Próximo ano é o início da exploração da nova geração móvel

A importância do 5G explica-se pela necessidade de permitir a diminuição do tempo de comunicação entre dois pontos, ou seja aumentar a capacidade de dispositivos ligados à mesma rede, por quilómetro quadrado – é o que se designa de latência.

A União Europeia (UE) tem uma estratégica definida para desenvolver a tecnologia móvel 5G até 2020, para que até zonas remotas e áreas rurais dentro do espaço comunitário europeu tenham cobertura de redes de alta capacidade em todo o Espaço Comunitário. Em Portugal é no sector das telecomunicações que o 5G tem mais preponderância e relevância, sendo que no próximo ano terá de respeitar novas regras de Bruxelas.

No caminho do que se denomina de Digital Single Market (Mercado Único Digital, em português), o setor das telecomunicações terá de ir ao encontro da agenda de Bruxelas, no que respeita ao acordo político para a atualização das regras de telecomunicações na UE, através do novo Código Europeu das Comunicações Eletrónicas, proposto pela Comissão Europeia. Este código pretende acelerar os investimentos, entre outras áreas, no 5G.

A importância do 5G explica-se pela necessidade de permitir a diminuição do tempo de comunicação entre dois pontos, ou seja aumentar a capacidade de dispositivos ligados à mesma rede, por quilómetro quadrado – é o que se designa de latência. Porquê? Porque o número de dispositivos conectados em rede móvel aumentará em larga escala. Outra factor de relevo sobre a tecnologia 5G, é o potencial que esta, por si só, tem em gerar novos negócios.

Em Portugal, a Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) já definiu o roteiro para a libertação e atribuição da faixa dos 700 MHz, necessário ao desenvolvimento da quinta geração móvel no quadro dos acordos internacionais e das determinações da UE. A libertação da faixa, que deve começar no último trimestre de 2019 e decorrer até 30 de junho de 2020, implica que haja uma migração da televisão digital terrestre (TDT) para uma nova faixa de frequências. Atualmente, as três maiores operadoras de telecomunicações a atuar em Portugal (NOS, Altice e Vodafone) têm desenvolvido planos de investimento no 5G e apresentado simulações de ligação em rede ao 5G.

1- Por que razão o 5G será relevante em 2019?

2- Em que pé está a sua introdução em Portugal?

Jorge Graça: Chief Technology and Innovation Officer (CTIO) da NOS

1 O ano de 2019 será um ano que dará continuidade à preparação para o 5G, desde o estudo dos novos standards e novo espetro ao desenho de serviços, tendo em vista o objetivo da UE de ter uma cidade com 5G em 2020.
Os primeiros serviços comerciais a desenvolver serão do tipo eMBB (Enhanced Mobile Broadband), potenciando a experiência de utilização de smartphones e ligações de banda larga que utilizarão as redes 4G e 5G, o que olhando – para a prevalência de redes de nova geração em Portugal- aponta para uma curva de adopção lenta (a maior utilização do 5G deverá acontecer a partir de 2025).

2 Em Portugal, o regulador setorial das comunicações anunciou recentemente a manutenção do calendário definido para o arranque do 5G estando a analisar as necessárias mudanças nas faixas de espetro dos 700 MhZ (da TDT) para se preparar um novo plano de frequências. A NOS está a acompanhar de perto a estandardização do 5G e a investir nas suas infraestruturas atuais orientando-as já para uma futura compatibilidade e evolução para 5G.

Luís Alveirinho: Chief Technology Officer (CTO) da Altice Portugal

1 Há duas grandes características que definem o 5G: a latência – o tempo que a comunicação demora a chegar entre dois pontos – e a densidade, ou seja, o número de dispositivos ligados por quilómetro quadrado. Sabemos que o número de seres humanos não vai crescer de uma forma exponencial, mas o número de dispositivos ligados em rede aumentará a larga escala, e é nesse âmbito que o 5G se vai tornar relevante. No entanto, este serviço ainda não tem assim tanta preponderância, uma vez que, por enquanto, os utilizadores não retiram total partido da tecnologia agora disponível e, paralelamente, também os dispositivos que vão usufruir da tecnologia estão a evoluir e ainda não são disponibilizados a larga escala à generalidade dos utilizadores. Ao contrário das gerações anteriores, direcionadas a um mercado de consumo, o 5G tem um grande foco nos serviços empresariais. As potencialidades do 5G podem inclusive gerar novos modelos de negócio, o que tornará este serviço, a médio prazo, muito pertinente. Já no que concerne ao curto prazo, consideramos que o 4G/4G+ têm ainda muito potencial por explorar que ainda pode ser largamente aproveitado durante os próximos anos.

2 Tem havido alguma pressão para o lançamento urgente de redes 5G na União Europeia para manter a sociedade e indústrias europeias na linha da frente no que respeita a esta competição global de introdução da rede 5G, uma vez que esta é uma alavanca muito importante para a competitividade. No entanto, é importante realçar que estes são objetivos bastante ambiciosos e que a entrega faseada desta tecnologia e da standardização é um processo necessário, mas que não irá permitir cumprir a totalidade das expectativas inerentes ao 5G de forma imediata. Aliás, como já referido anteriormente, os utilizadores ainda não retiram total partido da tecnologia agora disponível, e o investimento nesta está longe de estar amortizado. A MEO já efetuou demonstrações públicas com sistemas e serviços 5G – durante a Web Summit, por exemplo – e é de admitir que todos os operadores em Portugal venham a ter pilotos e implementações pontuais nos próximos dois anos. Temos, inclusive, o objetivo de proceder ao lançamento comercial deste serviço já em 2019. No entanto, consideramos que apenas a partir de 2022 venhamos a assistir a implementações de maior dimensão, altura em que também o serviço 5G começará a estar disponível em larga escala e em que efetivamente vai dar resposta a necessidades que, à data de hoje, ainda não se verificam no mercado.

João Nascimento: Chief Technology Officer (CTO) da Vodafone Portugal

1 O lançamento do 5G deverá começar a acontecer na segunda metade de 2019 e, nesse sentido, vai ser um ano importante por várias razões. Além do 5G ficar fechado do ponto de vista de especificações, durante o próximo ano vai ser possível explorar as potencialidades da quinta geração móvel. Ao dia de hoje, grande parte das ideias e use cases que existem já podem ser testados, ou, pelo menos, prototipados, na rede 4G e 4.5G da Vodafone. Acreditamos que, antes da tecnologia estar pronta, faz sentido testar ideias e conceitos para, assim, contribuir para o desenvolvimento da própria tecnologia.

2 Nos últimos cinco anos, a Vodafone pôs em marcha um ambicioso plano de investimento que atingiu mais de mil milhões de euros. Uma parte relevante desse investimento foi direcionado para a modernização gradual da nossa rede móvel, tornando-a 5G ready – com a instalação de equipamentos que, além de servirem as tecnologias atuais, terão a capacidade de serem configurados por software para 5G. Em conjunto com a Ericsson e a Qualcomm, já realizámos a primeira ligação 5G com smartphone em Portugal e a primeira conferência imersiva em realidade virtual entre o nosso país e os Estados Unidos. No ano passado, em outubro, a Vodafone já tinha sido pioneira ao realizar os primeiros testes em laboratório de 5G em Portugal, tendo sido atingidas velocidades de 20Gbps over the air, ou seja, sem recurso a ligação por cabo. É, por isso, com toda a convição que dizemos que a rede da Vodafone está preparada para responder às exigências que o 5G vai colocar quando a tecnologia se tornar uma realidade.

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