PSI cai em linha com Europa. Greenvolt e BCP lideram perdas

Dos quinze títulos apenas três fecharam em alta em Lisboa. Lá fora, “o ambiente de contestação social que se vive na China, onde se intensificam os protestos contra a política de Covid zero, está a gerar desconforto aos investidores e que desta forma descontam o mesmo nas bolsas”, realça o analista da MTrader.

O PSI caiu 1,01% para 5.818,76 euros com as ações da Greenvolt e do BCP a liderarem as perdas. A empresa de energia caiu 2,72% para 7,87 euros; e o banco recuou 2,12% para 0,1521 euros.

A EDP perdeu 1,99% para 4,39 euros; a EDP Renováveis fechou a cair 1,95% para 22,15 euros; a REN caiu 1,55% para 2,535 euros; a Altri perdeu 1,53% para 5,46 euros; a Sonae desceu 1,35% para 0,9500 euros; e a Mota-Engil também se destacou ao cair 1,60% para 1,230 euros.

Dos quinze títulos apenas três fecharam em alta. A maior subida coube à Jerónimo Martins (+0,85% para 21,42 euros). Seguiu-se a Semapa a ganhar 0,42% para 14,30 euros e a NOS que valorizou 0,42% para 3,88 euros.

Na Europa, dominaram as quedas dos índices. O analista do Millennium BCP, Ramiro Loureiro, escreve na sua análise que “a generalidade dos principais índices de ações europeus encerrou em baixa, num sentimento negativo que se faz sentir também em Wall Street”.

“O ambiente de contestação social que se vive na China, onde se intensificam os protestos contra a política de Covid zero, está a gerar desconforto aos investidores e que desta forma descontam o mesmo nas bolsas”, realça o analista da MTrader.

Hoje a bolsa de Hong Kong abriu a cair mais de 3%, na sequência de manifestações em várias cidades chinesas contra a rígida política de “zero covid” de Pequim.

“Os sectores cíclicos acabam por ser mais castigados, enquanto os defensivos como Farmacêutico e de Alimentação conseguiram escapar às perdas”, conclui.

Segundo dados da Bloomberg e da MTRader, o EuroStoxx 50 caiu 0,68% para 3.935,5 pontos. Em Londres o FTSE 100 recuou 0,17% para 7.474,02 pontos. Já o CAC 40 perdeu 0,70& para 6.665,2 pontos; o DAX caiu 1,09% para 14.383,4 pontos; o FTSE MIB desceu 1,12% para 24.440,9 pontos e o IBEX fechou a cair 1,11% para 8.323,2 pontos.

Em termos macroeconómicos destaque para o facto de o holandês Klaas Knot, membro do BCE, ter dito que o ciclo de subidas das taxas de juro ainda não está perto de terminar, apesar das projeções verem a inflação a aproximar-se da meta dos 2% em 2024.

Também hoje, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que ficaria “surpreendida” se a inflação da zona euro já estivesse no pico, pela “grande incerteza” económica, classificando as taxas de juro como “principal instrumento” de combate.

O euro cai 0,18% para 1.0378 dólares.

O mercado de obrigações soberanas regista uma subida generalizada das yields. A dívida alemã a 10 anos sobe 1,37 pontos base para 1,99%. Portugal agrava o prémio de risco ao ver os juros subirem 3,32 pontos base para 2,92%; tal como Espanha que vê os juros agravarem 3,74 pontos base para 2,98% e Itália onde os juros pulam 5,92 pontos base para 3,90%. A Grécia segue a tendência ao ter os juros a agravarem 5,02 pontos base para 4,19%.

Ao contrário, o petróleo está em trajetória descendente. O Brent recua 0,37% para 83,32 dólares o barril, de acordo com  a Bloomberg e a MTRader.

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