PSI fecha em mínimos com Europa em queda em dia de embargo ao petróleo russo

“As bolsas europeias encerraram em baixa, com quedas transversais à grande maioria dos setores. O Energético esteve do lado dos ganhos, mas a subida foi ténue, apesar da escalada superior a 3% dos preços do petróleo nos mercados internacionais”, diz o analista da MTrader. Os juros soberanos dispararam hoje.

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O PSI fechou a cair 0,88% para 5.831,68 pontos acompanhando a tendência das restantes bolsas europeias. Com apenas três títulos a fechar no verde, o PSI foi dominado pelo encarnado das restantes 12 cotadas.

Dos três títulos em alta o destaque vai claramente para as ações da Corticeira Amorim, que um dia depois de reportar  que em termos consolidados, os lucros atingiram os 20,1 milhões de euros, mais 26% do que no mesmo período do ano passado, enquanto as vendas aumentaram 32% para 263,5 milhões de euros, tendo beneficiado da consolidação da transalpina Saci, que é detido em 50% pelo grupo português desde 1 de janeiro.

As ações da Corticeira Amorim subiram 6,63% para 10,46 euros. Hoje a Corticeira Amorim anunciou que constituiu, através da sua unidade Amorim Bartop, uma joint-venture, chamada Elfverson – Investimentos e Participações. Esta joint-venture é detida em partes iguais pela Amorim Bartop e pela J.C Ribeiro e estará dedicada a rolhas capsuladas.

Os outros dois títulos que subiram foram a NOS (+0,99% para 4,09 euros) um dia depois de ter reportado que os lucros subiram 34,6% para 41,1 milhões no primeiro trimestre e que o investimento cresceu quase 45% no trimestre, para 143,3 milhões de euros. Por fim a Altri subiu 0,85% para 6,51 euros, um dia depois de se saber que a empresa começa a pagar dividendo a 25 de maio.

Em queda os destaques vão para as ações da Galp (-2,10% para 10,97 euros); para a GreenVolt (-2,04% para 6,72 euros); e para o BCP (-1,95% para 0,1461 euros) que hoje está a realizar a sua Assembleia Geral anual tendo a esta altura já sido aprovado o ponto 1, relativo às contas, sem votos contra. O ponto 2 é a distribuição de resultados, o banco avança com a proposta de um dividendo moderado (0,09 cêntimos por ação).

O CaixaBank/BPI emitiu uma nota onde estima que BCP tenha fechado o trimestre com lucros de 95 milhões de euros.

A Jerónimo Martins perdeu 1,49% para 19,82 euros; a EDP recuou 1,41% para 4,33 euros; a Sonae fechou em queda de 1,15% para 1,0290 euros; a Navigator caiu 1,11% para 3,91 euros; a EDP Renováveis que hoje apresentou os resultados do trimestre, caiu 1,02% para 21,37 euros.  A EDP Renováveis aumentou os lucros em 75% no primeiro trimestre para 66  milhões, período em que as receitas cresceram 27% para 569 milhões de euros.

Destaque ainda para a Semapa que caiu 1,06% para 13,02 euros.

Na Europa dominou o terreno negativo. O EuroStoxx 50 caiu 0,88% para 3.728,05 pontos e o Stoxx Europe 600 recuou 1,04%. O FTSE 100 em Londres desceu 0,90% para 7.493,5 pontos; o CAC 40 fechou a cair 1,24% para 6.395,7 pontos; o DAX recuou 0,49% para 13.970,8 pontos; o FTSE MIB fechou a descer 1,40% para 23.02 pontos e o IBEX caiu 1,04% para 8.500,5 pontos.

A nível empresarial destaque para o grupo Volkswagen que duplicou no primeiro trimestre do ano o lucro líquido atribuído para 6.555 milhões de euros, “apesar de um ambiente global difícil”, anunciou a empresa.

A alemã Volkswagen revelou esta quarta-feira que o resultado operacional ascende a 8.323 milhões de euros (73%) e a rentabilidade disparou para 13,3%. Mas as ações caíram 1,12%.

“As bolsas europeias encerraram em baixa, com quedas transversais à grande maioria dos setores. O Energético esteve do lado dos ganhos, mas a subida foi ténue, apesar da escalada superior a 3% dos preços do petróleo nos mercados internacionais”, refere a análise do analista de mercados do BCP, Ramiro Loureiro.

“Os investidores estão a digerir as sanções recentemente anunciadas pela UE contra Moscovo, que incluem uma saída gradual das importações de crude russo e a extensão da proibição SWIFT ao Sberbank, o maior banco russo, aumentando ainda mais o isolamento do Kremlin do sistema financeiro internacional. A UE diz que porá fim às importações de petróleo no prazo de seis meses, e às importações de produtos refinados até ao final de 2022”, destacam os analisas da XTB.

O analista do Millennium BCP, por sua vez, destaca que “os investidores mostraram grandes cautelas uma vez que preferem aguardar pelas decisões de política monetária da Fed pelas 19 horas (hora de Lisboa), onde se espera um aumento de 50 bps na taxa de juro, mas acima de tudo se aguardam sinais sobre o ritmo de subida de juros que o banco central norte-americano quer impor para o resto do ano para conter o atual pico de inflação”.

“Entretanto a revelação de que a atividade nos serviços dos EUA abrandou inesperadamente o ritmo de expansão em abril trouxe pressão adicional, tal como reações negativas a algumas contas empresariais em Wall Street e que levam a quedas significativas em cotadas como Lyft e Uber”, refere o analista da MTrader.

O barril do Brent que serve de referência na Europa está em alta, na sessão desta quarta-feira, depois de a Comissão Europeia ter proposto a proibição às importações de petróleo russo.

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em julho sobe nesta altura 3,8% para 108,96 dólares o barril. Nos Estados Unidos o crude West Texas avança 4,02% para 106,53 dólares.

“Os investidores de petróleo estiveram hoje atentos às notícias que têm saído da Europa, depois de ter sido aprovado o embargo ao petróleo russo. Este é um fator importante a médio e longo prazo para os preços do petróleo e está hoje a fazer com que os preços do petróleo continuem a subir. Entretanto, o relatório semanal do Departamento de Energia dos EUA sobre as variações nos inventários de petróleo e derivados acabou por ser divulgado e acabou por contradizer todos os dados apresentados ontem à noite divulgados pelo relatório do API”, refere a XTB.

A proibição foi avançada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que propôs a proibição das importações europeias de petróleo à Rússia, a concretizar gradualmente até final do ano devido à dependência de alguns países, na sequência da guerra na Ucrânia. A Comissão Europeia propôs hoje o embargo, mas a proposta tem de ser aceite por todos os 27 estados-membros.

O sexto pacote de sanções à Rússia hoje proposto pela Comissão Europeia, centrado na proibição gradual das importações de petróleo pelos Estados-membros até final do corrente ano, prevê uma derrogação de um ano suplementar para Hungria e Eslováquia.

Entretanto a Hungria já rejeitou a proposta de um embargo progressivo da União Europeia (UE) ao petróleo russo nos termos propostos pela Comissão Europeia, alegando que põe em causa a segurança energética do país.

“No último pacote de sanções, começámos com o carvão, agora estamos a abordar a nossa dependência do petróleo russo. Sejamos claros, não vai ser fácil alguns Estados-membros são fortemente dependentes do petróleo russo, mas temos simplesmente de trabalhar nesse sentido e propomos agora uma proibição do petróleo russo”, disse Ursula von der Leyen. “Vamos descomissionar o fornecimento de petróleo no espaço de seis meses e de produtos refinados até ao fim do ano”, disse Von der Leyen hoje no Parlamento Europeu.

Em termos macroeconómicos, a inflação homóloga no conjunto da OCDE subiu para 8,8% em março, mais um ponto percentual do que no mês anterior e o nível mais alto desde outubro de 1988, foi hoje anunciado.

Também houve dados hoje divulgados pelo Eurostat que revelam que as vendas a retalho aumentaram, em março, 0,8% na zona euro e 1,7% na União Europeia (UE) em comparação com o mesmo mês de 2021.

O euro sobe 0,21% para 1,0543 dólares.

O mercado de dívida pública volta a ver as obrigações alemãs a 10 anos a subirem 0,68 pontos base para 0,97%. Os juros da República Portuguesa disparam 3,47 pontos base para 2,10%; Espanha idem com os juros a subirem 4,25 pontos base para 2,06%. Itália então tem os juros a escalarem 7,47 pontos base para 2,95%.

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