PSI fecha em terreno negativo em contra-ciclo com o verde que dominou na Europa

A Bolsa de Lisboa fechou em contra-ciclo com as principais bolsas da Europa. Nem a subida das ações da Galp, depois de ser conhecido que a empresa considera venda das operações de upstream em Angola, aguentou o PSI em terreno positivo. Dívida pública dispara e juros de Portugal superam 2% e estão já acima dos de Espanha.

O PSI fechou a sessão a cair 0,04% para 5.930,01 pontos, com a Jerónimo Martins a liderar as perdas (-3,98% para 19,80 euros). A retalhista apresentou ontem as suas contas do primeiro trimestre, depois do fecho do mercado. Os lucros da Jerónimo Martins disparam 52% para 88 milhões de euros no trimestre. Já as vendas consolidadas da empresa cresceram 15,2% para os 5,5 mil milhões de euros.

A EDP Renováveis também ajudou à queda, ao recuar 1,01% para 22,64 euros, assim como a EDP que perdeu 0,87% para 4,44 euros. Destaque também para a queda das ações da REN de 1,37% para 2,890 euros.

O índice só não caiu mais porque a Galp o segurou, ao subir 4,30% para 11,63 euros. Por sua vez a GreenVolt avançou 2,76% para 7,07 euros.

Hoje foi notícia que Galp considera vender as operações de upstream em Angola, uma vez que a maior petrolífera portuguesa procura racionalizar a sua carteira de hidrocarbonetos.

Por sua vez a GreenVolt assinou um acordo energético de longo prazo na Polónia. Com isto a GreenVolt vai fornecer energia à T-Mobile Polska durante 15 anos.

A Altri valorizou 1,76% para 6,36 euros e a Navigator avançou 1,40% para 3,92 euros. Já os CTT subiram 0,82% para 4,30 euros. Estas são a subidas que se destacam dos oito títulos que fecharam no verde.

O analista de mercado do Millennium BCP, Ramiro Loureiro, destaca que o grande desempenho de economia portuguesa insuficiente para animar PSI.

O EuroStoxx 50 fechou a subir 0,58% para 3.798,88 pontos e o Stoxx 600 ganhou 0,70%.

O FTSE 100 subiu 0,47% para 7.544,5 pontos; o CAC 40 avançou 0,39% para 6.533,8 pontos; o DAX fechou com ganhos de 0,84% para 14.097,9 pontos; o FTSE MIB valorizou 0,82% para 24.252,2 pontos; e o IBEX ganhou 0,85% para 8.584,2 pontos.

Portanto em queda fecharam apenas a Grécia, Portugal e a Polónia.

“As praças europeias encerram em alta, em contraciclo com o sentimento que se vive em Wall Street, onde após as valorizações expressivas de ontem, o Nasdaq 100 recua mais de 1,5%, castigado pela reação mais negativa às contas de Amazon e da Intel, e também da Apple, ainda que neste caso a queda seja ligeira”.

A Apple atingiu resultados recorde, mas alertou para custos com cadeias de abastecimento. Ontem a Apple voltou ontem a anunciar resultados acima do esperado, com a fabricante do iPhone aumentar as receitas em 8,6% para 97,3 mil milhões de dólares e os lucros a subirem para 25 mil milhões de dólares. A empresa juntou mais 90 mil milhões de dólares ao programa de “share buyback” e subiu o valor do dividendo (+5%), mas as ações não resistiram ao anúncio de que os problemas nas cadeias de abastecimento deverão custar à companhia entre quatro e oito mil milhões de dólares. Os títulos chegaram a subir 5%, mas inverteram para terreno negativo.

Já a Amazon desiludiu com prejuízos e previsões sombrias para o segundo trimestre. A Amazon registou o primeiro trimestre com prejuízos desde 2015, com a companhia de comércio eletrónico a ser castigada pela desvalorização das ações da fabricante de automóveis elétricos Rivian. A empresa dececionou sobretudo nas previsões para o segundo trimestre, período em que admite prejuízos operacionais de mil milhões de dólares e receitas bem abaixo do que os analistas estavam à espera. A Amazon citou o aumento dos custos de armazenamento e entrega de encomendas para justificar as previsões sombrias.

“Os ventos favoráveis vindos da Ásia acabaram por impulsionar o sentimento no velho continente, no dia em que foi revelado que o PIB da Zona Euro terá expandido sequencialmente 0,2% no primeiro trimestre, indicando um abrandamento económico”, salienta o analista da MTrader.

“A economia portuguesa demonstrou uma robustez surpreendente, ao crescer 2,6%, um ritmo muito superior ao antecipado pelos analistas (0,3%). Não obstante, o PSI acabou por não conseguir acompanhar os ganhos, penalizado pela queda da Jerónimo Martins, que divulgou as suas contas trimestrais. Já a Galp comandou os ganhos no índice nacional, à medida que pondera vender as suas operações de upstream em Angola, possibilidade que os analistas viram como positiva para a empresa. Ainda em território nacional a Greenvolt esteve animada, após a sua unidade polaca ter ganho um contrato energético de longo prazo”, acrescenta o analista do BCP.

No plano macroeconómico chegou ainda a indicação de que inflação core da zona euro terá atingido um novo recorde histórico em abril, aumentando a pressão sobre a política monetária do BCE. A inflação na região atingiu os 7,5%.

A estimativa rápida da inflação para a zona euro do Eurostat revela que em abril de 2022, a taxa de inflação anual da Zona Euro foi de 7,5%. No 2º semestre de 2021, o preço da electricidade nas famílias registou uma variação homóloga de 1,7% em Portugal, de 8,9% na Zona Euro e de 11,0% na UE a 27.

O Eurostat divulgou ainda que o PIB de França estagnou e o de Espanha desacelerou. São os efeitos da guerra a fazerem-se sentir.

O PIB de França não cresceu no primeiro trimestre face aos três meses anteriores, uma evolução que ficou abaixo das estimativas dos economistas, que apontavam para um crescimento de 0,3%.

A segunda maior economia da zona euro foi penalizada pela queda inesperada do consumo das famílias (-1,3%), o que sinaliza o impacto da guerra na Ucrânia e a subida dos preços, sobretudo da energia.

A economia espanhola cresceu (+0,3%), mas registou um abrandamento significativo, com a evolução do PIB a ficar abaixo do esperado pelos economistas (0,6%).

A estimativa Rápida PIB da Zona Euro e UE (preliminar) do Eurostat, revela que no 1º trimestre de 2022, o PIB registou uma variação homóloga de 11,9% em Portugal, de 5,0% na Zona Euro e de 5,2% na UE.

O euro sobe 0,40% para 1,0541 dólares.

As obrigações da Alemanha a 10 anos agravam 3,92 pontos base para 0,94%. Ao passo que a dívida portuguesa a 10 anos dispara 7,34 pontos base para 2,01%. Os juros superaram os 2% e estão já acima dos da vizinha Espanha.

O Reino de Espanha também a ser penalizado com os juros a agravarem 7,25 pontos base para 1,97%. Já Itália também tem os juros a subirem 6,23 pontos base para 2,77%.

O petróleo Brent está também a subir 1,90% para 109,63 dólares. O crude nos EUA segue o mesmo caminho, sobre nesta altura 1,08% para 106,5 dólares.

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