Presidente cessante da ANMP aponta regionalização como caminho a seguir

O presidente cessante da ANMP adiantou que a regionalização “é o passo lógico seguinte se queremos combater as desigualdades territoriais, a desertificação do interior, a pressão populacional nas áreas metropolitanas, a baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população portuguesa”.

O presidente cessante da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado, intervém durante a sessão de abertura do Início do XXV Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses, em Aveiro, 11 de dezembro de 2021. PAULO NOVAIS/LUSA

O presidente cessante da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) disse hoje que a descentralização de competências foi a reforma mais profunda do Estado das últimas décadas e apontou a regionalização como o caminho a seguir.

“Avançámos para a descentralização, que não sendo perfeita, é mesma a maior e mais profunda reforma do Estado das últimas décadas”, disse Manuel Machado, na sessão de abertura do XXV Congresso da ANMP, que decorre hoje e domingo em Aveiro, em que participou o primeiro-ministro, António Costa.

O ex-presidente da Câmara de Coimbra considerou que a descentralização, cujo processo tem de estar concluído até 01 de abril, “é um passo fundamental para prestar melhores serviços às populações, fortalecendo o papel do Estado em todo o território”.

“Esta transferência de competências não pode meter medo a ninguém. As 22 áreas que foram contratualizadas são sérias e os municípios e os autarcas têm provas dadas que fazem com probidade, seriedade, transparência e dedicação a sua concretização”, referiu.

“Não tenhamos medo, este é o caminho que, em caso algum, não pode desresponsabilizar o poder central das suas obrigações relativamente às funções sociais do Estado”, enfatizou.

Dirigindo-se ao primeiro-ministro, que encerrou a sessão de abertura, Manuel Machado disse que é “imprescindível” avançar para um novo regime de financiamento autárquico e um modelo permanente de monitorização da descentralização.

O presidente cessante da ANMP adiantou que a regionalização “é o passo lógico seguinte se queremos combater as desigualdades territoriais, a desertificação do interior, a pressão populacional nas áreas metropolitanas, a baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população portuguesa”.

“É preciso reorganizar o Estado! É urgente mudar o paradigma do modelo centralista do país”, frisou Manuel Machado, salientando que as regiões político-administrativas “significam mais coesão territorial e menos assimetrias, sendo um fator essencial de democratização, de reforço da cidadania e de aproximação do poder às populações”.

O ex-autarca disse ainda que, apesar do caminho percorrido, Portugal continua a ser um dos países mais centralizados da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Na sua intervenção, Manuel Machado alertou ainda para a necessidade de se “resistir aos populismos e garantir que as autarquias continuam a conseguir atrair para a causa pública os melhores”.

“Isso só acontece se a remuneração for mais justa e deixar mesmo de ser o parente pobre da classe política, como é hoje”, considerou.

O socialista Manuel Machado, que participou no congresso fundador da ANMP, em 1984, na Figueira da Foz, deixa o cargo ao fim de dois mandatos, depois de ter sido eleito nos congressos de Santarém (2013) e Portimão (2017).

O XXV Congresso da ANMP realiza-se no fim de semana, no Parque de Exposições e Feiras de Aveiro, com a participação de cerca de um milhar de congressistas, em representação de praticamente todos os municípios portugueses.

Está previsto que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, encerre os trabalhos no domingo ao final da tarde.

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