Ulisses Correia e Silva repudia especulação sobre remodelação governamental

Nesta entrevista, Ulisses Correia e Silva fala das prioridades do governo nesta conferência de doadores de dois dias, que começa hoje em Paris, onde o setor privado “ganha papel central”, perante a opção clara pela economia de base privada, feita pelo governo.

A partir de Paris, onde participa da conferência de doadores, o Chefe do Executivo cabo-verdiano, repudiou a especulação sobre a remodelação governamental, defendendo que não faz remodelação na “comunicação social e muito menos em resposta a intrigas, sejam elas fabricadas ou não”.

Nesta entrevista, Ulisses Correia e Silva fala das prioridades  do governo nesta conferência de doadores de dois dias, que começa hoje em Paris, onde o setor privado “ganha papel central”, perante a opção clara pela economia de base privada, feita pelo governo.

Trata-se do primeiro fórum de doadores e de investidores que o seu governo realiza. Quais as expetativas e que valores estão em vista  serem mobilizados?
Definimos algumas prioridades na perspetiva de uma nova abordagem da parceria para o desenvolvimento que não se limita à ajuda, mas promove as condições para o desenvolvimento sustentável. Essas prioridades são: a qualificação dos recursos humanos através da concentração de esforços e recursos na educação, na formação profissional e na empregabilidade, particularmente dirigida aos jovens; o apoio às reformas económicas e institucionais para a melhoria da eficiência governativa e do ambiente de negócios; e o reforço da resiliência e de respostas aos choques externos e às alterações climáticas.

Para os investidores, a mensagem é que aproveitem as condições de estabilidade, confiança, boa governança e localização do país, para investirem em Cabo Verde com rentabilidade, acederem a mercados da áfrica ocidental e a mercados de proximidade no atlântico médio a partir de Cabo Verde nos domínios do turismo, dos transportes, da economia azul, das energias renováveis, da economia digital, da indústria e dos serviços financeiros.

A nossa expetativa é que haja um bom engajamento dos parceiros e dos investidores nas prioridades e nas oportunidades que Cabo Verde apresente e projeta para o futuro.

Podemos dizer que o envolvimento do empresariado ganha uma grande importância tendo em conta o papel que o governo atribui ao setor privado para o desenvolvimento de Cabo Verde?
Ganha papel central. Temos uma opção clara pela economia de base privada, ao mesmo tempo por um papel do Estado proactivo, regulador, fomentador da atividade económica e garante da inclusão social e territorial. É por esse motivo que dedicamos uma parte importante da conferência ao sector privado e às relações com investidores. É também por isso, que em Paris estão representantes de organizações empresariais e de empresas cabo-verdianas.

Estamos a chegar ao fim de mais um ano. Quais as perspetivas param o ano de 2019. O que os cabo-verdianos poderão esperar de 2019 particularmente no campo económico?
Podem esperar um país a crescer mais, a gerar mais emprego e mais rendimento para as famílias e um país mais competitivo e com melhor ambiente de negócios. As reformas que estamos a fazer, as medidas que constam do orçamento do estado para 2019, vão nesse sentido.

A nível governamental, em 2018, foi feito um ajustamento governamental. Está contente com o desempenho da sua equipa ou prevê-se uma nova remodelação em 2019?
As remodelações governamentais não se anunciam. Eu sei que existem determinados jornais que se especializaram em especular sobre quem entra e sai do governo. Sei também que existem motivações cujo único intuito é desestabilizar o governo e lançar confusão em nome de uma pretensa informação de investigação. Estou quase certo que, nos próximos dias, irão surgir manchetes nesse sentido. O que posso garantir, é que não fiz, não faço e nem farei remodelações na comunicação social e muito menos em resposta a intrigas, sejam elas fabricadas ou não.

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