Bolsa de Lisboa com o pior desempenho desde março de 2020. BCP afunda mais de 11% no Dia de Portugal

O PSI encerrou a sessão com perdas de 3,39%. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou ontem que os bancos enfrentam agora um maior risco de crédito.

Andrew Kelly/Reuters

A bolsa de Lisboa teve hoje, no Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, a maior queda desde o 18 de março de 2020, num dia pesado para o BCP.

O PSI encerrou a sessão com perdas de 3,39% (6.087,96 pontos), com o banco liderado por Miguel Maya a afundar 11,33% para 0,173 euros.

No sector energético, a Greenvolt caiu 6,67% para 7,00 pontos, a Galp desvalorizou 3,31% para 12,405 euros; quanto à família EDP, a holding caiu 1,17% para 4,657 pontos e a Renováveis perdeu 1,12% para 22,93 euros.

Os CTT e a Altri afundaram, respetivamente, 6,50% para 3,45 euros e 4,18% para 6,185 euros.

A Sonae, a NOS e a Jerónimo Martins caíram 2,85% para 1,091 euros, 2,35% para 3,824 euros e 0,65% para 18,42 euros, pela mesma ordem.

O sentimento negativo foi transversal a todas as praças europeias, com a banca a sair fortemente penalizada na sequência das declarações de Christine Lagarde, que alertou que o ambiente para a estabilidade financeira e os bancos enfrentam agora um maior risco de crédito.

O espanhol IBEX 35 caiu 3,68% para 8.390,60 pontos, o alemão DAX perdeu 3,08% para 13.761,83 pontos, o britânico FTSE recuou 2,12% para 7.317,52 pontos e o francês CAC perdeu 2,69% para 6.187,23 pontos.

“O ambiente para a estabilidade financeira piorou desde a nossa última revisão em dezembro de 2021, especialmente no curto prazo”, disse ontem Christine Lagarde, durante a conferência de imprensa, após a reunião de política monetária do Conselho de Governadores.

A responsável do banco central explicou que em causa, em particular, está o menor crescimento e as crescentes pressões sobre os custos, bem como o aumento das taxas isentas de risco e das taxas de rendibilidade das obrigações soberanas, que poderão levar a uma maior deterioração das condições de financiamento pelos mutuários.

“Ao mesmo tempo, condições de financiamento mais restritivas podem reduzir algumas vulnerabilidades de estabilidade financeira existentes no médio prazo”, acrescentou.

Em maio, a taxa de inflação nos Estados Unidos ascendeu a 8,6%, acima dos 8,3% registados em abril e atingindo o valor mais elevado dos últimos 40 anos.

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