“Putin, go f**k yourself”. Embaixada da Rússia critica Pedro Abrunhosa

O artista criticou Vladimir Putin em concerto e a embaixada russa em Lisboa mostrou o seu desagrado.

É uma das músicas mais emblemáticas de Pedro Abrunhosa. Nos concertos, ganha uma nova vida e o artista adapta-a consoante as ocasiões.

Lançada em 2003 no álbum Palco, “Talvez f**er” aborda na versão original as “bombas em Belfast e Beirute, os “snipers em Sarajevo”, a “fome em Bombaim” e os “fascistas em Berlim e em Moscovo”.

Mas a 2 de julho em Águeda, distrito de Aveiro, o músico e a sua banda o Comité Caviar focaram-se no presidente russo e na invasão russa da Ucrânia [vídeo infra, música a partir do minuto 23].

“Este grito tem que se ouvir hoje em Moscovo e Kiev”, começou por dizer Abrunhosa, recordando o caso do navio russo que bombardeou a base ucraniana na Ilha das Serpentes no Mar Negro, precisamente a 24 de fevereiro, o primeiro dia da invasão russa da Ucrânia. Contactados pelo navio de guerra Moskva via rádio (que foi abatido por misseis ucranianos a 14 de abril), exigindo a sua rendição, os soldados estacionados na ilha foram claros na sua resposta: “navio de guerra russo, vai-te fo**r”. A ilha acabou por ser capturado, e correram notícias em todo o mundo que os 13 soldados tinham sido mortos. Mais tarde, no final de fevereiro foi revelado que os soldados encontravam-se todos vivos e tinham sido capturados pelas forças russas.

De regresso a Águeda, Pedro Abrunhosa continua a introduzir o tema e a falar sobre a agressão russa. “Nunca escrevi uma musica com meias palavras. A palavra menos obscena nesta música é fo**r. Tudo resto é violência, violação, morte, destruição. Não escrevei nenhuma música para pedir desculpas, escrevi para pedir justificações”, disse o artista antes de atirar-se ao líder do Kremlin.

“Vladimir Putin, go fuck yourself [vai-te fo**r]; Vladimir Putin, go fuck yourself; Vladimir Putin, go fuck yourself; barco russo, go fuck yourself; soldados russos, go fuck yourself; misseis russos, go fuck yourself; Vladimir Putin, go fuck yourself; filha de Putin, go fuck yourself”, cantou o músico, acompanhado do público presente no AgitÁgueda.

Quem não gostou da performance de Pedro Abrunhosa foi a embaixada da Federação da Rússia em Portugal, tendo emitido um comunicado a criticar a sua prestação.

“A embaixada tem recebido cartas dos compatriotas russos zangados que afirmam estar chocados pelo comportamento dum dos famosos cantores portugueses Pedro Abrunhosa. Durante o concerto no festival “AgitÁgueda 2022”, a 2 de julho de 2022, ele se permitiu dizer várias coisas grosseiras e inaceitáveis sobre os cidadãos da Federação da Rússia, bem como os seus mais altos dirigentes. Além disso, Pedro Abrunhosa incentivava em êxtase os espectadores, entre os quais os russos que também pagaram os bilhetes, que repetissem o que estava a gritar, tendo no final expressado o desejo que as palavras dele fossem ouvidas em Moscovo”, pode-se ler no comunicado.

“Senhor Abrunhosa não deve ter dúvidas: as suas palavras, indignas do homem de cultura que ainda por cima representa o país, que está a manifestar-se abertamente contra qualquer tipo de ódio e discriminação, foram ouvidas. As respetivas conclusões serão tiradas”, segundo a representação diplomática do Kremlin em Lisboa.

“Gostaríamos ainda de relembrar o senhor Abrunhosa que os seus gritos vergonhosos se enquadram em mais de que um artigo da legislação penal portuguesa, sendo que neste contexto informámos, através dos canais diplomáticos, os órgãos competentes de aplicação da lei”, acrescenta.

A Embaixada da Rússia diz que “continua a vigiar os interesses dos cidadãos russos residentes em Portugal, e nenhumas provocações ignóbeis contra eles ficarão sem resposta”.

 

 

 

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