Presidente da Spain Startup: “Admiro muito o trabalho que estão a fazer na inovação em Portugal”

Depois do Brasil e de Madrid, a South Summit faz as malas para Bilbao, onde vai receber startups e investidores entre os dias 10 e 11 de novembro. María Benjumea conta ao Jornal Económico que encontrou o Presidente Marcelo em Salamanca e deu-lhe os parabéns pelo compromisso nacional com o empreendedorismo.

A segunda South Summit do ano acabou, mas não há duas sem três. A cimeira de empreendedorismo, originalmente espanhola, completou uma década e tem agora como objetivo incluir cada vez mais startups e scaleu-us portuguesas. Entusiasta do potencial da inovação na Península Ibérica, María Benjumea, fundadora e presidente da Spain Startup, conta ao Jornal Económico (JE) como o ecossistema se alterou numa década e a palavra a reter é colaboração.

A South Summit, que em Espanha reúne mais de 20 mil participantes, tem neste momento três edições anuais: a do Brasil (4-6 de maio), a de Madrid (8-10 de junho) e a de Bilbao, que vai realizar-se entre os dias 10 e 11 de novembro de 2022.

Em Madrid, as startups portuguesas Kit-Ar e Eva estiveram entre os 100 finalistas do concurso da South Summit, mas outras estiveram também presentes no La Nave, com o apoio da Startup Portugal, entre as quais a Tonic App, a AgriMarketplace, a The Equal Food, a Infinite Foundry, a CBR Genomics, a Emot.ai, a Reatia, a Spotlite, a Loqr ou a Virtuleap. “O proceso de seleção das startups na competição é muito profissional”, diz ao JE a promotora do evento sobre a competição.

Desde 2012, qual foi a maior mudança que sentiu no ecossistema, tendo em conta que a South Summit arrancou pouco depois da crise financeira?

A transformação de Espanha e de Portugal nestes anos, de 2012 a 2022, foi grande. Desde o primeiro momento que percebemos que a crise, como todas, seria cíclica. Ia ser aterrorizante, mas iria passar. O que estava para vir era uma mudança de dimensões especiais: o mundo já andava a uma velocidade incrível e tanto as pessoas como as organizações teriam de adaptar a sua maneira de fazer, num mundo que se moveria ainda mais rápido.

O número de oportunidades que poderíamos ter ao nosso alcance era enorme. Por outro lado, o que vimos também é que a palavra-chave que tínhamos aqui para algo que passa tão rápido era inovação. Uma startup é pura inovação, um empreendedor inovador com mentalidade global e uma equipa altamente qualificada.

Precisávamos de transformar rapidamente todo o nosso tecido empresarial, para o qual a inovação foi fundamental, precisávamos de procurar startups em todos os sectores. As startups da época, o pouco que se ouvia falar delas, eram fundamentalmente projetos ligados à internet e à web. Dissemos que não: tínhamos que procurá-las em todas as indústrias.

Além disso, as corporate, as empresas tradicionais, precisavam se tornar atores fundamentais do ecossistema. Não era apenas um problema das startups. Quanto a essas, as que estavam ligadas à internet, reuniam-se com investidores para injeções de capital ou serem vendidas e pronto. O mais importante foi a conexão, conectamos todos esses players.

Hoje há garantidamente maior conexão entre os incumbentes e os inovadores?

Não tem nada que ver. Lembro-me de que em 2012 e 2013, as empresas em Espanha quase não compravam startups. Pergunta-me: não tinham interesse? Nem pensavam nisso, porque não consideravam que pudessem ajudar a gerar emprego e tinham que sair da crise. Aconselho as startups: façam valer a pena, trabalhem com elas, mostrem-lhes o quão interessante são para o seu negócio e verão como tudo leva a um caminho. Gostei muito, desde o início, de ver que íamos trabalhar contra a Depressão, abrir as mentes e acreditar que um outro mundo chegaria.

É uma ideia que partilha em relação a Portugal?

Admiro muito o trabalho que vocês estão a fazer em Portugal, o trabalho que o Presidente e todo o Governo fizeram. Lembro-me de num encontro com o rei da Espanha em Salamanca, veio o vosso Presidente e eu fui cumprimentá-lo e dizer: quero congratulá-lo pelo trabalho de transformação que está a fazer, pelo compromisso com o ecossistema. Com um sorriso de orelha a orelha e a maior satisfação, agradece e diz-me que tudo partiu de uma ideia de um anterior secretário de Estado, de outro Governo, e que tinham de colocar toda a energia nesse plano para fazê-lo funcionar. É de notar a transformação que fizeram como país, trouxeram a Web Summit… De cima [liderança] tem havido um compromisso para melhorar o ecossistema. Em Espanha, nestes dez anos, os primeiros oito anos e meio foram de baixo para cima.

Mas não existe uma ‘Ley de Startups’ como em Espanha… É uma regulação aguardada pelo sector?

Estamos muito felizes com esse projeto de lei. Faltam algumas coisas, mas acho que o próprio governo [espanhol] sabe disso e agora o importante é trabalhar com os diferentes partidos para que a parte da consideração dos empreendedores seja uma realidade dentro da regulamentação. No momento em que isso acontecer, vamos realmente ter um regulamento que vai impulsionar tudo muito mais. E há mais uma boa notícia: a criação do fundo Next Tech, que mobilizará 4 mil milhões de euros em capital público-privado). É uma quantia muito significativa que vai de facto apostar nas scale-ups.

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