Presidente do SITEMA apela a criação de cluster aeronáutico e considera urgente construção de novo aeroporto

O dirigente sindical diz, ao Jornal Económico, ser urgente que Portugal deixe de ser apenas um país de meros serviços turísticos, para passar a “albergar e a oferecer indústrias com tecnologia de topo que permitam oferecer emprego qualificado, como é o caso da manutenção aeronáutica”.

O novo presidente do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA), Jorge Alves, eleito no início de novembro, considera urgente, em declarações ao Jornal Económico, a construção do novo aeroporto e que o futuro do sector passa pela criação de um cluster aeronáutico.

“É urgente para o sector da aeronáutica a construção do novo Aeroporto de Lisboa, em virtude da atual e persistente dificuldade em dar resposta satisfatória, eficaz e eficiente aos que do sector dependem, além do facto de se revelar extremamente difícil trabalhar em manutenção de aeronaves com todas as limitações que nos são impostas”, diz Jorge Alves, identificando mais outros desafios para o sector.

Entre os desafios para o sector está também a “impreterível” criação de condições de trabalho que “permitam reter” a mão-de-obra altamente especializada e qualificada e que consegue dar cartas em qualquer parte do mundo.

Outro desafio é a constante “evolução da indústria, com a introdução de novas tecnologias em aeronaves e sistemas, nomeadamente as aeronaves de propulsão elétrica”, acrescentando que caberá aos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (TMA) a “manutenção e certificação para o serviço destes novos sistemas, assim como, a participação, junto das entidades legislativas, na elaboração de novas regras”.

SITEMA diz que futuro passa por cluster aeronáutico

Já quanto ao futuro do sector, Jorge Alves entende que “passa necessariamente” pela criação de um cluster aeronáutico que “permita aproveitar as oportunidades proporcionadas pelo próprio sector aeronáutico”.

Jorge Alves diz ser urgente que Portugal deixe de ser apenas um país de meros serviços turísticos, para “passarmos a albergar e a oferecer indústrias com tecnologia de topo que permitam oferecer emprego qualificado, como é o caso da manutenção aeronáutica”.

O dirigente sindical entende ser urgente “dar vida” ao Aeroporto de Beja, que no entender de Jorge Alves “apresenta todas as condições” para extrapolar e potenciar o negócio da manutenção ao máximo, uma vez que até ao momento “tem sido muito subaproveitado e, na nossa perspetiva, poderá, com alguma naturalidade, ser um motor de desenvolvimento do interior se uma indústria como a manutenção de aeronaves se fixar neste espaço”.

O líder do SITEMA salienta que um técnico de manutenção de aeronaves demora cerca de dez anos a “adquirir e consolidar” o know-how e conhecimentos necessários” para estar apto a ter a “capacidade crítica indispensável” na tomada de decisões, nomeadamente perante uma anomalia num avião, quer em termos económicos e de segurança.

Jorge Alves diz que entre as prioridades para o mandato estará a luta para que o sistema político “entenda a necessidade de legislar sobre matérias como o trabalho noturno”, alertando para os “impactos nocivos” nesta área.

O dirigente sindical reivindica que os trabalhadores que durante anos a fio possuem estes horários “possam beneficiar de uma redução significativa ao nível da idade da reforma”.

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