“Proibido sair”: Pequim coloca mais pessoas em confinamento obrigatório à medida que protestos sobem de tom

Há dezenas de cidades chinesas total ou parcialmente confinadas. Há quem não possa sair de casa há um mês e os protestos são cada vez mais fortes, à medida que se torna mais difícil conseguir provisões. Na origem está um surto de Covid-19 no país.

Esta sexta-feira, foram encerrados mais negócios e zonas habitacionais em Pequim, sendo cada vez mais difícil obter provisões, de acordo com a “Reuters”. A capital chinesa está em confinamento obrigatório há um mês, e é uma das muitas cidades chinesas fechadas, na tentativa de conter um surto de Covid-19. As regras impostas pelas autoridades locais chegam a impedir que as pessoas saiam da própria casa.

O descontentamento da população continua a aumentar, com protestos realizados à noite, em que se ouve barulho feito com tachos e panelas. Surgiu nas redes sociais um vídeo cuja autenticidade não é certa onde se pode ouvir uma mulher a pedir às pessoas que não protestem, dizendo que estas manifestações são incentivadas por “estrangeiros”.

À entrada de um complexo residencial pode ler-se um sinal que diz “Só entradas. Proibido sair.”

As autoridades de Pequim têm instruções para procurar casos positivos do vírus e isolar as pessoas em causa, assim como os seus contactos próximos. Ainda assim, o número de novos casos continua a ficar-se pelas dezenas, segundo informações desta sexta-feira.

Uma residente polaca de 51 anos, Joanna Szklarska, lembra, contactada pela “Reuters”, que recebeu indicação para fazer quarentena num hotel, mas recusou-se a partilhar o quarto com outra pessoa. Foi enviada de volta para casa, onde as autoridades instalaram um alarme à porta. Mais tarde regressou ao hotel, onde está agora isolada num quarto.

Estima-se que 46 cidades estejam em confinamento total ou parcial, com 343 milhões de pessoas afetadas (42 vezes a população portuguesa).

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