Presidente da Assembleia da Madeira alerta para “completa desregulação” do mercado da informação

O presidente da Assembleia Regional disse que o jornalismo de referência vive na “amargura de uma profunda crise financeira”, reforçando que se “não for mais apoiado” pelos Estados e pelos Governos, corre-se “sérios riscos de ameaças à democracia”.

O presidente da Assembleia da Madeira, José Manuel Rodrigues, alertou para a completa desregulação do mercado da informação, salientando que o jornalismo de referência vive na “amargura de uma profunda crise financeira”, reforçando que se “não for mais apoiado” pelos Estados e pelos Governos, corre-se “sérios riscos de ameaças à democracia”.

José Manuel Rodrigues disse que a democracia e a liberdade “têm custos” e um deles é o de “assegurar uma informação de qualidade, imparcial, que reflita a realidade e procure informar e formar as pessoas para a construção de sociedades que cultivem os valores e as regras que garantam o funcionamento do Estado de Direito e assegurem as Liberdades e as Garantias dos cidadãos”.

O presidente da Assembleia Regional considerou “absolutamente crucial apostar” na literacia mediática de todas as gerações.

“Os cidadãos devem ter a formação e as ferramentas necessárias para distinguir a verdade da mentira e a informação da propaganda”, acrescentou José Manuel Rodrigues.

O presidente da Assembleia Regional disse que o projeto sobre literacia dos media, desenvolvido pela Associação Literacia para os Media e Jornalismo, em parceria com a Assembleia da Madeira, o “enche de satisfação e orgulha o Parlamento da Madeira, por ser inovador e pioneiro no plano nacional, mas sobretudo porque estamos a prestar um serviço público e a cumprir um dos nossos deveres, que é aproximar os eleitos dos eleitores”.

José Manuel Rodrigues lembrou que “os estudos que demonstram que as pessoas mais jovens são mais desconfiadas, mais céticas, em relação às informações que lhes chegam e daí que procurem aceder a fontes mais credíveis. Por seu lado, os mais velhos têm uma tendência para acreditar à primeira no que leem, ouvem ou veem, não duvidando da informação que recebem, por mais absurda e até invulgar que seja, e têm mais dificuldade em aceder a fontes alternativas e credíveis para saber da sua veracidade”.

A presidente da Associação Literacia para os Media e Jornalismo, Sofia Branco, salientou que o projeto sobre a literacia dos media, surgiu no congresso de Jornalistas, em 2017, com o objetivo de tornar o “jornalismo mais forte e constituir-se como um desígnio democrático, através da capacitação das pessoas para conseguirem distinguir o que é informação do que não é informação”.

O projeto tem estabelecido parcerias no Continente e nos Açores, chegando à área educativa, através da Direção Geral de Educação e com a Secretaria Regional de Educação dos Açores. A expetativa é que essa formação possa chegar à Madeira. “É uma experiência mais formal, mas os professores são as pessoas que mais passam tempo com as nossas crianças. Era muito importante que estivessem capacitados para se moverem neste mundo da desinformação e para conseguirem explicar o melhor possível aos seus alunos a atenção que devem ter e o que podem consumir”.

Já o formador e membro da Associação Literacia para os Media e Jornalismo, na Madeira, António Macedo Ferreira, destacou o caráter “inovador” do projeto, que trouxe para debate, junto das “pessoas mais velhas, as questões das fake news e da literacia para os media e jornalismo. Nesta faixa etária são mais utilizadores do Facebook. As pessoas tinham a noção que nem tudo o que viam nas redes eram factos verdadeiros, mas no fundo o que precisavam era de serem alertadas de como é que podiam conferir a veracidade desses factos”.

O projeto “Literacia para os Media e Jornalismo nas Universidades Sénior – Madeira 2022” traduziu-se em ações de formação nas Universidades Sénior de Funchal -Santa Maria Maior, Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, U. S. Funchal, Machico, Câmara de Lobos, São Vicente e Porto Santo. Envolveu cerca de uma centena de formandos acima dos 55 anos.

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