Produzir em Portugal? “Ah, oui, bien sûr!”

As conclusões constam num estudo a apresentar hoje na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito da III Conferência Franco-Portuguesa, um encontro ao mais alto nível entre a comunidade empresarial dos dois países, a academia e a diplomacia económica. A maioria das empresas francesas que opera em Portugal está de saúde e recomenda-se. São […]

As conclusões constam num estudo a apresentar hoje na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito da III Conferência Franco-Portuguesa, um encontro ao mais alto nível entre a comunidade empresarial dos dois países, a academia e a diplomacia económica.

A maioria das empresas francesas que opera em Portugal está de saúde e recomenda-se. São lucrativas, têm bons desempenhos, fortaleceram a sua posição estratégica e até admitem aumentar o emprego. A maior parte mantém intenções de investimento elevadas. Em traços largos, estas são algumas das conclusões do estudo realizado na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa: “Produzir em Portugal: O caso das empresas francesas” ao qual o OJE teve acesso.

As conclusões deste trabalho inédito são hoje apresentadas e discutidas pelos professores José Mata e Luís Filipe Lages na III Conferência Franco-Portuguesa, organizada pela Embaixada de França, os conselheiros do Comércio Externo de França e a Câmara de Comércio Luso-Francesa, no Auditório A da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em Campolide.

Dirigido ao setor empresarial e à administração pública, o fórum tem como temas em debate os casos das empresas francesas que produzem em Portugal e as razões para o sucesso alcançado, através da análise do seu desempenho, do novo investimento e do crescimento numa lógica de competição em território nacional.
Regressando ao estudo, este assinala que a maioria das empresas francesas em Portugal registou em 2012/2013 uma evolução positiva, com melhorias assinaláveis no mercado doméstico.

Os empresários referem ainda que as alternativas mais comuns para a localização de investimentos são a Espanha e a Europa de Leste. “Os nossos concorrentes podem estar na Roménia se as condições logísticas não forem muito importantes. Se a organização logística for importante, estarão na Polónia. Ou possivelmente em Espanha”.

O investimento francês em Portugal faz sentir-se maioritariamente no setor dos serviços, seguindo–se o comércio e a indústria, onde a Alstom é, provavelmente, a empresa mais conhecida.
Afinal, a opinião geral da comunidade empresarial francesa é de que Portugal está mais competitivo, corroborando, de resto, os mais recentes indicadores internacionais sobre o nosso país. Desde logo, são apontados muitos pontos fortes.

A nota mais alta é dada ao que de melhor um país, uma sociedade, uma empresa pode ter: as pessoas. No caso, as pessoas que trabalham. Com efeito, a produtividade dos recursos humanos destaca-se entre os pontos positivos, na opinião dos investidores franceses.

O acesso que Portugal dá aos países de expressão portuguesa é igualmente um ponto forte para os franceses, que voltam às pessoas para elogiar sobremaneira a relação entre a qualificação e o custo dos recursos humanos. O acesso ao financiamento e o ambiente para investigação e desenvolvimento/inovação também figuram no grupo dos aspetos mais valorizados pelos inquiridos.

Pontos negativos também os há e são os mesmos que qualquer outro empresário apontaria. O calvário começa na (in)estabilidade das políticas públicas, prossegue com o elevado nível de impostos e mergulha nos chamados custos de contexto, como o preço dos transportes e da energia.
Tudo somado, porém, a conclusão é largamente favorável: “Portugal é hoje para nós uma plataforma de exportação (…) Tem atributos interessantes para continuar a ser uma boa plataforma para produzir e exportar para os dois lados do Atlântico.”

 

Almerinda Romeira

 

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