma forma, a inflação, que parece estar para durar, vai provocar alterações na política monetária e correções de taxas de juros que, por sua vez, terão impacto na concessão de crédito à habitação e nas prestações atuais.

Consideramos que uma das formas de fazer face a estes desafios é promover a colaboração entre entidades governamentais, autarquias, promotores, construtores, banca e mediadores, para que possam criar soluções ágeis, sustentáveis e que vão ao encontro das reais necessidades das famílias, quer em termos de estilo de vida, quer em termos financeiros.

Acreditamos que os agentes imobiliários têm aqui um papel fundamental de apoio, de aconselhamento e acompanhamento, para desenhar projetos à medida das necessidades e capacidades das famílias portuguesas, desenvolvendo soluções de financiamento personalizadas, agilizando e acelerando todo o processo de licenciamento, e acompanhando de forma permanente as oscilações e fluxos de mercado. Em cada um destes processos, as mediadoras e a banca deverão ter um papel mais interventivo e de qualidade, com toda a informação de que dispõem, de forma a manter a balança da oferta e da procura o mais equilibrada possível.

Depois de um crescimento no volume de negócios superior a 50% no último ano, qual o objetivo para 2022? Existe algum valor definido?

Para 2022, renovamos o desejo do primeiro dia  de atividade da Zome. Queremos continuar a crescer, apostando na tecnologia e na formação como promotores da melhor experiência possível, tanto para os nossos consultores como para os nossos clientes. Tal como no primeiro dia, queremos continuar a crescer, de forma sustentada, expandindo a nossa presença no mercado português e além-fronteiras. A meta para 2022 é superar os 50 hubs, os 31 milhões de euros de faturação e os 2.000 colaboradores.

Pensam aumentar o número de hubs em 2022?

Desde que fundámos a empresa, em 2019, a presença no mercado tem sido crescente, e acreditamos que esta expansão tem acontecido de forma orgânica e equilibrada, como sempre projetámos para o futuro da Zome. A consolidação da internacionalização é um dos nossos objetivos estratégicos para que possamos depois avaliar outros mercados no futuro.

Nos primeiros três meses deste ano, a Zome assistiu à abertura de 11 novos hubs imobiliários em território nacional, o que representa um crescimento de cerca de 50% na rede de unidades de negócios quando comparado com o período homólogo, com destaque para a estreia fora de Portugal Continental, na Madeira e Açores. Atualmente, temos uma equipa de cerca de 1.500 colaboradores, repartidos por 34 hubs ibéricos, 32 em Portugal e dois em Espanha.  No início deste ano, em janeiro, reforçámos a nossa equipa com a contratação de Bruno Maruta, como novo diretor de expansão da Zome, o que reflete  os nossos objetivos ambiciosos de expansão.

Para 2022, o nosso objetivo é duplicar o número de hubs em Portugal e crescer em várias cidades de Espanha, conseguindo chegar às 50 unidades até ao final do ano.

Como olham atualmente para o sector imobiliário em Portugal?

Este é um dos setores que tem provado maior resiliência, apesar do impacto da pandemia. Tem conseguido adaptar-se e manter o dinamismo dos últimos anos, respondendo  às necessidades e novas exigências dos consumidores e, dessa forma, tem sido fundamental para a recuperação da economia.

O setor imobiliário está muito dinâmico, e continua a ter espaço para se desenvolver, e evoluir, principalmente se souber tirar partido da tecnologia para melhorar resultados. É com esta visão que trabalhamos todos os dias, para desenvolver as melhores soluções e promover a profissionalização e credibilização do setor, pois só assim será possível responder aos desafios do futuro que conhecemos, e prepararmo-nos da melhor forma para os que estão por vir.

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