“Prop Tech” – a transformação tecnológica no setor imobiliário

O imobiliário é tradicionalmente visto como resistente às novas tecnologias e, até recentemente, eram desconhecidas startups relevantes no setor.

O imobiliário é tradicionalmente visto como resistente às novas tecnologias e, até recentemente, eram desconhecidas startups relevantes no setor. A situação está a inverter-se, e o imobiliário aparece agora como uma das áreas onde se antecipam novidades significativas – tanto pelo aparecimento de novos modelos de negócio, como pela alteração das características históricas enquanto classe de ativos com elevado risco de avaliação, custos de transação e baixa liquidez.

Os riscos de avaliação serão menores pela utilização de modelos de Inteligência Artificial suportados em bases de dados com características e valores de imóveis georreferenciados). Empresas de reabilitação podem utilizar estes modelos para identificar imóveis com preço abaixo da média do mercado. Promotores imobiliários conseguirão estimar com precisão qual a disponibilidade do mercado para pagar cada uma das características individuais dum imóvel. Onde antes havia apenas experiência e intuição, temos agora também a tecnologia para reduzir os níveis de incerteza e risco.

Os custos de transação irão baixar via múltiplas tecnologias. A Robotização automatiza a criação e processamento de documentos, o Blockchain valida as características de um imóvel e permite notarizar as transações e registar com segurança os novos proprietários – resultando na redução dos custos (e comissões) de intermediação.

E se a menores custos de transação associarmos uma redução drástica dos custos de manutenção e operação – decorrentes da introdução de tecnologia “inteligente” para gestão dos edifícios – encontramos as condições perfeitas para o crescimento de novos modelos de negócio baseados em arrendamento de curta duração, utilização parcial, ou mesmo no space as a service (pago pela frequência de utilização).

Por fim, o aumento da liquidez decorre da possibilidade de compra fracionada. Não será mais necessário ter milhares de euros para investir em imobiliário, pois o crowdsourcing facilita as aquisições coletivas – e procedendo à tokenização da fração detida (e possibilitando a respetiva transação do token) passamos a ter um ativo líquido transacionável em mercado aberto. E as visitas virtuais facilitam o acesso dos pequenos mercados locais a investidores internacionais.

Em síntese, é já evidente que os próximos anos serão de grande transformação neste setor e que as empresas deverão começar a preparar a evolução dos seus modelos operativo e de negócio.

Se tem interesse em receber comunicação da EY Portugal (Convites, Newsletters, Estudos, etc), por favor Clique aqui

Recomendadas

O (des)governo dos dados nas organizações

As organizações são fontes de geração e de consumo de dados em larga escala. Esta evolução tem trazido grandes oportunidades, mas também grandes desafios às empresas, nomeadamente no mercado português onde constatamos um “governo desgovernado” dos dados e isso revela-se potencialmente ao nível dos custos financeiros, riscos de conformidade, riscos reputacionais (e.g. fugas de dados, sejam eles pessoais ou de negócio) e até sob a perspetiva da sustentabilidade (ESG) que está hoje, e bem, na ordem do dia (a União Europeia estima que, em 2030, os Data Centers representem 3,2% do consumo total de eletricidade).

Tendências no consumo de energia: Save Money, Save Time, Save the Planet

Ao longo de 2021 e 2022, a EY conduziu um estudo 1) envolvendo 70.000 consumidores de 18 países (2.007 inquiridos em Portugal) para compreender as suas preferências e comportamentos.

Biodiversidade e alterações climáticas – reflexão entre COPs

As alterações climáticas e a perda de biodiversidade são duas das maiores ameaças que colocam em causa a resiliência dos sistemas socio ecológicos, que sustentam a vida humana. Acresce a este facto, a agravante destas ameaças estarem interligadas.
Comentários