PSI 20 fecha em queda com BCP a castigar

Ações do banco português acompanharam quedas no setor na Europa, num dia em que a AG aprovou o aumento do limite de votos para 30%.

A Bolsa de Lisboa encerrou a cair 0,17%, pressionada pelo Millennium bcp em dia de Assembleia Geral, enquanto as ações da retalhista Jerónimo Martins também estiveram no vermelho, numa sessão em que as praças europeias não demonstraram uma direcção clara.

Os acionistas do BCP aprovaram o aumento do limite dos direitos de voto de 20% para 30%, uma das condições exigidas pelos chineses da Fosun para entrarem no capital do banco liderado por Nuno Amado.

Este ponto, que era o único a votação nesta assembleia geral de acionistas, foi aprovado com 99,7% dos votos presentes, dando os trabalhos por encerrados da reunião geral em menos de 20 minutos.

Uma nova medida fiscal do Governo espanhol para 2017, para ajudar a conter o défice, está na origem da saída repentina do Sabadell do capital do BCP, que provocou fortes quedas na cotação do banco português (chegou a cair mais de 11%) na semana passada.

No dia 3, o Governo espanhol publicou em Diário Oficial uma alteração que limita as deduções fiscais para investimentos desvalorizados, com efeitos retroativos a 2013. A lei entra em vigor a 1 de Janeiro. O Sabadell poupou 200 milhões de euros de impostos que teria de pagar, só por se ter livrado das ações do BCP.

A queda do BCP acompanhou o sentimento negativo na banca europeia. O índice europeu STOXX 600 Banks fechou a perder 1,72%, com destaque para o tombo de quase 10% do italiano  Monte dei Paschi di Siena,  depois de anunciar a venda de ações a investidores institucionais até quinta-feira.

A pressionar a praça de Lisboa esteve ainda a Jerónimo Martins, que recuou 2%. A Galp, que informou hoje o mercado sobre a aprovação do investimento na área de Coral Sul, o primeiro projecto de desenvolvimento relacionado com as descobertas realizadas na bacia do Rovuma em Moçambique, acabou a sessão com perdas de 1,56%.

No lado dos ganhos, a REN esteve em destaque com uma subida de 1,7% depois de ter anunciado hoje a aquisição de 42.50% do capital social da Electrogas S.A. à ENEL Generación Chile S.A., pelo preço de 180 milhões de dólares. A Electrogas S.A. detém um gasoduto na zona central do Chile com 165,6 Km de comprimento.

“A REN procura assim cumprir um dos seus objetivos de médio e longo prazo ao adquirir uma participação relevante num ativo enquadrado num dos setores onde detém ampla experiência e num país com uma economia estável e competitiva”, explicou a REN, em comunicado divulgado no site da CMVM.

A EDP Renováveis avançou 2,24% para 5,8780 euros , equilibrando perdas maiores no índice luso. A Mota-Engil e a Sonae também negociaram positivos, e somaram 2,31% e 2,24%, respetivamente.

Os mercados europeus negociaram mistos depois de duas semanas seguidas de ganhos. O alemão DAX acabou a sessão a ganhar 0,20%, enquanto o parisiense CAC recuou 0,22%. Também o Euro Stoxx 50 finalizou o dia no vermelho.

No mercado petrolífero a tendência é mista. O Brent perde 0,29% para 55.04 dólares para o barril, enquanto o de crude ganha 0,32% para 53.12 dólares.

No mercado cambial, o euro cai 0,24% para 1,0425 dólares e a libra esterlina recua 0,66% para 1,2410 dólares.

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Dos quinze títulos apenas três fecharam em alta em Lisboa. Lá fora, “o ambiente de contestação social que se vive na China, onde se intensificam os protestos contra a política de Covid zero, está a gerar desconforto aos investidores e que desta forma descontam o mesmo nas bolsas”, realça o analista da MTrader.

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