Proprietários… ou nem tanto

Segundo os dados mais recentes do Eurostat, o arrendamento urbano em Portugal é a opção escolhida por 25% das famílias, percentagem que se tem mantido estável nos últimos anos.

Afinal, já não somos dos poucos países cuja maioria da população vive em casa própria, nem sequer estamos nos primeiros lugares deste ranking, considerando o universo da União Europeia. Em Portugal, três quartos das famílias vivem em casa própria. Mas esta percentagem é, por exemplo, superior a 90% na Roménia e na Croácia, e de quase 90% na Lituânia e na Eslováquia, os quatro países da União Europeia com maior percentagem de famílias a viver em casa própria.

Segundo os mais recentes dados do Eurostat, o arrendamento urbano em Portugal é a opção escolhida por 25% das famílias, percentagem que tem estado estável nos últimos anos e que coloca o nosso país no meio da tabela europeia em matéria de opções habitacionais preferentes. Às vezes, o que damos como certo e julgamos ser mesmo assim não corresponde ao que na realidade pode estar a acontecer.

É claro que as elevadas percentagens de famílias que habitam em casa própria existentes em países como a Roménia, a Croácia, a Lituânia ou a Eslováquia podem também estar relacionadas com as profundas mudanças políticas verificadas, na Europa de Leste, há cerca de 25 anos, com efeitos evidentes e compreensíveis nos respetivos quadros de acesso à propriedade imobiliária naquele espaço político europeu.

Hoje devemos compararmo-nos a países como Espanha, próximo de nós não apenas geograficamente mas também na ideia que vamos interiorizando quanto a estas realidades. Com efeito, Espanha, é igualmente apontado como um país que tem um dos mercados imobiliários com maior número de proprietários a viver na casa própria, e que também se situa perto dos valores que dão ao arrendamento urbano uma percentagem na ordem dos 25%.

Na Europa comunitária, a Alemanha é o país onde a percentagem de opções habitacionais pelo arrendamento urbano é mais elevada, mas mesmo na Alemanha os números das famílias que vivem em casa arrendada são inferiores aos que vivem em casa própria. Até na Alemanha o sonho de ter casa própria supera o de aceitar ser apenas arrendatário, uma opção que em lado nenhum será um sonho.

Há muitos fatores, subjetivos e objetivos, que pesam nesta escolha mas, entre nós, o grande fator da diferença é, cada vez mais, o do peso da fiscalidade sobre a propriedade imobiliária, ainda pouco diferenciada no que toca à propriedade para habitação própria e à propriedade como investimento tendo em visto um rendimento, especialmente nestes tempos em que esses rendimentos superam os das remunerações de capitais.

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