Pressões de Trump sobre Justiça expostas em audiência sobre ataque ao Capitólio

O painel da Câmara dos Representantes que investiga a invasão do Capitólio dos Estados Unidos ouviu ex-funcionários do Departamento de Justiça que sofreram pressões por Donald Trump.

O painel da Câmara dos Representantes que investiga a invasão do Capitólio dos Estados Unidos ouviu esta quinta-feira ex-funcionários do Departamento de Justiça que sofreram pressões por Donald Trump sobre os resultados das presidenciais de 2020.

A quinta audiência pública do mês da comissão de investigação responsável por investigar o ataque ao Capitólio, ocorrido em 06 de janeiro, por apoiantes do ex-presidente, procurou chamar a atenção para um “período de turbulência” do Departamento de Justiça, quando o republicano, nos seus últimos dias no cargo, procurou ‘vergar’ aquele órgão que há muitos anos defende a sua independência da Casa Branca.

Os depoimentos procuraram mostrar que Trump não usou apenas os assessores externos para divulgar as alegações infundadas de fraude eleitoral, mas também tentou utilizar os poderes das agências do poder executivo federal.

Entre as testemunhas esteve Jeffrey Rosen, que era procurador-geral interino durante o ataque ao Capitólio dos EUA, e que teve um tenso confronto na Sala Oval, onde Trump sugeriu substituí-lo por um funcionário de nível inferior, Jeffrey Clark, que pretendia defender as alegações de fraude eleitoral.

Este esquema de Trump foi uma “tentativa descarada” de usar o Departamento de Justiça em seu próprio benefício político, defendeu Bennie Thompson, democrata e presidente do painel de investigação.

“Donald Trump não queria apenas que o Departamento de Justiça investigasse. Queria que o Departamento de Justiça ajudasse a legitimar as suas mentiras, considerando, basicamente, a eleição corrupta” e nomeando um procurador especial, explicou Bennie Thompson.

Uma hora antes do início da audiência, foi revelado que agentes federais fizeram buscas esta semana na casa de Jeffrey Clark, segundo referiu fonte ligada ao processo à agência Associated Press (AP).

Um porta-vos do procurador dos EUA confirmou a existência de atividades policiais na Virgínia, onde Clark vive, mas sem confirmar que estavam ligadas ao caso.

O nome de Jeffrey Clark foi mencionado no início da audiência e o congressista Adam Kinzinger, republicano, classificou-o como um jurista cuja única qualificação era a sua fidelidade a Trump.

Já Jeffrey Rosen, numa declaração escrita preparada para o comité e divulgada pela AP, referiu que o Departamento de Justiça não recebeu nenhuma evidência de fraude que poderia ter afetado o resultado da eleição e, portanto, não participou em nenhum esforço da campanha de Trump para derrubar o governo, instando a uma transferência ordenada do poder.

Na semana passada, o painel já tinha apresentado declarações em vídeo do ex-procurador-geral William Barr, que criticou as alegações de fraude de Trump e renunciou depois de não ter conseguido convencer o então presidente.

A sessão de quinta-feira concentrou-se, então, no que aconteceu a seguir, quando Rosen, vice de Barr, assumiu o Departamento de Justiça e se viu imediatamente cercado pelas exigências de ação de Trump.

Esta foi a quinta audiência do mês organizada pelo comissão de investigação, que tem apresentado argumentos para mostrar ao público norte-americano que os esforços de Trump para evitar a sua derrota levaram diretamente à violência no Capitólio.

O ataque mortal ao Capitólio dos Estados Unidos ocorreu após alegações infundadas por parte de Donald Trump acerca de fraude eleitoral e do magnata ter apelado a uma multidão de apoiantes para que impedissem a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden.

O ator Sean Penn chamou a atenção da comunicação social ao marcar presença esta quinta-feira na audiência, explicando que participava na condição de “cidadão”.

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