Presidente da APED vê preços com “espaço para aumentar” face a escalada de custos

Gonçalo Lobo Xavier defende que os retalhistas nem têm repercutido o aumento dos custos na sua totalidade, até pela concorrência do sector, mas projeta que a inflação continue. Quanto ao imposto sobre lucros extraordinários, o presidente da APED lamenta a falta de diálogo do Governo.

O diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), Gonçalo Lobo Xavier | Foto: Manuel de Almeida/Lusa

O presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) projeta que os preços ainda irão subir mais em Portugal, visto que o mesmo sucede com os custos das empresas, e garante que as empresas que representa têm encolhido margens, apontando o dedo à decisão do Governo de taxar lucros inesperados.

Em entrevista conjunta à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, Gonçalo Lobo Xavier defendeu que “os preços ainda têm espaço para aumentar”, dado que “a escalada do aumento dos custos de produção não acabou e está longe” de vir a acabar. Assim, vários sectores irão continuar a subir preços, mas o presidente da APED garantiu que continuará a fazer esforços para minimizar o impacto nos consumidores.

Ainda assim, verifica-se uma “alteração de comportamento” do consumidor, com uma redução de 10% a 15% nos gastos e “uma menor fidelidade a determinado retalhista”, com os portugueses a procurarem cada vez mais promoções. Estas, de resto, representam 50% dos produtos no segmento alimentar e a tendência é para este número crescer.

Como tal, Lobo Xavier argumenta que “ninguém está a beneficiar” das disrupções na economia global e nas cadeias de valor, acusando o Governo de não ter feito as contas quanto à taxação dos lucros extraordinários. Mais, o presidente da APED revela que o Executivo não falou com as empresas do sector, sugerindo que a medida tenha sido tomada por razões políticas.

“Fizemos todo o trabalho técnico que nos foi pedido e de boa-ajuda, [onde] tivemos oportunidade de explicar que o aumento dos preços estava a ser muito mitigado pelos retalhistas, desde logo pela concorrência que existe, porque não estávamos a repercutir para o preço final o aumento nos custos de produção”, explicou.

Quanto à possibilidade de uma redução do IVA, a APED tinha essa expectativa e colaborou com o Governo sobre essa possibilidade, mas “uns dias antes” da apresentação do pacote de medidas de apoio às famílias a ideia caiu.

“Admito que tenham feito contas e não estivessem disponíveis para abdicar de uma receita fiscal que até agora tem sido muito importante para o Governo”, acrescentou.

Recomendadas

ORES Portugal compra três hipermercados por 26,2 milhões que alugará ao Continente (com áudio)

Os três ativos imobiliários são objeto de contratos de arrendamento de longa duração com o Continente, do grupo Sonae, segundo um comunicado da SIGI do Bankinter e da Sonae Sierra.

Minipreço diz que lança o primeiro saco de plástico que protege os oceanos, mas é virtual

A cadeia de supermercados Minipreço, no sentido de alertar para a imprescindibilidade de reduzir o consumo de plástico, nomeadamente sacos e descartáveis, diz que foi criado “um saco de plástico virtual que, ao invés de prejudicar a natureza, auxilia na sua preservação através de donativos”.

Oney estabelece parceria para novo cartão de crédito Ikea Family em Portugal

O Ikea já tem um cartão de crédito e é do Oney Bank. “Fruto desta parceria passa a ser possível aderir ao novo cartão de crédito Ikea Family disponibilizado pelo Oney, com diversas modalidades de pagamentos que permitem uma melhor gestão do orçamento familiar, bem como o acesso a promoções e a outros benefícios do programa de fidelização”, diz a empresa.
Comentários