Presidente da Fundação BNP Paribas: “A filantropia é uma forma de inovação”

O impacto produzido pelo confinamento e a guerra na Ucrânia deram um novo significado à responsabilidade das empresas, diz Isabelle Giordano.

DDM FREDERIC CHARMEUX – ISABELLE GIORDANO ( DELEGUEE GENERALE DE LA FONDATION BNP PARIBAS ) A TOULOUSE DANS LE CADRE DU PROJET ( NATIONAL ) BANLIEUES POUR SOUTENIR UNE ASSOCIATION LOCALE DANS SES INITIATIVES / L’ ASSOCIATION DIAM ( DES IMAGES AUX MOTS ) SOUTIEN LES DROITS LGBTQI+ A TRAVERS LE CINEMA

Antiga jornalista ligada à área da cultura, autora de documentários e editora de livros, essencialmente na área do cinema, Isabelle Giordano também se destaca como defensora dos direitos humanos e da responsabilidade social, focada na igualdade de oportunidades. Lidera a Fundação BNP Paribas, uma das mais destacadas instituições europeias em filantropia corporativa, desde janeiro de 2021. Esteve recentemente em Portugal, numa das raríssimas visitas da Fundação ao nosso país.

Numa época de grande incerteza económica, que papel pode desempenhar a filantropia para uma sociedade mais justa?

Em 2021, as pessoas aperceberam-se que a crise da Covid-19 não tinha acabado com o confinamento. As consequências da pandemia continuaram a fazer sentir-se todos os dias, e entre os mais duramente atingidos estiveram os jovens, as mulheres e as pessoas que enfrentavam uma maior insegurança. A filantropia representa, na minha opinião, uma alavanca para ajudar estas populações. Gosto de citar Antoine Sire, Head of Company Engagement no BNP Paribas. Para ele, a filantropia é uma alavanca e um acelerador de mudança, serve para tornar o impossível possível. Tem de ser capaz de assumir riscos, que é a definição de inovação. E a filantropia é uma forma de inovação.

Qual tem sido o principal trabalho realizado pela Fundação BNP Paribas e como tem contribuído para que as empresas se interessem por projetos de filantropia empresarial?

A Fundação BNP Paribas é o mais antigo ator e especialista em filantropia empresarial, fundada há trinta e oito anos, e um dos mais poderosos atualmente, com um orçamento de 53 milhões de euros, dedicado à solidariedade (76%), Cultura (13%) e Ambiente (11%). A Fundação sempre foi identificada como um parceiro reconhecido, orientado por dois objetivos fortes: inovação e desafios sociais, que favorecem projetos de impacto dedicados à solidariedade, ao ambiente e às artes.

Quais são as principais diferenças na implementação do trabalho da Fundação BNP Paribas nos diferentes países onde opera? 

Onde quer que o banco esteja presente, a Fundação BNP Paribas lidera e coordena o desenvolvimento internacional da filantropia do grupo através das oito fundações do BNP Paribas no estrangeiro – Alemanha, Bélgica, Brasil, Índia, Itália, Marrocos, Polónia e Suíça – e do seu fundo de doações (Rescue & Recovery Fund). Apoia artistas de jazz e dança, bem como instituições culturais em todo o mundo; programas de investigação sobre alterações climáticas e biodiversidade; associações e ONGs sociais, humanitárias e ambientais ou programas educacionais para populações desfavorecidas e colaboradores do BNP Paribas que se voluntariam para associações.

O que destaca em Portugal como país destinatário? 

Em Portugal, a Fundação BNP Paribas combate as várias formas de exclusão, nomeadamente em bairros desfavorecidos, e apoia programas de promoção de inclusão social e educação através do Dream Up e de projetos de Apoio aos Refugiados. O grupo quer ir mais além no impacto positivo na sociedade portuguesa.

Falemos dos projetos. O que está a ser impulsionado?

O projeto Dream Up promove a inclusão social dos jovens através da prática artística. Lançado em 2015, foi desenvolvido tendo em vista a inclusão social de crianças e jovens através da aprendizagem e prática regular de atividades de expressão artística. Desde 2021 que a fundação apoia o projeto: Iminente Bairros: Oficinas Artísticas Comunitárias, por um período de três anos. Estou bastante orgulhosa que o Dream Up e o Iminente estejam ligados ao talentoso artista Vhils.

O segundo projeto no âmbito do programa fundamental da Fundação BNP Paribas é: Apoiar a integração dos refugiados: promover o talento e competências dos refugiados e migrantes durante os anos 2022 até 2024, oferecendo-lhes acesso à educação, aulas de línguas e formação profissional. Em Portugal, para a sua primeira edição, a Fundação BNP Paribas apoia a Associação JRS (Serviço Jesuíta para os Refugiados).

Que resultados apresentam esses projetos e quais as metas a atingir? 

Em Portugal, o objetivo é atingir anualmente 240 crianças e adolescentes de quatro distritos de Lisboa afetados por vulnerabilidades sociais e económicas. Além disso, os “Open Days”, onde estes jovens artistas apresentam o seu trabalho à comunidade impactam mais 1.000 participantes adicionais. Este ano, a arte produzida nos workshops foi destacada e homenageada na última edição do Festival Iminente, em setembro. Através do programa Talents and Skills Academy, o BNP Paribas Portugal e a Associação JRS querem contribuir para a integração de 75 pessoas deslocadas todos os anos, até às 225 pessoas em apenas três anos, no mercado de trabalho português através de iniciativas concretas de combate à exclusão social.

Este projeto já conta com cerca de 60 horas de voluntariado dos trabalhadores voluntários do BNP Paribas, acrescentando valor ao projeto ao partilharem a sua experiência e ao contribuírem para integrar o Banco no mercado de trabalho português. Mais de 50 candidaturas para ofertas de emprego do BNP Paribas de participantes envolvidos neste projeto. Dessas candidaturas, foram contratados 5 dos participantes e mais de 30 processos de recrutamento estão em análise.

Quais os vosso resultados no mundo?

A Fundação BNP Paribas proporcionou a mais de 50.000 crianças e jovens em 30 países de todo o mundo o acesso à aprendizagem de artes performativas e visuais, tais como a música, canto, dança e expressão formal através do programa educativo Dream Up.

Quais são os projectos e planos da Fundação para 2023 para o grupo e para Portugal?

São numerosos. Desenvolver a nova entidade, “transmissão cultural”, que é a ponte entre a solidariedade e a cultura. Não podemos pensar em cultura sem acesso à cultura. Não deve haver um jovem sem acesso ao conhecimento ou à cultura.

Existem outros projetos que me são particularmente próximos, como a promoção da integração dos refugiados na Europa, o apoio a associações locais em áreas prioritárias da política urbana, em França, mas também o apoio na investigação das alterações climáticas e a erosão da biodiversidade através da iniciativa Internacional Clima & Biodiversidade do BNP Paribas. Esta iniciativa conta com um orçamento total de 6 milhões de euros, durante um período de três anos, para financiar e avançar projetos, entre 5 e 9, e os vencedores desta nova edição vão ser anunciados no final do ano. Para Portugal, os planos para 2023 são de continuar os projetos em curso, o Dream Up e os programas de apoio à integração de refugiados.

Qual tem sido o papel da Fundação BNP Paribas no despertar do interesse na área da cultura, da arte, do ambiente e, em geral, da sustentabilidade? Qual o montante investido em cada área? 

Em 2021, do orçamento total das iniciativas de filantropia empresarial (53 milhões de euros), dedicou-se 10,94 milhões de euros à Fundação BNP Paribas e para fundações e fundos de doação fora de França, com o foco em programas ao serviço do interesse público em solidariedade (50%), ambiente (30%) e cultura (20%).

É importante realçar a importância na escolha destas três áreas como escolhas pioneiras. A Fundação foi uma das primeiras a patrocinar a dança contemporânea, a apoiar a biodiversidade, que, há dez anos, era menos Classification : Internal conhecida que as alterações climáticas. As escolhas de inovações educativas e sociais também foram bastante ousadas, como o apoio dado à Afev há 20 anos ou ter esta base mundial é uma verdadeira força do programa Dream Up que existe em 30 países europeus.

Há novas e urgentes necessidades a exigir ação imediata por parte das empresas? 

O impacto produzido pelo confinamento e a guerra na Ucrânia deram um novo significado à responsabilidade das empresas, revelando a plena influência da filantropia empresarial. Há um impacto devastador sobre os mais vulneráveis – particularmente os jovens, as mulheres de origens desfavorecidas e os refugiados. É importante reconhecer os enormes esforços das nossas associações parceiras, que demonstraram uma elevada capacidade de responder rapidamente, de abordar questões colossais, de curar, de formar, de prestar cuidados, de proteger e de educar.

Tendo um passado muito rico na área da cultura e da comunicação, como analisa a realidade cultural do mundo, dado que a tecnologia tem crescido exponencialmente? 

Acredito que a tecnologia pode ser um vetor da cultura. A Dansathon é um grande exemplo. Iniciada e apoiada pela Fundação BNP Paribas, este evento é um encontro entre a Dança e a Hackathon. É um evento artístico internacional e conectado, que visa reunir equipas multidisciplinares, durante três dias, para imaginar o futuro da dança combinando-o com as novas tecnologias.

 

Esta entrevista integral a Isabelle Giordano complementa a versão curta publicado na edição de 19 de novembro do semanário NOVO

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