PSD critica Governo. “Dezenas de milhares de alunos sem professores”

O presidente do PSD, Luís Montenegro, acusou hoje o Governo de ser responsável por haver, no início do ano letivo, “dezenas de milhares de alunos com falta de professores”.

“De uma forma global, a verdade é que haverá umas dezenas de milhares de alunos que vão iniciar o ano escolar sem professores, pelo menos a uma disciplina, que foi uma das marcas dominantes do último ano letivo”, afirmou o líder social-democrata, em declarações aos jornalistas.

Para Luís Montenegro, que hoje visitou uma escola em Cinfães, no norte do distrito de Viseu, “é lamentável e muito reprovável que o Governo não tenha aproveitado aquilo que aconteceu no ano passado, para prevenir que a situação se pudesse repetir [este ano letivo]”.

“É preciso que o Ministério da Educação e o Governo encontrem soluções para este problema”, acentuou.

O líder da oposição esteve na Escola Básica 2,3 de Cinfães, onde falou com diretores e professores, que alertaram para a dificuldade de transportes dos alunos devido aos horários dos autocarros.

“No caso específico de Cinfães e das terras do interior, há necessidade de atender a circunstâncias, como o transporte de alunos e o tempo em que ficam retidos nas escolas”, anotou aos jornalistas, defendendo a necessidade de a tutela “tratar com alguma especificidade aquilo que no território são diferenças de circunstâncias, face àquilo que acontece nos grandes centros urbanos”.

Na conversa com os diretores do estabelecimento, foi também sinalizado o caso de haver, naquela escola de Cinfães, vários docentes, nomeadamente da cidade de Viseu, obrigados a fazer deslocações diárias de uma centena de quilómetros.

“Alguma coisa tem de se fazer em Portugal, nomeadamente, no ponto de vista do PSD, dando mais autonomia às escolas para que esse tipo de situação possa ter uma resposta mais efetiva e que possa, por essa via, chamar-se mais licenciados à atividade docente, com formação pedagógica”, defendeu.

Para Luís Montenegro, “faz sentido que as carreiras docentes sejam atrativas”.

“Isso significa que possam ter uma boa perspetiva de progressão, mas também alguma viabilidade naquilo que é uma dinâmica normal de qualquer cidadão”, referiu, prosseguindo: “Se um professor ganha mil e qualquer coisa euros, mas tem despesas, só de deslocação e alimentação, que quase cobrem a totalidade do seu rendimento, ele fica com um rendimento disponível muito limitado e, portanto, isso não é atrativo”.

Montenegro alertou, por outro lado, para as dificuldades observadas nos processos de recuperação da aprendizagem, na sequência da pandemia.

“Houve muitos alunos que tiveram dificuldades com o ensino à distância. Há um programa de recuperação de aprendizagens que já deveria a estar implementado, cujos resultados já deviam estar a ser conhecidos. Aquilo que nos vão dizendo é que há muitos alunos que ainda não recuperaram desse prejuízo e isso penaliza muito a igualdade de oportunidades”, concluiu.

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