Profissionais de serviços partilhados reportam aos maiores líderes da empresa

Analistas anteveem crescimento dos centros de negócios globais porque um em cada cinco está ainda na fase de planeamento.

Os centros de serviços partilhados, focados na melhoria das operações das empresas, começaram a amadurecer e a profissionalizar-se mais a partir do final dos anos 80. Hoje, num mundo em que existem mais de dez mil infraestruturas destas, de organizações de praticamente todos os sectores, cerca de um terço (30%) das mesmas encontram-se em funcionamento há pelo menos sete anos, de acordo com o relatório “SSON’s State of the Shared Services & Outsourcing Industry 2022” da consultora de estudos de mercado SSON Analytics.

Ainda assim, cerca de metade tem menos de três anos e um em cada cinco está ainda na fase de planeamento. Logo, antevê-se mais crescimento nesta área, segundo a análise que envolveu inquéritos a profissionais de serviços partilhados (referenciados como SSO – Shared Services Organizations).

Os analistas concluíram ainda que aproximadamente 30% dos entrevistados dizem reportar diretamente ao CEO da empresa e outros 30% reportam ao diretor financeiro. “Esse acesso de alto nível à gestão corporativa é um indicador significativo não apenas da relevância dos serviços partilhados, mas também de seu potencial para um valor agregado mais estratégico”, lê-se no documento.

Da Europa aos Estados Unidos com a mesma liderança
Este capítulo do estudo integra ainda um artigo de opinião de Krishna Nacha, então responsável de Serviços de Negócios Globais e Transformação Empresarial da consultora tecnológica Wipro, intitulado “How to Get to Integrated Business Services” (“Como chegar aos serviços empresariais integrados”). No texto, o empresário – que agora faz parte da gestora de informação Iron Mountain – explica o impacto da Covid-19 nos Global Business Services (GBS), uma noção que nasceu na sequência dos Serviços Partilhados e de um serviço muito comum no sector tecnológico que é a terceirização de processos de negócios (BPO – Business Process Outsourcing), na qual operam multinacionais como a canadiana CGI, por exemplo.

“Não há como olhar para trás. As organizações estão a aproveitar as lições aprendidas com a pandemia para reimaginar o desempenho das operações dos negócios. Isso colocou a tecnologia e a digitalização no centro das operações dos GBS em termos de suporte a um modelo digital-first e à integração de uma força de trabalho distribuída globalmente. A digitalização avança rapidamente, o que tanto trouxe complicações para as formas de trabalho existentes como apresentou oportunidades para agregar mais valor”, refere o ex-executivo da Wipro, uma empresa indiana que também está presente em Portugal com um escritório no TECMAIA Parque, no distrito do Porto.

Krishna Nacha garante que os serviços partilhados têm acesso a dados que podem “desbloquear insights e impulsionar a transformação dos negócios” e dá um exemplo de uma unidade europeia de uma empresa de indústria mundial: “Pode conduzir a sua gestão de encomendas/pedidos e record-to-report [recolha de informação contabilística e financeira] de maneira diferente em comparação com as suas operações nos Estados Unidos da América. No entanto, ambas as regiões reportam à mesma função de CXO [Chief Experience Officer]. Através de uma estrutura GBS, a empresa fabril pode garantir previsibilidade de custo e processo para essa função, aproveitando as economias de escala e capacidade por via de uma entrega multifuncional e multilocal”, detalha.

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