Presidente do Montepio Crédito diz que maior desafio das fintechs surge dos meios de pagamento

“Não será muito fácil a uma multinacional fintech em Portugal operar soluções de crédito para consumidores, uma vez que tem de preencher um conjunto de requisitos regulamentares que, do ponto de vista de desenvolvimento e análise do risco, são pesados”, defende Pedro Gouveia Alves.

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Cristina Bernardo

O presidente do Montepio Crédito considera que as fintechs são estruturas mais ágeis e céleres do que os bancos tradicionais, mas acredita que existem maiores oportunidades de complementaridade do que de concorrência entre as partes. Para Pedro Gouveia Alves, os desafios tecnológicos que são colocados aos incumbentes são cíclicos e não são recentes.

“Por exemplo, acontecerá com os adolescentes ou a Geração Z achar que tudo o que não estiver no smartphone não existe. Portanto, este é um desafio que, para a banca tradicional, é forte mas não é novo”, referiu esta quarta-feira, no debate subordinado ao tema “Os desafios das Fintech no contexto do mercado português”, promovido pelo Jornal Económico e pelo Montepio Crédito.

Pedro Gouveia Alves recorda quando, há 20 anos, com a emergência da internet, se falava da existência dos bancos online, que ‘atiçarram’ a banca tradicional. Os bancos começaram entretanto a desenvolver as suas soluções (banca telefónica, home banking, mobile banking…) e acabaram por ir fornecendo ao mercado serviços emergentes e universais, fidelizando a clientela.

Segundo o presidente do Montepio Crédito, o facto de a tecnologia estar cada vez mais disponível obriga as instituições ditas incumbentes a evoluir, até porque o comportamento dos clientes vai evoluindo. A seu ver, o maior desafio surge por via dos meios de pagamento, uma vez que estes sistemas têm permitido o desenvolvimento mais rápido de soluções alternativas.

“É curioso ver que, a nível mundial, os estudos apontam para fintechs que representaram, em termos de valor de mercado, cerca de 200 mil milhões de dólares e que existem aproximadamente 50 fintechs que são unicórnios [valem, pelo menos, mil milhões de dólares], e vemos que a esmagadora maioria desenvolve-se o âmbito dos meios e serviços de pagamento e menos em wealth management e lending techs, que disponibilizam crédito”, explicou, na quinta de seis conversas mensais do ciclo “30’ a 30”.

No que diz respeito ao crédito, o cenário complica-se para os novos operadores, porque o peso regulamentar da intermediação obriga a adaptação, experiência e conhecimento. Ou seja, questões relacionadas com o balanço das instituições, compliance, análise e estudo de risco, conforme exemplifica o presidente do Montepio Crédito.

Logo, Pedro Gouveia Alves esclarece que não deverá ser “muito fácil” a uma multinacional fintech em Portugal operar soluções de crédito para consumidores (pessoal, consumo, automóvel, habitação…). “Mais fácil será fazer uma parceria com quem está instalado no mercado e encontrar pontos de contacto e convergência entre modelos de negócio”, diz.

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