Presidente do CFP: “não é de excluir uma recessão” no próximo ano

A presidente do Conselho de Finanças Públicas está também preocupada “com a capacidade das famílias em suportarem o custo da habitação”, que está a subir por causa da escalada dos juros.

Nazaré Costa Cabral disse que “não é de excluir uma recessão em Portugal” tendo em conta um cenário externo que se está a formar. Portanto a previsão de crescimento do PIB em 1,2% para 2023 “é com base num cenário prudente tendo em conta a informação que dispomos”. Mas, diz, “a realidade é dinâmica e a situação pode de facto deteriorar-se”.

No relatório é admitida uma recessão em 2023 nos principais parceiros comerciais. Mas é também aventado o risco de contágio à economia portuguesa.

“À semelhança do relatório anterior, o atual cenário macroeconómico projetado em políticas invariantes é pautado por um elevado grau de incerteza, com os riscos a serem predominantemente de natureza externa, e a penderem de forma descendente para o crescimento da atividade económica e ascendente quanto à inflação. Não poderá ser
descartada uma eventual interrupção completa do fornecimento de bens energéticos por parte da Rússia à Europa, o que se traduziria num aumento das pressões inflacionistas e penalizaria o crescimento real da economia portuguesa e dos seus principais parceiros”, lê-se na nota.

O ambiente de elevada incerteza, as fortes pressões inflacionistas nos produtos energéticos e a possibilidade de recessão nos principais parceiros comerciais de Portugal “constituem também riscos descendentes significativos para as exportações de bens e serviços, e nomeadamente para o sector do turismo”.

A presidente do Conselho de Finanças Públicas está também preocupada “com a capacidade das famílias em suportarem o custo da habitação”, que está a subir por causa da escalada dos juros.

“As famílias estão muito endividadas, há muitas que têm uma taxa de esforço financeiro muito significativa e, portanto, se houver perda de poder de compra associado à subida dos custos com a habitação pode gerar um efeito multiplicador no sector imobiliário, pode trazer problemas para o sector bancário, portanto em última análise é toda a economia que pode ser afetada.

“Devia ver-se o que se está a passar em termos de atualizações salariais nos outros países europeus, por razões de competitividade da economia”, disse Nazaré Costa Cabral.

Em suma, a presidente do CFP antevê “um processo negocial complicado em termos de subida dos salários do sector público, mas também do privado”.

Há custos de não haver alinhamento dos salários à inflação, constatou.

(em atualização)

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