PSI cai em agosto 2,1% face a julho, mas regista um aumento anual de 7,6%

No mês de agosto, das 15 (quinze) sociedades que integram o PSI, apenas 3 (três) tiveram crescimento positivo das  cotações e 12 (doze) sofreram diminuição de valor. A banda de variação mensal oscila entre 9,3% da Greenvolt e -9,6% da Sonae SGPS.

A análise da Maxyield – Clube dos Pequenos Acionistas revela que o PSI apresenta em agosto uma diminuição mensal de -2,1% e um aumento anual de 7,6%. O PSI termina o mês de agosto com o valor de 5.995,2 pontos. A Maxyield destaca o contexto de forte resiliência e volatilidade do índice de referência bolsista do país.

No mês de agosto, das 15 (quinze) sociedades que integram o PSI, apenas 3 (três) tiveram crescimento positivo das  cotações e 12 (doze) sofreram diminuição de valor. A banda de variação mensal oscila entre 9,3% da Greenvolt e -9,6% da Sonae SGPS.

As três cotadas com crescimento mensal das cotações foram  a Greenvolt (9,3%), a Galp (5%) e o  BCP (0,5%).

Já as doze sociedades com quebras mensais na sua cotação foram a Sonae SGPS (-9,6%), a EDP Renováveis (-4,5%), a REN (-4,5%), a Corticeira Amorim (-3,3%). a EDP (-3,6%), a CTT (-2,5%), a Mota-Engil (-2,3%) a Je rónimo Martins (-2,3%), a Altri (-2,3%), a Semapa (-2%), a Navigator (-1,7%) e a NOS (-0,6%).

“O PSI manteve-se na faixa de variação [5.750 – 6.300], reportando-nos para níveis atingidos à 7 anos”, refere a Maxyield.

À semelhança do comportamento anual, verificou-se uma forte variabilidade na trajetória mensal do PSI, marcado  por forte crescimento no primeiro 1/3 do mês e grande quebra na última semana de agosto, segundo a mesma análise.

Quando se traça a evolução do PSI face a 31 de dezembro de 2021, verifica-se que apresenta no final de agosto um crescimento anual de 7,6%, com 10 (dez) cotadas em trajetória positiva, 4 (quatro) em perda de valor e 1 (uma) com cotação inalterada.

A banda de evolução anual é bastante ampla, oscilando entre 51,8% da Greenvolt na polaridade positiva e -28,6%  dos CTT no patamar negativo.

As dez sociedades com variação anual positiva foram a Greenvolt (51,8%), a Galp (26,7%), a Semapa (19,7%), a  Navigator (18,1%), a EDP Renováveis (10,4%), a Jerónimo Martins (10%), a NOS (7,6%), a REN (3,7%), o BCP (3,1%) e a Altri (0,4%).

Com desempenho anual negativo encontram-se os CTT (-28,6%), a Corticeira Amorim (-10,8%), a Mota-Engil (-6%) e a EDP (-1,4%) e a Sonae SGPS manteve a sua cotação inalterada.

Este mês de setembro é esperado o pagamento intercalar de dividendos pela Galp.

Agosto nos mercados internacionais 

O índice S&P 500 composto pelas maiores 500 sociedades cotadas na NYSE, após atingir em 4 de janeiro o valor  máximo de sempre e entrar em bear market (tendência de queda prolongada) no mês de junho, apresentou em agosto uma diminuição de -4% e uma  diminuição anual acumulada de -17%.

Já o índice Stoxx 600 que agrega as 600 maiores sociedades cotadas europeias, que atingiu em 5 de janeiro o valor  máximo histórico4, sofreu em agosto uma diminuição de -5% e uma baixa anual acumulada de -15%.

A associação diz ainda que o desempenho negativo do S&P 500 e Stoxx 600 em agosto vai em sentido idêntico, “invertendo a evolução positiva  do mês de julho proporcionada pela earning season”.

O índice tecnológico americano Nasdaq que entrou em bear market no mês de abril, “após a notável recuperação  de julho resultante da boa earning season, voltou a regredir em torno de -5% no mês de agosto”.

As bolsas dos diversos países europeus apresentam uma evolução bastante diferenciada diz a Maxyield, sendo que os índices alemão DAX30 (entrou no final de junho em bear market) e o francês CAC40 são aqueles que sofreram uma quebra  mais acentuada.

É de referir que o índice espanhol IBEX 35 e o londrino FTSE 100, ainda não atingiram os valores anteriores ao crash  de 2020.  O mercado espanhol (IBEX 35) com uma diminuição anual de -9%, continua cada vez mais afastado da praça de  Lisboa, frisa a Maxyield.

Com exceção da China (devido ao efeito das políticas de confinamento no combate à pandemia), os índices asiáticos apresentam  um comportamento mensal positivo, com particular destaque para a Coreia do Sul e Japão que cresceram 1% (KOSPI  e TOPIX).

Já o índice russo MOEX sofreu um aumento mensal de 8% e apresenta uma quebra anual de -38%, “a qual incorpora os  efeitos na economia do país resultante da invasão à Ucrânia e sanções internacionais”, diz a associação.

Outlook da Maxyield 

A associação traça uma perspetiva económico e bolsista para os próximos meses. “O mercado de capitais, vai continuar a ser marcado pelas pressões inflacionistas, aumento das taxas de juro e  arrefecimento económico”, defende.

A persistência das pressões inflacionistas está a arrastar o aumento do nível geral de preços para um patamar  próximo de 2 dígitos, sendo esperados novos aumentos das taxas de juro de referência no decurso do mês de  setembro, por parte das autoridades monetárias designadamente FED, Banco Central de Inglaterra e BCE, diz a Maxyield.

“É cada vez mais pertinente avaliar se na atual conjuntura se é possível travar a inflação, sem provocar uma recessão na economia americana e europeia.   Por outro lado, a atual crise não se localiza apenas do lado da Procura, pois incorpora importantes questões do  âmbito da Oferta, relativamente à qual as tradicionais políticas de intervenção necessitam dum horizonte temporal  mais alargado para produzir efeitos”, acrescenta.

A Maxyield diz que estes perigos não existem em Portugal para 2022, pois a economia deverá apresentar um crescimento robusto, cujas estimativas mais recentes de entidades internacionais e nacionais se situam em torno de 6,5%, devido ao  impulso do consumo privado apoiado pela normalização taxa de poupança das famílias, à alavancagem do  investimento pelo PRR e à recuperação do turismo para o nível pré-pandemia.

No entanto, “em 2023 Portugal regressa a uma baixa trajetória de crescimento, sendo que a inflação, os preços da  energia, as disfunções na cadeia de abastecimentos, o aumento das taxas de juro e a bolha imobiliária, são riscos  que não podem ser subvalorizados”.

Os índices bolsistas já incorporam parcialmente alguns efeitos macroeconómicos deste Outlook, refere a associação.

“A nível nacional são legítimas as interrogações sobre a capacidade de resiliência do PSI até ao final do ano e a  persistência duma evolução em contraciclo com os mercados internacionais”, considera a Maxyield.

A associação de pequenos acionistas alerta que a atividade das maiores sociedades do PSI vai ser influenciada pelo arrefecimento económico internacional, devido  ao peso da internacionalização nos seus negócios.

Pelo contrário, a atividade das sociedades do PSI com atividade concentrada no mercado doméstico, será  potenciada pela favorável conjuntura económica do país em 2022, defende,

“A evolução do PSI poderá ser influenciada por estes dois efeitos de sentido inverso e pelo grau de volatilidade”, prevê a mesma análise.

“Neste contexto, estaremos confrontados pela entrada do PSI na faixa de variação [6.300 – 7.750] ou manutenção  na faixa [5.750 – 6.300]”, refere a Maxyield.

A entrada na faixa de variação [6.300 – 7.750] significa que o PSI se manterá ao nível de máximos de 2014-2015 e  numa significativa tendência ascensional, contextualiza o clube de pequenos acionistas.

Já “a manutenção na faixa [5.750 – 6.300] significa que o índice PSI se manterá a nível de 2016 – 2018, com o perigo de  regressão e quebra da zona de suporte, ao encontro daquele que sempre vem e se esconde na sucessão de picos e  vales dos períodos longos de variação: o bear market”, acrescenta.

A associação liderada por Carlos Rodrigues diz que “no fundo, estaremos perante o pesadelo da histórica intermitência alternando anualmente variações positivas e  negativas, com fraca correlação com a evolução do PIB, ou romper com esta tradição dos últimos 10 anos”.

Os price targets da generalidade das sociedades cotadas “não afastam estas dúvidas, pelo que estamos perante  tempos desafiantes para a evolução do PSI e verificação se o novo índice, batizado no mês de março, continua  sujeito a bear`s market de periodicidade bianual ou interrompe esta tendência”, conclui.

 

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