Produção de seguros cai 17,7% nos primeiros nove meses

Segundo a Autoridade de Seguros de Portugal (ASF), até ao final do terceiro trimestre deste ano, a produção de seguro direto diminuiu para 7,6 mil milhões de euros.

A produção de seguro direto, relativa à atividade em Portugal, das empresas de seguros sob a supervisão da ASF caiu 17,7% nos primeiros nove meses de 2016, face a igual período de 2015.
Este recuo, “justifica-se, essencialmente, através do significativo decréscimo de 27,5% verificado no ramo Vida”, explica , em realtório, o supervisor do setor segurador em Portugal.
Referindo-se a estes números aquando da recente apresentação dos resultados anuais do setor segurador, José Almaça, presidente da ASF, veio sublinhar que esta informação evidencia a manutenção da trajetória de diminuição da produção que já havia caraterizado o ano 2015.
“Verifica-se a forte quebra em especial dos produtos de poupança, por sua vez explicada pela menor atratividade das garantias financeiras oferecidas nos novos produtos, em conjugação com a diminuição da taxa de poupança das famílias”, elucida ainda o supervisor.
Em seu entender, as seguradoras enfrentam agora o desafio de adaptar os respetivos modelos de negócio, “de forma a reforçar a atratividade dos produtos, devendo atender, por um lado, às necessidades e ao perfil de risco dos consumidores e, por outro, à manutenção do papel social que carateriza o setor, que é visto como prudente, estável e que oferece proteção eficaz para os riscos a que as famílias e empresas se encontram expostas”.
Ainda no contexto da análise até setembro desta ano, importa também realçar, por outro lado e pela positiva, o registo de um crescimento na ordem dos 6,3% nos ramos Não Vida, para o qual contribuiu de forma significativa o acréscimo de 12,6% na modalidade de Acidentes de Trabalho.
No mesmo período, os custos com sinistros verificaram um ligeiro decréscimo de 0,5%, em resultado do decréscimo de 2,6% no ramo Vida e do acréscimo de 8,6% nos ramos Não Vida.
Ainda segundo esta análise, o valor das carteiras de investimento das empresas de seguros totalizou 49,7 mil milhões de euros, tendo decrescido 3,9% desde o início do ano.
Nesta mesma data, o volume de provisões técnicas ascendeu a 44,1 mil milhões de euros, numa redução de 3,5%.
A completar esta análise, a ASF avança ainda que, particularmente no que diz respeito a rácios de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) e do Requisito de Capital Mínimo (MCR), em setembro de 2016, estes se situaram em 137% e 389%, traduzindo assim acréscimos de nove e um pontos percentuais, respetivamente.

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