Presidente dos Emirados Árabes Unidos morre aos 73 anos

Morte de Sheikh Khalifa bin Zayed Al Nahyan leva o emirado a decretar 40 dias de luto. Enquanto líder de Abu Dhabi, esteve sempre do lado da Arábia Saudita.

Sheikh Khalifa bin Zaued Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos e emir de Abu Dhabi desde 2004, raramente visto em público desde que sofreu um derrame em 2014, morreu esta sexta-feira. Era irmão do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed – considerado o verdadeiro governante do país.

De acordo com a constituição, o vice-presidente e primeiro-ministro Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, atuará como presidente até que o conselho federal que agrupa os governantes dos sete emirados se reúna, dentro de 30 dias, para eleger um novo presidente – que, tudo leva a crer, será Mohammed bin Zayed.

O Sheikh Khalifa chegou ao poder em 2004 no rico emirado de Abu Dhabi e tornou-se o chefe de Estado. Abu Dhabi, que detém a maior parte da riqueza petrolífera do Golfo, ocupa a presidência desde a fundação da federação dos Emirados Árabes Unidos pelo pai de Sheikh Khalifa, o falecido Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan (1971).

O Sheikh Khalifa nasceu em 1948. Em 1969, enquanto a área ainda era um protetorado britânico, Khalifa foi nomeado primeiro-ministro de Abu Dhabi e presidente do Departamento de Defesa do emirado, que mais tarde se tornou o núcleo das forças armadas dos Emirados Árabes Unidos. Após a independência em 1971, tornou-se ministro da Defesa, cargo a que juntaria muito outros, até tornar-se presidente em 2004.

Enquanto líder, testou a possibilidade de abrir a região a uma espécie de democracia: permitiu votação limitada – por um eleitorado escolhido a dedo – para metade dos membros de um órgão consultivo federal de 40 lugares em 2006. Mas, tanto a corrida à urnas nunca ultrapassou os 40% (do limitado universo que o podia fazer).

O país esteve sempre sob rigorosa segurança, com todas as possibilidades, por mais remotas, de qualquer contestação ao regime a serem rapidamente silenciadas, o que atraiu, tal como para outros Estados da região, as críticas de grupos internacionais de direitos humanos.

Na frente internacional, o ex-governante não destoou dos princípios da liderança da Arábia Saudita. Esteve contra a Irmandade Muçulmana – odiada pela corrente sunita predominante na Península Arábica – e também contra todas as formas de xiismo – o que o levou a contribuir para a cerca sanitária montada em torno do Qatar e para a guerra do Yémen, sempre do lado da Arábia Saudita.

Por outro lado, tentou transformar o território sob a sua alçada num chamariz para os ricos do resto do mundo, investindo na cultura (ou pelo menos uma certa cultura), o que tem levado alguns críticos a considerarem algumas cidades da região uma espécie de Disneylândia para adultos.

Mesmo assim, tentou levar o país a apostar na investigação na área das energias renováveis, incluindo planos para a construção de uma cidade futurista no deserto, de baixo carbono conhecida como Masdar.

Segundo a revista Forbes, a sua fortuna pessoal está avaliada em cerca de 15 milhões de dólares. Infortúnios da virtude: em 2008, era de 19 mil milhões.

 

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