Presidente de Cabo Verde diz que ilha Brava precisa de condições para “verdadeira restauração”

“É uma ilha que necessita de ser restaurada e para isso é necessário que algumas dimensões fossem tomadas em conta para os poderes públicos”, disse Jorge Carlos Fonseca.

O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, considera que a ilha Brava necessita de condições para uma “verdadeira restauração”, de forma “a não se mergulhar simplesmente em falar das suas potencialidades”.

O chefe de Estado cabo-verdiano fez estas declarações à imprensa, no âmbito de uma visita à ilha, e afirmou que esta tem “muitas potencialidades, sim”, mas que merece uma “atenção e um olhar diferente” por parte dos poderes públicos.

“É uma ilha que necessita de ser restaurada e para isso é necessário que algumas dimensões fossem tomadas em conta para os poderes públicos”, disse Jorge Carlos Fonseca, acrescentando que é uma ilha que ainda sofre com a diminuição da população, o que considera um fenómeno “preocupante”.

O presidente ressaltou ainda que é uma ilha com “potencialidades grandes” para um turismo rural, de habitação ou mesmo de saúde, mas que possui condicionantes que se não forem superadas, a ideia de desenvolvimento pode ficar “frustrada”.

Brava, continuou, é uma ilha que merece “um olhar mais atento” dos poderes públicos, para que possa ser “estancado o problema da diminuição da população”, mas também que sejam criadas condições a nível da saúde, dos transportes e de acesso à água, de maneira que se é uma ilha que possui condições para turismo, que este tenha condições de realização e que não fique numa “mera quimera”.

Entretanto, reconheceu que, por ser da ilha e conhecê-la bem, “houve algumas melhorias”, nomeadamente na questão dos transportes marítimos, porque hoje “há uma previsibilidade e regularidade”, mas não descarta a possibilidade do sector ser melhorado.

Até porque, continuou, destacando opiniões de terceiros, exemplificou que há quem pense que no futuro poderia ter ligações Brava/Fogo e vice-versa em embarcações mais pequenas, com outro tipo de condições, sem se esquecer do sonho de ter um aeroporto. “O que a população não sabe se é a longo ou médio prazo, se é ou não possível”, sintetizou.

Além dos transportes, uma área que Jorge Carlos Fonseca chama atenção dos poderes públicos, é na questão da saúde que, ressaltou, em que exige “investimentos e um olhar atencioso”.

Jorge Carlos Fonseca elucidou que, neste sector, na Delegacia de Saúde, os laboratórios “praticamente não têm materiais”, há alguns equipamentos que “estão avariados há já muito tempo”, mesmo apresentando algumas mais-valias, como a telemedicina e vinda com alguma regularidade de especialistas, entre outros.

“De um lado falamos sempre em discriminação positiva, por ser uma ilha com menos pessoas, com menos potencialidades, para poder competir com outras ilhas”, declarou Jorge Carlos Fonseca, mas o facto de Brava se tratar uma pequena ilha e um município/ilha, continuou, ela possui “vulnerabilidades especiais”, o que exige “um olhar e políticas mais cívicas” direcionadas para a ilha.

O chefe de Estado de Cabo Verde continua a sua visita hoje a diversas localidades e no final do dia está agendado o lançamento do livro “Cabo Verde, Nós Bilida d´Odju”, de José Pereira, seguida da exposição de fotografias “Os Bravas”, do mesmo autor e fotógrafo.

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