Putin invadiu Ucrânia por querer substituir governo ucraniano por “pessoas decentes”, diz Berlusconi

Berlusconi garante que “Putin foi pressionado pelo povo russo, pelo partido, pelos seus ministros a chegar a esta operação especial”.

Vladimir Putin foi “pressionado” para invadir a Ucrânia e queria colocar “pessoas decentes” no comando de Kiev, disse o líder do partido de centro-direita ‘Força Itália’, Sílvio Berlusconi, atraindo críticas ferozes pouco antes da eleição da Itália.

“Putin foi pressionado pelo povo russo, pelo partido, pelos seus ministros a chegar a esta operação especial”, disse Berlusconi, citado pela “Reuters”. Segundo o candidato ao Senado italiano, o plano original da Rússia era conquistar Kiev “numa semana”, e substituir o presidente ucraniano, democraticamente eleito, por “um governo de pessoas decentes”.

“Eu nem compreendi porque é que as tropas russas se espalharam pela Ucrânia enquanto na minha perspetiva só deveriam ter ficado em Kiev”, disse Berlusconi, de 85 anos, que já descreveu Putin como sendo como um irmão mais novo.

As declarações de Berlusconi não caíram bem a alguns. Exemplo disso é o líder do Partido Democrata de centro-esquerda, Enrico Letta, que descreveu os comentários de Berlusconi sobre a guerra como “escandalosos”. “Se na noite de domingo o resultado for favorável à direita, a pessoa mais feliz será Putin”, assegurou.

Também o líder centrista Carlo Calenda, outro candidato à eleição, disse que Berlusconi tinha falado “como se fosse um general de Putin”.

Perante as críticas generalizadas da oposição, Berlusconi divulgou uma declaração onde garante que  assuas opiniões tinham sido “simplificadas demais”. “A agressão contra a Ucrânia é injustificável e inaceitável, a posição (da Forza Italia) é clara. Estaremos sempre com a UE e a NATO”, acrescentou.

Os objetivos de guerra declarados de Putin variaram durante a guerra de sete meses. Inicialmente, a Ucrânia perseguiu as tropas na área de Kiev, e mais recentemente de partes do nordeste perto da fronteira com a Rússia. Putin agora diz que o principal objetivo é garantir território na região de Donbass parcialmente controlado por separatistas pró-Rússia.

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