PSI 20 contraria Europa e fecha em queda, com a Pharol a pesar

Na Europa, o principal evento do dia são as eleições na Catalunha, onde a votação para o governo regional (Generalitat) decorre sem incidentes.

Reuters

A Bolsa de Lisboa fechou esta quinta-feira com perdas, a contrariar o sentimento na Europa. Apesar de as eleições na Catalunha perspetivarem instabilidade nos mercados, a generalidade das bolsas europeias valorizou, enquanto o euro desvaloriza face ao dólar.

O PSI 20 deslizou 0,07% para 5.402,97 pontos, com 12 cotadas no vermelho e quatro no verde. “Esta underperformance é explica pelo recuo da Pharol e dos CTT, que ontem tinham contribuído positivamente para o desempenho do PSI20, que conseguiu limitar as perdas”, explicaram os analistas do BPI.

As ações da Pharol tombaram 4,30% para 0,267 euros, enquanto os CTT caíram 1,29% para 3,608 euros. Apesar do entusiasmo de ontem com o plano de reestruturação do operador postal, o Caixa BI avaliou o plano como de difícil execução e que pode enfrentar pressão política.

“Um outro fator que explica as perdas do mercado nacional foi a debilidade do grupo EDP. Ontem ao final do dia, a EDP Renováveis informou o mercado que a sua unidade brasileira ganhou, num leilão realizado neste país, a adjudicação de contratos de aquisição de energia a 20 anos para a produção de 218 megawatts de energia eólica”, referiram.

Na energia, o dia foi misto, com a EDP (0,24%), a EDP Renováveis (0,34%) e a EDP Renováveis (0,04%) a fecharem no vermelho. Por outro lado, a Galp valorizou 0,48% para 15,595 euros. Ainda no verde, fecharam a Jerónimo Martins (1,89%) e a Corticeira Amorim (0,74%).

“Após as recentes quedas, os mercados europeus terminaram o dia em alta. Neste contexto, as razões para a subida deverão ter sido de natureza mais técnica. Durante a sessão assistiu-se a uma diminuição dos volumes transaccionados, fruto da aproximação da quadra natalícia”, acresceram os analistas do BPI.

O índice Stoxx 50 subiu 0,53%, o espanhol IBEX 35 avançou 1%, o alemão DAX ganhou 0,27%, o francês CAC 40 valorizou 0,27% e o britânico FTSE 100 ganhou 1,04%.

Na Europa, o principal evento do dia são as eleições na Catalunha, onde a votação para o governo regional (Generalitat) decorre sem incidentes. As eleições para eleger a nova composição do Parlamento catalão – com 135 deputados – foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, a 27 de outubro, depois da Generalitat, então chefiada por Carles Piudgemont, ter realizado um referendo que convocava os catalães a escolher entre a independência da região e a permanência no Estado espanhol.

Madrid nunca apoio a realização do referendo e serviu-se da Constituição de 1978 para “mandar abaixo” Puidgemont. As eleições da região autónoma da Catalunha desta quinta-feira são, por isso, cruciais para determinar se o ímpeto independentista, que culminou no referendo de 1 de outubro e na consequente prisão de líderes políticos catalães e auto-exílio de Puidgemont na Bélgica, termina ou não.

[Notícia atualizada às 17h30 com comentário]

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