Programa “Consolidar” mobiliza 752 milhões para fomentar a consolidação de PME

Foram divulgadas as 14 sociedades que irão constituir 14 novos fundos de capital risco. A dotação global disponível é de 752 milhões de euros para capitalizar empresas, promovendo o crescimento, expansão e consolidação de projetos empresariais (PME e mid caps).

O Banco Português de Fomento (BPF) apresentou os resultados do programa ‘Consolidar’, promotor do investimento em PME e ‘mid caps’ impactadas pela pandemia.

Foi revelado em conferência de imprensa que a duração do instrumento é até ao final de 2030 e o período de investimento tem de ser concluído até ao fim de 2025. Isto significa que os fundos de capital de risco vão entrar no capital das empresas até 2025 e têm de sair até 2030, “exceto em condições particulares que o justifiquem na altura”, explicou Tiago Simões de Almeida, Chief Commercial Officer (CCO) do Banco Português de Fomento.

O dinheiro dos participantes dos fundos vai ser adiantado por tranches à medida que serão feitos os investimentos das capitais de risco, sendo que o dinheiro atribuído através do programa ‘Consolidar’ que já tenha sido pago mas que não esteja investido até 2025 tem que ser devolvido, esclareceu hoje o Banco Português de Fomento (BPF).

O ‘Consolidar’ é um programa de capitalização das empresas que é desenvolvido em conjunto entre o Estado e instituições privadas. O objetivo do programa é “desfragmentar” o universo das pequenas e médias empresas e mid caps (e é transversal a vários sectores). Isto é, os fundos de capital de risco criados vão investir na consolidação dessas empresas de pequena dimensão.

A falta de escala das empresas é sempre apontada como um impedimento de inovação e modernização, bem como da baixa produtividade. “A subcapitalização das empresas e a falta de escala são dos fatores que mais impedem a modernização, a inovação e o crescimento do sector empresarial em Portugal e por isso são muitas vezes causa de instabilidade social e financeira”, disse a ainda CEO do banco, Beatriz Freitas, na conferência de imprensa que disse ser um programa para o futuro das empresas e do país.

O programa ‘Consolidar’ tinha uma dotação orçamental (do Plano de Recuperação e Resiliência) de 250 milhões de euros e o próprio Banco de Fomento decidiu passá-la para 500 milhões de euros, realizado através de fundos de capital de risco geridos por intermediários financeiros (ao todo 14).

Não é novidade que o investimento nos fundos de capital de risco será “obrigatoriamente acompanhado de investimento privado, com uma comparticipação de, pelo menos, 30% do capital total de cada fundo”.

Assim, o total dos fundos a subscrever terá, no mínimo, uma dotação global disponível de 752 milhões de euros para capitalizar empresas, promovendo o crescimento, expansão e consolidação das PME e mid caps, disse Beatriz Freitas que acrescentou que este montante “pode ser consideravelmente superior caso as capitais de risco invistam os seus fundos com outros investidores, como vem sendo habitual com outros programas que temos no banco”.

As Sociedades de Capital de Risco (SCR) que foram selecionadas têm de assegurar a subscrição de fundos com uma dotação mínima de 40 milhões de euros cada.

Banco divulgou as 14 sociedades de capital de risco que vão fazer estes investimentos no capital das empresas

O Banco Português de Fomento divulgou hoje a lista das entidades selecionadas para investimento no âmbito do programa Consolidar, “um dos programas de investimento do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), gerido pelo BPF e criado no contexto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nacional, para apoiar a subscrição de fundos de capital de risco destinados a investimento em capitalização de PME e Mid Caps, impactadas pela pandemia, mas economicamente viáveis e com potencial de recuperação”.

As 14 sociedades de capital de risco escolhidas foram a ActiveCap; CoRe Capital; Crest Capital Partners; Draycott; ECS Capital; Fortitude Capital; Grosvenor (agora 3XP Global); GrowthPartners; HCapitalPartner; HorizonEquityPartners; Inter-Risco; Oxy Capital; Portugal Capital Ventures e Touro Capital Partners.

Portanto, serão 14 novos fundos de capital de risco que vão investir em empresas para fomentar a sua consolidação, nestes o FdCR pode investir até 70%.

O investimento do FdCR nos fundos está sujeito a uma comissão de gestão de taxa fixa de até 2%, sendo que, neste critério de avaliação, receberam mais pontuação aqueles que apresentaram custos mais reduzidos e a distribuição de proveitos de cada fundo será feita na proporção da participação de cada entidade no mesmo, estando ainda prevista uma performance fee, caso o fundo atinja uma rentabilidade anual média superior a 5%.  ​

Em 18 de fevereiro passado, o BPF anunciou que o programa recebeu 33 candidaturas, submetidas por sociedades de capital de risco e sociedades gestoras de capital de risco, no montante global superior a 1.300 milhões de euros de investimentos para a constituição de fundos de capital de risco com uma dotação agregada superior a 3.100 milhões de euros.

“Das 33 candidaturas, com intenções de investimento superiores a 1.300 milhões de euros, submetidas por Sociedades de Capital de Risco e Sociedades Gestoras de Capital de Risco (SCR), foram aprovadas 14 candidaturas, correspondendo a operações de investimento do FdCR no valor total de 500 milhões de euros”, lê-se no comunicado.

“As SCR selecionadas devem assegurar a subscrição de fundos com uma dotação mínima de 40 milhões de euros cada um, sendo a comparticipação do FdCR entre 10 e 50 milhões de euros por fundo. Este investimento nos fundos de capital de risco a subscrever será obrigatoriamente acompanhado de investimento privado, com uma comparticipação de, pelo menos, 30% do capital total de cada fundo”, reafirma o banco.

Assim, o total dos fundos a subscrever terá, no mínimo, uma dotação global disponível de 752 milhões de euros para capitalizar empresas, promovendo o crescimento, expansão e consolidação de projetos empresariais, bem como o desenvolvimento de novas áreas de negócio e novos produtos, através da reestruturação dos respetivos modelos de negócio e a profissionalização e reforço da equipa de gestão dos Beneficiários Finais”, reforça o comunicado.

A presidente executiva do Banco Português de Fomento (BPF) defendeu hoje que o programa Consolidar foi operacionalizado num “tempo recorde”, sublinhando que a instituição tem consciência da “urgência” de fazer chegar o dinheiro às empresas.

“Este programa foi operacionalizado num tempo recorde, muito inferior ao que é normal. O Banco Português de Fomento tem consciência da urgência de fazer chegar o dinheiro do PRR às empresas”, afirmou Beatriz Freitas, na conferência de imprensa de apresentação das candidaturas selecionadas no âmbito do programa Consolidar.

A presidente executiva do banco sublinhou ainda que, apesar do “tempo recorde”, o processo de seleção das empresas de capital de risco foi “longo e detalhado”, de modo a que pudessem ser escolhidos os “melhores projetos de investimento”.

Recomendadas

“Falar Direito”. “Renegociação? Medida deveria abranger outro tipo de créditos mais onerosos”

Na última edição do programa da plataforma multimédia JE TV, advogado Francisco Barona, sócio do departamento financeiro e governance da Sérvulo, considerou que o diploma referente à renegociação do crédito à habitação deveria ser mais abrangente, tendo em conta a contração de outros créditos mais onerosos.

Juro médio dos novos depósitos de particulares dispara em outubro para máximo de cinco anos

Segundo os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), “em outubro o montante de novos depósitos a prazo de particulares foi de 4.726 milhões de euros, remunerados a uma taxa de juro média de 0,24%”.

PremiumBanca antevê dificuldades em identificar todos os clientes em 45 dias

Os bancos têm 45 dias para verificar se têm clientes do crédito à habitação que qualifiquem para efeitos da aplicação do diploma do Governo, mas o apuramento dos rendimentos reais é um obstáculo.
Comentários