PSI fecha em queda em linha com Europa. EDPs lideram perdas

As bolsas europeias encerraram na sua globalidade em baixa. Já o petróleo está em rota ascendente depois de a OPEP+ ter anunciado um corte agressivo na produção. Por sua vez as ‘yields’ da dívida a 10 anos estão em alta.

O PSI fechou esta quinta-feira em queda de 0,68% para 5.407,18 pontos. Em destaque nas perdas surge a EDP Renováveis, que desceu 1,82% para 21,55 euros, horas após anunciar a compra de 70% da empresa alemã Kronos Solar Projects, por 250 milhões de euros.

Por seu turno, a EDP recuou 2% para 4,41 euros. A Corticeira Amorim também se destacou nas quedas ao cair 1,74% para 9,02 euros. A Mota-Engil fechou a perder 1,46% para 1,078 euros e a REN também se salientou ao cair 1,02% para 2,430 euros.

Ainda que de menor dimensão também a queda do BCP não passou despercebida (-0,60% para 0,1315 euros).

No verde destaca-se a Altri que subiu 0,79% para 5,12 euros e a Navigator que avançou 0,51% para 3,54 euros. Só quatro títulos fecharam em alta.

Na Europa o mood foi de queda. O Eurostoxx 50 caiu 0,41% para 3.433,4 pontos e o Stoxx 600 perdeu 0,51%. O FTSE recuou 0,78% para 6.997,3 pontos; o CAC desceu 0,82% para 5.936,42 pontos; o DAX fechou em queda de 0,37% para 12.470,8 pontos; o italiano FTSE MIB perdeu 1,03% para 21.140,5 pontos; e o IBEX deslizou 0,91% para 7.511,1 pontos.

“As bolsas europeias encerraram na sua globalidade em baixa, no dia em que as atas de reunião de setembro do BCE revelaram que alguns membros até pensaram inicialmente em elevar a taxa de juro diretora em apenas 50 pontos base, mas que o consenso acabou por aderir à subida de 75pb que veio a ocorrer”, segundo a análise do Millennium BCP Investment Banking.

“Neste momento cresce o impulso para uma repetição da subida na próxima reunião, com os mais austeros a defenderem publicamente essa medida de forma a travar o atual recorde na inflação. O sector tecnológico até esteve motivado pela valorização das fabricantes de semicondutores, como ASMI, ASML ou STMI, e o automóvel também se mostrou em bom plano, sendo que a grande maioria dos setores encerrou em queda. A fazer manchetes esteve ainda a notícia de que a Europa aprovou formalmente o oitavo pacote de sanções à Rússia”, segundo a mesma análise do Mtrader.

Hoje foi notícia o potencial interesse da Generali na Brightsphere e o facto de a espanhola Sacyr explorar desinvestimentos para acelerar o seu plano estratégico.

O euro cai 0,91% para 0,9794 dólares.

Em termos macroeconómicos, salienta-se que a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional disse hoje que a situação económica mundial, potenciada pelo aumento da inflação “ainda vai piorar antes de melhorar”.

Também hoje a Comissão Europeia propôs um prolongamento do quadro temporário de ajudas estatais para os Estados-membros da União Europeia (UE) terem mais margem para compensar os altos preços da energia, dada a crise acentuada pela guerra da Ucrânia.

Em agosto de 2022, o volume do comércio a retalho aumentou 3,8% em Portugal, diminuiu 2% na zona euro e 1,3% na UE, em termos homólogos, segundo o Eurostat. Ou seja, as vendas do comércio a retalho recuaram, em agosto, na zona euro e na União Europeia, quer na comparação homóloga quer face a julho, de acordo com o mesmo organismo.

Por outro lado, o motor da economia alemã continua a dar sinais de fragilidade, com as encomendas às fábricas em agosto a recuarem 2,4% em agosto, uma queda que superou as estimativas dos economistas e surge depois de uma recuperação em julho. No mês anterior as encomendas tinham subido 1,9%. Estes dados validam a perspetiva que a economia alemã está à beira da recessão. Os institutos do país estimam uma contração de 0,4% no PIB de 2023.

A inflação nos Países Baixos disparou para 14,5% em setembro face ao mesmo mês do ano passado, o que representa um novo máximo histórico e compara com 12% em agosto. O forte agravamento da inflação foi impulsionado pelo disparo nos preços da energia, que aumentaram três vezes em termos homólogos, acentuando a alta que se verificava em agosto (151%).

O Brent sobe 0,51% para 93,85 dólares e o crude West Texas avança nesta altura 0,36% para 88,08 dólares.

Apesar de todo o lobby exercido pelos Estados Unidos e pelo Ocidente, a OPEP+ anunciou ontem o maior corte na produção em dois anos. A OPEP+ cumpriu a expectativa de reduzir as quotas de produção em 2 milhões de barris por dia, equivalente a 2% do total, por forma a responder à descida dos preços, subida das taxas de juro e expectativa de redução da procura devido ao abrandamento da economia mundial.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou hoje fortemente a queda drástica na produção de petróleo anunciada pela OPEP + em dois milhões de barris por dia, considerando-a como uma medida de “curto prazo”.

No mercado de dívida soberana regista-se um agravamento dos juros  a 10 anos. A dívida alemã sobe 5,26 pontos base para 2,08%; Portugal agrava os juros em 5,10 pontos base para 3,17%; Espanha também com os juros em alta de 4,11 pontos base para 3,28% e Itália vê os juros dispararem 4,54 pontos base para 4,51%, aproximando-se das yields gregas que estão em 4,75%.

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O banco liderado por Miguel Maya cessou o dia com ganhos de 1,23% para 0,1479 euros, seguido da NOS, com 1,21% para 3,83 euros. A Semapa terminou o dia a subir 1,90% para 13,98 euros.

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Assim, na abertura de Wall Street, o Dow Jones perde 0,62% para 34.217,92 pontos, o S&P 500 cede 0,69% para 34.217,92 pontos e o tecnológico Nasdaq recua 0,54% para 11.399,31 pontos. 

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O ranking mensal de aumento das cotações corresponde à Galp (14,7%), à Semapa (11,3%), ao BCP (5,7%), à EDP Renováveis (3,5%), à Greenvolt (3,2%), à EDP (2,1%), aos CTT (1,8%), à Mota-Engil (1,5%), à Jerónimo Martins (1%) e à Navigator (0,2%). 
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