Como iremos sobreviver

As previsões de Bruxelas para a nossa economia são assustadoras. Hoje, vemos os políticos a afirmar que a economia está a crescer e o cidadão comum a perguntar: onde? Os economistas, opinadores e jornalistas voltam a explicar que o impacto na economia pode variar de setor para setor e mais: o impacto na sociedade não […]


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As previsões de Bruxelas para a nossa economia são assustadoras. Hoje, vemos os políticos a afirmar que a economia está a crescer e o cidadão comum a perguntar: onde? Os economistas, opinadores e jornalistas voltam a explicar que o impacto na economia pode variar de setor para setor e mais: o impacto na sociedade não é imediato, vai por ondas e haverá de chegar um pouco a todos. O que agora assusta são os números divulgados esta semana pela Comissão Europeia que reveem ligeiramente em baixa o crescimento para 2016, para 1,7% e não 1,8%, e para 2018 preveem um crescimento de 1,8%. Ora, se para este ano ninguém viu nada a crescer e os números antecipam um crescimento de quase 2%, o que acontecerá em 2016, 2017 e 2018?

Praticamente nada. Alguns dirão que é preciso ver que o copo não está meio vazio, mas já está meio cheio e que, contrariamente aos gregos, não voltámos aos nível da recessão, mas isso é claramente insuficiente.

Será que novas políticas vão dar o devido impulso? É preciso saber que políticas. Será que tomar medidas que impliquem mais 3500 milhões de euros no OE vai ajudar? Alguns dirão que irá alavancar o consumo interno, sendo esse um dos fatores nucleares para o crescimento da economia, e não as exportações. Mas, se é assim, é preciso pensar que o consumo português deriva essencialmente de importações, não só porque a indústria de base foi destruída nos últimos 40 anos, mas também porque as novas indústrias de ponta e com forte componente de inovação não preenchem as necessidades dos consumidores nacionais. E lembremo-nos de que o nosso consumo não é apenas azeite ou vinho, onde o país é autossuficiente ou excedentário, mas é também carros, onde o país tem alguma indústria de componentes  e indústria de montagem, mas o valor acrescentado vai todo para a Alemanha ou França. Lembremo-nos ainda de que a indústria com 80 a 90% de incorporação nacional, a construção civil, não é necessária num ambiente de excesso de habitação e onde a indústria de reabilitação se debate com a falta de consumo pelo simples facto de que não há dinheiro para a pagar. Voltemos mais uma vez à CE e às previsões do outono, onde se alerta que o forte crescimento das exportações foi anulado por um crescimento ainda mais forte das importações, o que significa um contributo negativo para o PIB.

Deliberadamente, demos menos relevo à novela política nacional. Apenas realçamos que o futuro Governo é um dado adquirido, exceto se o PCP não quiser, e não vai ser fácil convencer Jerónimo, até porque os militantes comunistas são sérios. Fazem o que combinam e, antes de redigirem o acordo, impõem condições draconianas. Bruxelas avisou. Costa sabe fazer política.

Por Vítor Norinha/OJE

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