Produção da vacina da Pfizer em Portugal? “Empresas nacionais certamente seriam capazes de desenvolver método de fabrico”

Embora exista uma oportunidade para as empresas portuguesas avançarem com a produção desta vacina, o responsável salienta que “não faz sentido que todos os esforços sejam colocados num determinado vertical para uma resposta aguda”, argumentando que o país devia posicionar-se “como um ator fundamental na produção de medicamentos e dispositivos médicos na Europa”.

Krisztian Bocsi/Bloomberg

A Associação Portuguesa de Bioindústria (P-BIO) considera que, embora o país não tenha o capital nem a tecnologia para avançar com a produção de uma vacina made in Portugal, as empresas nacionais estão preparadas para avançar com a produção da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer-BioNTech.

Ao Jornal Económico (JE), David Braga Malta, vogal da direção da P-Bio e coordenador do programa Bio-Saúde 2030, explica que existem dois conceitos fundamentais em vacinas e medicamentos: a produção do princípio ativo e a fabricação do produto acabado.

“Para a fase final de preparação de produto acabado, temos várias fábricas com capacidade para fazer fill and finish de produtos estéreis. Sobre a fabricação de princípio activo, estamos a falar de uma nova classe de moléculas feitas por síntese química e complemento de fabrico enzimático”, adianta, acrescentando que aqui a questão passa por experiência na produção “e como são compostos novos não há muitas empresas no mundo com experiência”.

Quanto às empresas portuguesas, o representante da associação que congrega empresas ligadas ao setor da biotecnologia e ciências da vida em Portugal, deixa uma garantia: “as empresas nacionais certamente seriam capazes de desenvolver o método de fabrico e de produzir, tivessem elas relação comercial com as empresas que estão a desenvolver estas moléculas”.

A produção da vacina da Pfizer-BioNTech em território nacional poderia significar um alívio no transporte, uma vez que estas sairão da Bélgica.

Neste momento, a Pfizer tem dois pontos de produção da vacina: duas fábricas em em Andover, em Massachusetts e Kalamazoo, Michigan, que está a produzir para responder à procura dos 50 estados do país e outro na Puurs, na Bélgica, que trabalha em colaboração com os laboratórios da BioNTech, na Alemanha, que servirá de rampa para abastecer o mercado europeu.

Embora exista uma oportunidade para as empresas portuguesas avançarem com a produção desta vacina, o responsável salienta que “não faz sentido que todos os esforços sejam colocados num determinado vertical para uma resposta aguda, mas sim que o país se posicione como um actor fundamental na produção de medicamentos e dispositivos médicos na Europa”.

“Claro que as vacinas fazem parte desta aposta, mas não nos devemos focar exclusivamente em vacina”, indica o vogal da direção da P-Bio, relembrando que o setor da biotecnologia já exporta mais de 1,5 mil milhões de euros e regista uma quantidade avultada de emprego altamente qualificado.

“Portanto, todo o sector de desenvolvimento e produção de medicamentos e dispositivos médicos deve ser uma aposta estratégica do país, tal como é na Bélgica ou na Holanda”, referiu, realçando o programa BioSaúde 2030 foi reconhecido pelo Governo e por António Costa e Silva na redação do Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal 2020-2030.

Na estratégia para 2030, a associação portuguesa do setor pretende posicionar Portugal como um centro de Investigação e Desenvolvimento em biotecnologia e ciências da vida – tornando Portugal num hub de I&DT – e um pilar estratégico da capacidade de produção na União Europeia (UE), “fazendo do nosso país a fábrica da Europa para a saúde”.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou esta segunda-feira o uso da vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 na União Europeia, numa reunião que foi antecipada depois de estar inicialmente agendada para 29 de dezembro.

Tendo já recebido a aprovação final e formal por parte da Comissão Europeia, a farmacêutica fica autorizada a arrancar com a distribuição do fármaco pelos 27 nos próximos dias de forma a que o processo de vacinação arranque, em simultâneo, a 27 , 28 e 29 de dezembro, como já tinha sido anunciado pelo ministra da Saúde, Marta Temido, e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

A Portugal devem chegar 9.750 unidades da vacina desta farmacêutica no dia 26 de dezembro, o que deixará tudo pronto para que os profissionais de saúde dos centros hospitalares de São João, Porto, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central sejam os primeiros a receber o fármaco no dia 27 de dezembro.

O plano de vacinação para Portugal prevê que, a 4 de janeiro, cheguem cerca de 303 mil doses, em fevereiro, 429 mil doses e 487,500 doses em março.

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