Putin alerta para consequências ecológicas da rejeição da energia russa

O Presidente russo, Vladimir Putin, alertou hoje para as consequências ecológicas adversas da rejeição da Europa ao gás russo, alegando que vai obrigar ao uso de minerais fósseis que são mais prejudiciais ao meio ambiente.

epa09910064 Russian President Vladimir Putin meets with Russian Olympic and Paralympic athletes during a state awards ceremony for Russian medal winners of the Beijing 2022 Olympic Winter Games at the Kremlin in Moscow, Russia, 26 April 2022. EPA/YURI KOCHETKOV

“Adquirir gás russo barato e depois cortar o fornecimento desse gás e usar imediatamente tudo o que foi declarado anátema, incluindo carvão, não é a melhor solução para os problemas ecológicos globais”, disse Putin, durante um fórum na região russa de Kamchatka.

O Presidente russo defendeu que, para reduzir a poluição, são necessárias ações oportunas que contemplem a adaptação da indústria.

“Acho que a importância deste problema (…) exige cooperação à escala internacional. É impossível de outra forma. É impossível resolver problemas globais com soluções locais, mesmo que na base desses esforços locais existam objetivos nobres”, disse Putin.

O líder usso explicou que alguns países cometeram erros do ponto de vista da ecologia, ao “tomar muitas decisões” com base em objetivos nobres, mas inatingíveis, que acabaram por levar a consequências adversas.

Putin referia-se ao facto de a Europa estar a procurar diminuir a sua dependência da energia russa, depois da invasão da Ucrânia, no âmbito de sanções económicas, ao mesmo tempo que acusa o Kremlin de estar a usar a energia como arma de guerra.

Nos últimos dias, os países europeus acusaram Moscovo de estarem a preparar o corte de energia, no próximo inverno, questionando as razões para a suspensão de fornecimento de gás à Europa através do gasoduto Nord Stream.

O consórcio russo de gás que gere o Nord Stream anunciou na sexta-feira que iria suspender o fluxo de gás para a Europa através da Alemanha devido a uma fuga de óleo detetada numa turbina da única estação de compressão ainda em funcionamento, o que a União Europeia já disse que é uma “falácia”.

Hoje, o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, voltou a rejeitar qualquer tentativa de culpa pela suspensão do fornecimento de gás.

“Temos assistido a constantes tentativas de nos responsabilizar pelo que está a acontecer. Rejeitamos categoricamente essas suspeições. (…) O problema com o fornecimento de gás surgiu devido às sanções impostas ao nosso país e a uma série de empresas russas, por parte dos países ocidentais, incluindo a Alemanha e o Reino Unido”, justificou Peskov.

O porta-voz do Kremlin disse que “apenas uma turbina do gasoduto permanece operacional e, mesmo assim, com falhas, o que justifica a interrupção de fornecimento”.

Recomendadas

Cancelados dois concertos de Roger Waters na Polónia devido a posicionamento pró-russo

O co-fundados dos Pink Floyd iria atuar em Cracóvia em abril do próximo ano, na sala de espetáculos “Tauron Arena”, mas, segundo adiantam alguns meios de comunicação da Polónia, as autoridades polacas pretendem declarar Roger Waters como ‘persona non grata’.

Mais 821 detidos no sábado na Rússia em protestos contra mobilização militar

Moscovo foi a cidade com maior número de detidos, cerca de 400, mas também foram detidas pessoas em São Petersburgo (142 detidos), Novosibirsk (71), Irkutsk (20), Tomsk (19), Izhevsk (17), Ufa (16), entre outros locais.

Presidente do Senado russo pede que se evitem arbitrariedades na mobilização

Valentina Matviyenko salientou que sobre uma questão tão “sensível não deveria haver lugar a várias interpretações e lacunas para a aplicação subjetiva” do decreto de mobilização.
Comentários