PSD diz que “seria catástrofe” PS fazer a regionalização como fez a descentralização

Para além das críticas feita ao Executivo de Costa, Montenegro disse que tinha por objetivo de meio prazo, enquanto presidente do PSD, criar um programa de captação de imigrantes.

Cristina Bernardo

O presidente do PSD defendeu hoje que “seria uma catástrofe” o Partido Socialista fazer com a regionalização com o que fez com a descentralização de competências e que “nesta altura” a discussão sobre aquela reforma administrativa “não é oportuna”.

“Se aquilo que nós podemos esperar do Partido Socialista [para] tratar da regionalização for aquilo que o Partido Socialista fez com a descentralização, eu acho que não há ninguém que defenda a regionalização, porque então isso seria uma catástrofe, seria uma catástrofe”, defendeu Luís Montenegro, no Porto, a discursar num jantar de sócios da Associação Comercial o Porto.

O líder do PSD teceu várias críticas à forma como decorreu o processo de descentralização de competências da Administração Central para os municípios, fazendo um paralelismo com o que poderia acontecer com uma reforma administrativa mais ampla.

“Para haver um processo de regionalização é preciso saber que regionalização é que se quer. Onde é que está a lei de competências que vai corporizar o poder regional e onde é que está a lei de Financiamento que vai assegurar os meios para poder haver regiões de facto com capacidade de intervenção? É que se quiserem fazer às regiões aquilo que estão a fazer aos municípios, então desculpem lá, então eu sou até mesmo contra a regionalização”, disse.

Sobre o referendo à regionalização, Montenegro remeteu para a consulta popular para uma próxima legislatura.

“Numa conjuntura onde a incerteza é muita, pandemia, guerra, inflação, carestia de vida a um nível de facto que não era pensável há alguns anos atrás, um processo de descentralização que é um logro, que é um fracasso, que é uma expressão de incompetência, colocar a regionalização nesta altura a referendo era o melhor passo para não haver regionalização”, alertou.

 

Montenegro aponta como “grande prioridade” criar programa de captação de imigrantes 

O presidente do PSD apontou hoje como “grande prioridade” para o médio prazo criar um “verdadeiro programa nacional” de captação, acolhimento e integração de imigrantes para fazer face à crise demográfica em Portugal.

“Do meu ponto de vista, se tivesse que vos elencar a grande prioridade que eu vejo no médio prazo, eu investiria em conseguir, enfim, de alguma maneira de desenhar e ter depois o apoio social e político para o incrementar um programa [de captação de imigrantes] desta envergadura”, apontou Luís Montenegro, no Porto, a discursar num jantar da Associação Comercial da cidade.

O líder do PSD salientou que “se não houver um verdadeiro pacto nacional para se poderem nos próximos anos desenvolver mecanismos de atração de mão-de-obra, de pessoas, e quanto mais novas, melhor”, a questão não se vai resolver por “obra mágica de alguém”.

“Por isso eu tenho defendido (…) Nós temos de não perder mais tempo em definir, criar, implementar um verdadeiro programa nacional de captação, acolhimento e integração de imigrantes”, disse.

A Demografia, para o líder do PSD, “é um problema” que se “está a negligenciar” em Portugal ao qual é preciso dar atenção.

“Nós não vamos ter outra saída nos próximos 20, 30 anos, que não seja conseguirmos atrair mão-de-obra qualificada, fixar o talento que somos capazes de criar, mas depois captar talento, atrair talento, atrair pessoas de várias qualificações para poderem hoje suprir as necessidades de mão-de-obra que são transversais a todos os setores de atividade”, alertou.

O futuro de Portugal passa também, segundo Luís Montenegro, pela capacidade de gerar riqueza, algo que acusou o PS de não estar a conseguir, apesar ser um partido “hoje quase hegemónico do ponto de vista da sua amplitude de intervenção”.

“É o partido dominante, é o partido que detém efetivamente o poder de conduzir a governação que detém uma maioria absoluta no Parlamento, que detém a maior representação no Parlamento Europeu, que detém o maior número de presidências da Câmara Municipal, que detém o maior número de presidências das juntas de freguesia e que detém, a maior parte dos setores da administração desconcentrada e também da administração centralizada em Portugal”, descreveu.

No entanto, disse, “a verdade é que, infelizmente, hoje o quadro é um quadro de empobrecimento generalizado do país e não é por causa da pandemia e não é por causa da guerra”.

Por isso, Montenegro voltou a insistir que o PS “não está a conseguir ser merecedor da confiança que lhe foi depositada”.

“É verdade também que nos últimos meses a situação se agravou muito e agravou se de tal maneira que nós temos a sensação que o Governo, que foi investido há cerca de meio ano, ganhou eleições ainda não fez um ano, parece que já está em fim de mandato, em final de ciclo, como se costuma dizer, tal é a incapacidade de mudar as coisas”, apontou.

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