Presidente francês alerta para o “fim da abundância”

“Estamos a viver o fim do que poderia ter parecido uma era de abundância. O fim da abundância de produtos de tecnologias que pareciam sempre disponíveis, o fim da abundância de terra e materiais, incluindo água”, disse o líder francês.

O presidente de França Emmanuel Macron alertou para o “fim da abundância”, à margem da primeira reunião do seu Governo após as férias de verão.

“O que estamos a viver atualmente é uma espécie de grande ponto de inflexão ou uma grande reviravolta. Estamos a viver o fim do que poderia ter parecido uma era de abundância. O fim da abundância de produtos de tecnologias que pareciam sempre disponíveis, o fim da abundância de terra e materiais, incluindo água”, disse o líder francês, segundo o “The Guardian”.

Para Macron, a França, a Europa e o mundo talvez tenham sido muito “despreocupados” com as ameaças à democracia e aos direitos humanos e a “ascensão de regimes iliberais e fortalecimento de regimes autoritários”.

“Esta visão geral que estou a apresentar sobre o fim da abundância, o fim da despreocupação, o fim das suposições – é, em última análise, um ponto de inflexão pelo qual estamos a passar que pode levar os nossos cidadãos a sentir muita ansiedade. Diante disso, temos um dever, deveres, o primeiro dos quais é falar com franqueza e clareza, sem palavrões”, referiu.

Os alertas do presidente surgem depois de ter sido revelado que os dividendos pagos pelas principais empresas francesas atingiram um recorde de 44 mil milhões no segundo trimestre de 2022, como resultado do que foi descrito como lucros excecionais em 2021.

Philippe Martinez, secretário-geral do sindicato CGT, considerou que os comentários de Macron foram “indevidos” e que muitos na França nunca conheceram a abundância. “Quando falamos do fim da abundância, penso nos milhões de desempregados, nos milhões de pessoas em situação precária. Para muitos franceses, os tempos já são difíceis, os sacrifícios já foram feitos”, frisou Martinez.

Por sua vez, o líder do partido comunista francês, Fabien Roussel, admitiu estar surpreendido com o discurso de Macron. “Inacreditável. É como se os franceses não tivessem preocupações. Temos 10 milhões de pobres na França devido ao descuido do presidente Macron e do comportamento predatório dos ricos”, referiu Roussel.

Noutra ocasião, numa cerimónia de comemoração da Operação Dragoon, Macron já tinha antecipado que este outono e inverno seriam difíceis para o país, com risco de escassez de energia e preços altos como resultado da guerra da Rússia. guerra à Ucrânia, e este foi “o preço a pagar pela liberdade”.

 

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