Produtividade aumentará se as empresas interagirem mais com as universidades, diz vice-reitor da NOVA

Pedro Saraiva diz que muitas empresas até produzem já com um grau razoável de inovação, mas menos de 10% o faz em parceria com universidades. E essa é a grande lacuna, que quando ultrapassada contribuirá significativamente para resolver o problema da produtividade.

Pedro Saraiva, Vice-reitor da Universidade NOVA de Lisboa
Pedro Saraiva, Vice-reitor da Universidade NOVA de Lisboa

É possível aumentar a produtividade? Sim, mas não será fácil. Na perspetiva de Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, as empresas portuguesas podem aumentar de forma estrutural a sua produtividade quando passarem a interagir mais com as universidades.

“Se duplicarmos o número de empresas inovadoras que colaboram com universidades, daqui a uns anos a produtividade de Portugal pode ser bastante diferente”, vai dizer Pedro Saraiva esta manhã no Encontro Nacional “Universidade: Chave para o Futuro”, que decorre durante todo o dia no Iscte-IUL, em Lisboa.

Segundo o professor, muitas empresas portuguesas até produzem já um grau razoável de inovação, mas menos de 10% o faz em parceria com universidades. “Este afastamento pode ser um dos fatores que ajuda a explicar o recuo de produtividade relativa que Portugal registou nos últimos anos. Esta regressão podia ter sido evitada se, quer do lado das empresas, quer do lado das universidades, tivesse havido vontade de interagir ainda mais, de desatar nós, de investir no trabalho em conjunto”.

E este é, conforme explica, um dos fatores que contribuem para Portugal estar em 23º lugar no ranking da produtividade da União Europeia… seis lugares atrás da Roménia, lado a lado com a Letónia e a Eslováquia e apenas à frente da Hungria, da Grécia e da Bulgária.

Número gordos, em média, salienta Pedro Saraiva, o valor gerado por 40 horas de trabalho em Portugal equivale a 13 horas de trabalho na Irlanda, a 17 horas no Luxemburgo ou a 22 na Bélgica, a 31 horas em Espanha… e a 35 horas na Roménia.

O professor fala em bons exemplos na colaboração empresas-universidades, que, pelo seu sucesso, deviam ser mais seguidos e começa por destacar o Biocant Park, em Cantanhede. Uma década depois de ser criado, era já responsável por mais de 40% do bioempreendedorismo nacional. As fortes parcerias da Bosch com a Universidade do Minho são um outro exemplo, traduzido em 165 milhões de euros de investimento, 750 postos de trabalho e 77 patentes. Igualmente na mesma linha são de reconhecer os progressos feitos no domínio do empreendedorismo, de que são exemplos o Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, ou o recente reconhecimento da Universidade NOVA de Lisboa enquanto “Young Entrepreneurial University of the Year”.

“Nestes últimos 50 anos houve imenso progresso feito no modo como a sociedade e as universidades se interligam. Mas importa agora dar novos passos de aprofundamento e evolução nos modos de relacionamento entre universidades, empresas e outras organizações. Com aposta nalguns casos em modelos de interligação reforçada e alcance estratégico, acompanhados dos correspondentes recursos”, afirma o vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa.

O encontro Nacional “Universidade: Chave para o Futuro”, é organizado pelo Iscte em parceria com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas – CRUP, a Comissão dos 50 anos do 25 de Abril e a RTP, tendo o alto patrocínio da Presidência da República e visa assinalar os “50 Anos de Reforma das Universidades – 50 anos de Democracia – 1972 a 2022”.

 

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