Presidente do Chile promete novo processo constituinte após ‘não’ em referendo

O chefe do Estado confirmou que convocou os líderes do Congresso e representantes da sociedade civil para uma reunião, hoje, na residência presidencial, La Moneda.

epa06396175 Supporters of former Chilean president and conservative candidate for ‘Chile Vamos’, Sebastian Pinera (not pictured), wait for results in Santiago, Chile, 17 December 2017. Pinera is the projected winner as 14.3 million Chileans cast their votes in the second round of the presidential election choosing between conservative candidate Sebastian Pinera and progressive Alejandro Guillier. EPA/Elvis Gonzalez

O Presidente chileno, Gabriel Boric, prometeu lançar de forma acelerada um novo processo constituinte, após um referendo ter rejeitado, com uma margem de quase 12 pontos percentuais, a nova Constituição do país.

Numa intervenção na televisão pública, no domingo, Boric apelou ainda a todos os chilenos para que “se debruçam em conjunto e unidos na construção do futuro”.

O chefe do Estado confirmou que convocou os líderes do Congresso e representantes da sociedade civil para uma reunião, hoje, na residência presidencial, La Moneda.

“Quando agimos em unidade é quando realçamos o melhor de nós mesmos”, disse Boric.

“Estou empenhado em fazer tudo da minha parte para construir, juntamente com o Congresso e a sociedade civil, um novo caminho constituinte”, disse o Presidente.

“O povo do Chile falou e fê-lo de uma forma clara e forte”, acrescentou Boric.

Com cerca de 96% dos votos contados, o ‘não’ ganhou por quase 12 pontos, obtendo 61,9% contra 38,1% do ‘sim’. O referendo obrigatório, em que participou cerca de 70% da população, originou uma forte afluência às urnas, com longas filas nos postos de voto.

O ‘não’ venceu em todas as 16 regiões do país, incluindo a que alberga a capital e a região costeira de Valparaíso, tendo mesmo obtido mais de 70% em várias regiões do centro-sul do Chile. O ‘sim’ só venceu entre as comunidades chilenas no estrangeiro.

“Hoje estamos a consolidar uma grande maioria de chilenos que viram a rejeição como um caminho de esperança”, disse Carlos Salinas, porta-voz da campanha contra a nova Constituição.

“Queremos dizer ao governo do Presidente Gabriel Boric (…) que hoje deve ser o presidente de todos os chilenos e juntos temos que seguir em frente,” acrescentou Salinas.

“Os chilenos exigiram uma nova oportunidade de nos encontrarmos e temos de estar à altura desta chamada”, sublinhou Boric.

Ainda antes do referendo, o Presidente já tinha anunciado que iria convocar um novo processo constitucional e que seria cumprido o mandato do referendo de outubro de 2020, no qual quase 80% dos chilenos pediram uma mudança constitucional.

Os porta-vozes da campanha a favor da nova Constituição já reconheceram a derrota, mas também se comprometeram a continuar a trabalhar na reforma constitucional, defendendo que a população quer abandonar o texto atual, herdada da ditadura (1973-1990).

“Foi um dia histórico que valorizamos muito porque fortalece a nossa democracia. Os cidadãos decidiram rejeitar o texto proposto pela convenção constitucional (…) reconhecemos o resultado e ouvimos com humildade”, disse Vlado Mirosevic.

Outra porta-voz, Karol Cariola, deputada do Partido Comunista, garantiu empenho “em gerar as condições necessárias para canalizar efetivamente a vontade popular e construir um caminho” para uma nova Constituição.

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