A oposição venezuelana ao regime de Nicolás Maduro tem vindo a dar mostras de algum desacerto nos tempos mais recentes. O último caso deu-se já esta semana, quando o empresário Lorenzo Mendoza deu mostras de colocar a hipótese de organizar uma candidatura de oposição à de Nicolás Maduro – que, tudo indica, deverá avançar para um segundo mandato.

Foi com alguma surpresa que a disponibilidade de Mondoza foi recebida com frieza e até com algum azedume por parte de Henrique Capriles – candidato da oposição em 2013, que conseguiu agregar 49,12% dos votos, apenas um pouco menos que o vitorioso Maduro (50,61%).

Quando as intenções de Mendoza foram conhecidas, Henrique Capriles afirmou publicamente que “se o estão [a Mendoza] a auscultar, não é com certeza com boas intenções”. E disse ainda, citado por vários jornais venezuelanos, que “é absolutamente válido nesta situação de crise que alguém com vocação pela defesa do país possa avançar; mas é preciso perceber que dirigir um país não é o mesmo que dirigir uma empresa”.

De algum modo, disseram de imediato alguns comentadores, Henrique Capriles parece guardar para si em exclusivo a qualidade de candidato presidencial da oposição – o que pode não ser aceite de bom grado por todas as forças que estão envolvidas na Mesa de Unidade Democrática (MUD).

A questão das presidenciais está novamente em cima da mesa, dado que as eleições municipais que se realizaram no passado fim-de-semana serviam como uma espécie de teste à capacidade de o regime de Nicolás Maduro manter o país sob a sua influência. Os resultados – que foram de clara vitória dos candidatos do governo – são auspiciosos para os socialistas.

Ao contrário, e já de desde antes das eleições municipais, a oposição parece estar à deriva. Desde logo porque vários dos seus principais dirigentes tiveram que se refugiar no estrangeiro, deixando uma espécie de terra de ninguém que alguns, aparentemente, querem ocupar.

E depois porque alguns políticos da oposição passaram-se recentemente para as hostes do governo, deixando um sentimento amargo junto da oposição. De qualquer modo, as eleições ainda não estão marcadas – em 2013, realizaram-se em abril.

Lorenzo Alejandro Mendoza Giménez (Caracas, 5 de outubro de 1965), é um dos homens mais ricos do país, com uma fortuna avaliada em 2,7 mil milhões de dólares. Engenheiro industrial e empresário, presidente da Empresas Polar, é um dos principais produtores de bebidas e alimentos da Venezuela. Graduado numa universidade norte-americana e com uma especialização no MIT, Mendoza, desde que assumiu a presidência do grupo, focou-se no seu crescimento. Atualmente gera mais de seis mil milhões de dólares de volume de negócios, assegura milhares de empregos e estende os seus interesses para a banca, hipermercados, petroquímica e petróleo. É considerado um patrão exemplar, que fornece benefícios aos seus colaboradores bem acima do que é costume na Venezuela.